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Por: Bruno Carvalho

Dexter: Smokey and the Bandit

Por Bruno Carvalho

[Contém  Spoilers] Eu estava começando a perder a fé em Dexter. Após uma temporada notoriamente fraca, era de se esperar que o 6º ano revigorasse a série. Mas até a metade deste capítulo eu não consguia aceitar que estava vendo este outrora excelente drama perder seu tempo com um caso isolado sobre um velho e semi-aposentado assassino. Felizmente eu subestimei os roteiristas, assim como Dexter Morgan subestimou o tal “Fada do Dente”. E em vez de simplesmente jogar toda aquela história de religião por causa de seu filho Harrison, eles conduziram bem a trama ao mostrar o nosso querido assassino se deparando pela primeira vez com um futuro plausível, porém deveras indesejável, bem distante do bem-sucedido (até certo ponto) Trinity. E foi justamente ao se colocar no lugar do velho e acabado assassino tiradentes, que nem mais consegue matar direito e é obrigado a contemplar, sob a distância do tempo, os troféus de sua era dourada, que Dexter está realmente preparado para mudança.

Enquanto isso, os tais “Assassinos do Apocalipse” preparavam um verdadeiro espetáculo em praça pública, com pedaços de cadáveres montados em cima de cavalos correndo pelas ruas de Miami. E embora chocante, devo confessar que a cena careceu de maior densidade dramática, visto que pouco conhecemos sobre as motivações dos malfeitores, havendo apenas a indicação de que são algum tipo de religiosos fundamentalistas e aparentemente loucos (cada um à sua maneira, embora o garoto demonstre fraqueza diante seu mestre). Contando ainda com boas tramas paralelas, como os desafios encarados pela Tenente Debra e as desventuras de Masuka com sua estagiária, Smokey and the Bandit conseguiu cumprir a bem-vinda função de traçar o norte desta nova temporada de forma empolgante, o que, convenhamos, é um grande evolução desde a última vez que vimos isso com tamanha intensidade na série, lá atrás na 4ª temporada. Dexter reestruturou sua base e agora é esperar para que a tão prometida mudança (na série e em seu protagonista) finalmente ocorra. Isso eles nos devem desde a morte de Rita.

10 respostas para “Dexter: Smokey and the Bandit”

  1. Ives Leocelso disse:

    Review bem diferente do episódio:
    http://tv.ign.com/articles/119/1195107p1.html

  2. Carlos Frederico disse:

    Eu adoro dexter, e mesmo a 5a. temporada não foi ruim (Só o fim foi forçado e cheio de pontas soltas que varreram pra debaixo do tapete).

    Mas dexter tem abusado muito de conveniências de roteiro. Será que quinn, depoiis de Dexter livrar a dele, nem desconfia que quem matou liddy foi o nosso querido assasino serial? E o caso dos irmãos fuentes?

    É por isso que tramas como a de Deb tenente e loirinha do masuka fã do ITK, que tem grande potencial de desenvolvimento, podem acabar naquela coisa de dar em nada e ano que vem teremos as mesmas coisas. Deb vai ficar com o detetive negão na área, por que é isso que acontece com ela.

    Dito isso, é bom lembrar que embora sejam defeitos, eles vem acontecendo desde o início da série, e e uma característica da série. Creio que devido à 4a. temporada enfim trazer evolução ao seriado com a trama de trinity, o fato de ficarem sempre voltando ao status quo acabará ferrando com a série. As conclusões que dexter tira de seus assassinatos continuam sendo as mesmas de sempre.

    Esse ultimo episódio me incomodou pelo fato de Dexter convenietemente encontrar um assassino num asilo em miami com a maior facilidade, só por que ele tinha um recorte de jornal. E se o assassino não estivesse num asilo, ou não estivesse naquele asilo?

    E o pior: dexter constatar que ele é o assassino só por ver a caixa com dentes, quando o dexter verdadeiro iria coletar o DNA de cada um daqueles dentes pra confirmar se eram de vítimas. E se o velho fosse um dentista? É picuinha, mas bastava uma linha de dialogo e uma confirmação de que um dente ali era de uma vítima.

    Dexter sempre tem disso, de dexter estar sempre a frente do pessoal da Miami metro, mas isso às vezes torna tudo frustrante pois faz os personagens secundários um pouco como bonecos burros.

    “Você não é meu futuro” é a mesma conclusão que dex tirou ao matar trinity, afinal trinity não era também o modelo que dexter esperava que fosse.

    Bom, embora esteja falando mal até, é por que tenho medo da qualidade do seriado piorar ficando na mesmice ou na preguiça de certas partes do roteiro (certas partes por que a trama principal está excelente, com personagens recorrentes como brother sam, e temos eddie olmos). E que cena final magnífica.

    Espero que façam algo que mesmo que termine sem cliffhanger, pelo menos deem continuidade a subtramas.

    Desculpem, mas é exigência de quem assiste a breakingf bad.

  3. Davi Garcia disse:

    De maneira geral tô gostando desse início porque a ideia de que a série tenta voltar às origens colocando Dexter em confronto com situações que refletem pequenos conflitos internos e sobretudo com a preocupação que ele deixa transparecer sobre o legado que deixará para seu filho me parece mais que evidente e bem vinda à essa altura. É verdade que ainda falta um algo a mais para que Dexter volte a ser tão empolgante quanto já fora, mas esse episódio constrói um panorama bem curioso ao colocar Dexter em contato com um serial killer veterano que, sumido há mais de 10 anos, ressurge em Miami aguçando o faro do analista de sangue que, mesmo sem querer, por fim acaba contemplando o esboço daquilo que ele próprio poderia se transformar num futuro que tenta renegar a todo custo.

    Dos demais aspectos explorados no episódio, dois destaques óbvios: 1) para o desconforto de Debra como tenente e a necessidade de ter que lidar não só com a burocracia e a política inerente ao cargo, mas principalmente com a pressão de ter que demonstrar sua autoridade (a cena em que ela conhece o novo detetive vindo de Chicago, por exemplo, é ótima para ilustrar isso) e 2) para o progressivo desenvolvimento da dupla de antagonistas da vez representados pelos personagens de Edward James Olmos e Colin Hanks que, estabelecidos numa dinâmica de mestre/aprendiz, contextualizam um retrato bem instigante em torno do fanatismo religioso e de toda sorte de aberrações que nascem em função dele, algo que fica claro na grotesca cena que fecha o episódio.

    Agora, mais do que o caso da vez ou as subtramas visitadas nesse terceiro episódio, algo que chamou muito a minha atenção foi o interesse de Ryan, a estagiária de Masuka, em torno do caso do Ice Truck Killer. Qual é a motivação dela em cima disso? Uma reles e ‘inocente’ curiosidade ou a indicação de que o segredo da ligação de Dexter com o assassino corre risco? A conferir.

  4. Davi Garcia disse:

    Carlos, eu também acharia forçada a coisa do Dexter ligar aquela caixa cheia de dentes diretamente ao fato do velho ser o serial killer sem fazer maiores questionamentos, mas como o próprio se entrega no final assumindo aquela identidade, não vejo como um grande furo dentro do episódio. Dito isso, entendo que a expectativa de muitos de nós ainda esteja frustrada. Dexter já foi muito melhor e ainda pode voltar a sê-lo, mas por enquanto é só uma promessa. Torçamos para que os roteiristas se encontrem de vez com essa trama que até aqui tem despertado meu interesse.

  5. Carlos Frederico disse:

    Davi Garcia :
    Carlos, eu também acharia forçada a coisa do Dexter ligar aquela caixa cheia de dentes diretamente ao fato do velho ser o serial killer sem fazer maiores questionamentos, mas como o próprio se entrega no final assumindo aquela identidade, não vejo como um grande furo dentro do episódio. Dito isso, entendo que a expectativa de muitos de nós ainda esteja frustrada. Dexter já foi muito melhor e ainda pode voltar a sê-lo, mas por enquanto é só uma promessa. Torçamos para que os roteiristas se encontrem de vez com essa trama que até aqui tem despertado meu interesse.

    Sim, não é furo pois o cara era mesmo o assassino, o que salva a trama e dá realmente a dexter a confirmação. Mas que dex deveria ter questionado, sendo quem ele é e já tendo se enganado antes…

    Me lembro da 4a. temporada que teve um episódio em que dexter vai atras de um assassino que não tem relação nenhuma com a trama principal mas foi muito mais bem feita: na verdade era uma assassina policial que matou a família e simulou um assalto.

    Mas essa de ir direto no asilo em que o assassino estava morando… Conveniências no roteiro são aceitáveis em situações em que não há outro jeito.

    Bom, não é a primeira vez e não será a ultima.

  6. Carlos Frederico disse:

    É eu li esse review, e o interessante nos review do IGN é que o cara levantou a hipótese de que o Eddie olmos seja uma espécie de tyler durden (brad pitt) do travis.

    Um lado meu acha a idéia ruim, pois isso impediria de olmos contracenar com dexter. Mas por outro lado, olmos ser uma figura no estilo tyler durden que não é uma idéia incomum para esse seriado, visto que harry morgan seria quase o mesmo para dexter.

  7. Carlos Frederico disse:

    Eles tão fazendo da laguerta uma megera, hein? Embora isso seja característico dela, ela não é totalmente perversa e muitas vezes ela já esteve em situações em que nos sipatizavamos com ela.

    Sobre o segredo do ITK, vale lembrar que ao menos Deb já sabe que dexter é irmão de brian moser, o ITK. Vamos ver o se essa trama trás alguma nova ameaça, ou revela aos outros membros da polícia a outra parte do segredo.

  8. Gregório disse:

    Eu adoro Dexter, mas não gosto dessa coisa de praticamente zerar tudo a cada temporada.
    Vejam bem, com exceção do ITK, pouco ou nunca se ouve falar de coisas que aconteceram em outras temporadas.
    Um exemplo é Miguel. Ele foi um cara com quem Dexter manteve uma relação muito forte, mas depois da 3ª temporada, houve somente uma relês menção a ele na temporada passada. É quase como se o cara desaparecesse no ar.
    Ok, a 3ª temporada não foi essas coisas, certo. Mas acho muito estranho. O mesmo acontece com Lila e aposto que também vai ser assim com Lumen, já que a 5ª temporada também foi fraca.
    Mas pô, são pessoas que tiveram uma ligação com o lado negro de Dexter. Mas que, da maneira que a série é conduzida, parece que não fizeram a menor diferença na vida do cara.
    Sei lá, não gosto disso, mas como disse outra pessoa ali em cima, deve ser pq me habituei com Breaking Bad…

  9. Rosy Carvalho disse:

    Dexter é igual pizza (e sexo), até quando é ruim é bom… rsrsrs

    Quanto aos “Assassinos do Apocalipse”, creio que apenas o jovem é real… já repararam que eles nunca aparecem juntos diante de alguém??? Só quando estão sozinhos nas cenas?
    Será um alterego do jovem religioso???

  10. Luiz André disse:

    Após assistir a este quarto episódio, fiquei com uma constatação um pouco indigesta sobre os desdobramentos da série no futuro. Existe um certo quê de ingenuidade em Dexter em sempre buscar em outras pessoas aquilo que nunca teve em relação a vivenciar suas próprias emoções, ou seja, se nas primeiras temporadas, havia uma certa preocupação em mascarar o fato de que Dexter tinha pouca labilidade social, tendo que constantemente bancar o bom moço para passar incólume por seus colegas, à medida em que as temporadas se seguiam e ele foi encontrando pessoas que fizeram o Dark Passenger vir à tona (Ice Truck Killer, Lyla, Miguel Prado, Trinity Killer, Lumen, Brother Sam, Harrison, etc.), mais esta decisão em se mesclar aos outros foi perdendo seu efeito; sim, entendo que houve um desenvolvimento profundo do personagem que não deve ficar estático diante do que lhe acontece, contudo, em se tratando da trama principal da temporada, sempre há uma pessoa a quem Dexter deve se aproximar gradualmente para que descubra uma parte de si mesmo da qual nunca teve contato. Parece que não existe uma possibilidade de Dexter seguir em frente sozinho, errando e acertando sem ter a presença do fantasma de seu pai sobre seu ombro comentando seus feitos e sendo sua consciência. Depois de seis anos, começa a cansar esta estrutura dramática e, se continuar assim, Dexter irá sofrer do mesmo mal de House e outras séries veteranas que já foram excelentes em um tempo distante, mas que agora capengam dolorosamente até seu desfecho.

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