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Por: Bruno Carvalho

FlashForward: Sem Futuro

FlashForward (1×19 – 1×22): Cancelada, FlashForward chega ao seu fim com um case perfeito de ingenuidade dos executivos de um grande canal de televisão. A série foi concebida, encomendada e vendida pela ABC americana para ser o novo LOST e, para tanto, eles seguiram à risca a cartilha que levou o drama dos sobreviventes do voo Oceanic 815 ao sucesso: criaram um roteiro complexo, introduziram muitos mistérios, planejaram o desenvolvimento da temporada através dos “pontos chave” (o que hoje é chamado no meio de “bíblia de produção”, que é uma espécie de manual para os roteiristas) e investiram milhões de dólares no episódio piloto e numa estrondosa campanha de divulgação. Contudo, em meio a toda esta agitação, eles esqueceram de acrescentar na fórmula o que é fundamental: competência. Assim, desde o seu capítulo inaugural, FlashForward foi sistematicamente perdendo espectadores em virtude da inépcia dos produtores, roteiristas e diretores em conduzirem a série com propriedade. E talvez tudo isso até teria funcionado se não fossem as expectativas jogadas lá em cima antes da estreia, pois da segunda metade da temporada o seu fim foi até possível perceber os avanços na trama e a resolução de alguns dos questionamentos principais, como a evidenciação do que causou o blecaute global e das interessantes teorias sobre linhas do tempo e visões. No fim das contas, o capítulo que narrou os acontecimentos no dia “D” trouxe até bons elementos, como a consecução dos flashforwards de formas inusitadas e um cliffhanger aceitável, mas que nunca será concluído. Contudo, a inexpressividade do protagonista Mark e de Olivia, a canastrice de Simon Campos e a irrelevância do físico Lloyd (fora as demais personagens secundárias) não farão a menor falta em nossa TV. Que tudo isso, pelo menos, tenha servido de lição sobre como não criar, produzir e vender uma série de televisão.

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