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Por: Bruno Carvalho

Dexter: Those Kind of Things

por Bruno Carvalho

O que significa ter “fé”? Etimologicamente, esta palavra comumente associada à religião, tem sua fonte no latim no termo fides, que por sua vez significa “fidelidade”. Poderia Dexter Morgan, então, ser um homem de fé? Um ser que de forma cega e absoluta acredita nos princípios deixados por seu pai? Eu acredito que sim. Dexter tem sua própria crença, seus próprios métodos. Seu kill room é estruturalmente um altar plastificado e preparado para receber o ritual máximo de sua bíblia particular, o Código de Harry – aquele mesmo que o guiou por toda sua vida, que foi questionado e abraçado por diversas vezes. Em Those Kind of Things, a 6ª temporada de Dexter se inicia com o objetivo de reerguer o drama, dura e merecidamente criticado pela inconstante temporada anterior. Passado certo tempo dos acontecimentos que preferimos esquecer, encontramos Dexter Morgan de volta ao jogo em sua melhor forma.

Com seu filho Harrison crescendo, aumenta também em Dexter a preocupação de não passar para o garoto seu “Dark Passenger“, mas ao contrário do avô, o serial killer de Miami não tem um plano sobre “o que” deve ensinar o garoto. Isso o leva a buscar auxílio na religião (como muitos eventualmente o fazem em determinado momento da vida), matriculando o garoto em uma escola cristã. Não coincidentemente, este será o cerne da temporada, visto que corpos vítimas de grotescos serial killers (interpretados por Edward James Olmos, de Battlestar Galactica e Colin Hanks, de The Good Guys), aparentemente agindo sob algum pretexto religioso-fundamentalista, começaram a emergir. Paralelamente, as demais tramas empolgaram, como o divertido Masuka de professor e com sua seleção de estagiários, a reunião escolar de Dexter e a aproximação ainda maior de Deb e Quinn. A série mantém suas boas doses de humor negro, que sabiamente quebram os momentos mais intensos e gráficos.

O drama mostrou ter espaço para surpreender e ser corajoso ao tocar no sempre delicado assunto da religião pelos olhos de um protagonista agnóstico e sem pretensões de encontrar a redenção divina. Afinal, a religião é algo essencialmente bom? A História está aí para nos mostrar o contrário, valendo a máxima do físico Steven Winberg: “Com ou sem religião pessoas boas farão coisas boas e pessoas más farão coisas más. Mas pra pessoas boas fazerem coisas más, é preciso religião”. Dexter, contudo, não voltou de forma estrondosa como os fãs ávidos esperavam. Por outro lado, a narrativa adotou um tom mais sóbrio e menos caótico, em um bem-vindo contraponto daquele que guiou a temporada passada. Este foi o primeiro passo para colocar esta ótima série de volta aos trilhos. ” It has begun”.

15 respostas para “Dexter: Those Kind of Things”

  1. pinck_ disse:

    só escreve ‘foda’ não precisa escrever nada alem disso

  2. Nicholas disse:

    Na minha concepção, Dexter nunca esteve tão repetitivo. Algo se perdeu nessa construção do personagem e com cada temporada que se passa o roteiro fica vez mais medíocre, apelando para velhos dilemas e situações. Na minha concepção das coisas, estamos vendo o novo “House”, em termos de algo que vai ficando completamente caricato. Claro, duvido muito que alcance o grau de House, devido até ao prório clima do seriado, mas é mais ou menos por aí.

  3. Nicholas disse:

    E eu sei que os livros e a série são dois produtos distintos com linguagens distintas e critérios também distintos (céus, distinto três vezes), mas a série de livros também se perde completamente.

  4. André disse:

    Concordo com os comentários. Ela começou bem mais lenta do que o normal, mas é muito bom ver um bom texto novamente em Dexter, e não aquela vergonha que foi a última temporada, tirando alguns poucos bons episódios.

    Espero que prossiga nesse rumo.
    Dexter não pode ser estragada como outras séries são.

  5. Davi Garcia disse:

    Eu gostei bastante desse início. É claro que o Dexter parece andar em círculos sem mostrar uma grande evolução desde a irregular quinta temporada, mas ainda assim acredito que a decisão de colocar a religião como contraponto para a história desse ano pode render bons frutos já que, além de ser naturalmente polêmico (vamos ver quanto tempo vai levar até a Igreja se manifestar de alguma forma), inevitavelmente trará questionamentos novos pro protagonista feito pelo C. Hall em função do que ele pretende deixar como herança para o filho Harrison, como bem destacou o Bruno no texto.

    Torço muito para que os roteiristas da série não se rendam à fácil tentação de repetir os mesmos temas que já foram cobertos em temporadas anteriores. Independente de querer dar continuidade à série, os caras precisam entender que só nos importamos com a complexidade do Dexter se ele trouxer esse conflito que tem entre o desejo de alimentar o seu dark passenger e o de ser uma pessoa ‘normal’ sempre à tona e em níveis maiores. Se fizerem isso, duvido que a série não volte a empolgar tanto como já fez antes. Tenho esperanças.

  6. Sally_WilsonMD disse:

    Mesmo quando esteve ruim, dexter continuou melhor que 90% das séries no ar.

  7. Cássio disse:

    Dexter é ateu.

  8. Delson Darque disse:

    Eu estou com uma dúvida.. eu não assisti a 5a temporada do Dexter, já que muitos falaram que tinha caido demais, mas agora estou empolgado pra assistir a 6a.. eu vou perder ficar muito perdido na série se não assistir a 5a?

  9. Davi Garcia disse:

    Sinceramente? Ignore a 5a temporada e embarque na atual.

  10. Bruno Carvalho disse:

    Eu assistiria sim. Sou contra descontinuar séries. Não assisto nenhuma produção que não vejo desde o episódio piloto. Acho que mesmo os deslizes fazem parte da obra, que deve sempre ser apreciada e analisada como um todo.

    A 5a temporada foi fraca? De todas elas, sem dúvida, mas ainda assim possui elementos que se destacam e cuja narrativa é superior a maioria dos dramas em exibição, especialmente os de TV aberta americana.

  11. @tiagosector disse:

    Venho aqui pra semear a discórdia (ou não?): eu adorei a 5ª temporada!

    Irregular? Péssima? PARA MIM passou longe disso. Achei intensa, uma era em que o Dexter passou os maiores “cagassos” até então na série. Uma era marcada por desatenções que ele nunca tinha. E também mostrou um lado onde ele pode dividir seu instinto assassino com outra pessoa – apesar de tê-lo feito com o Miguel na 3ª, mas não tão intenso como foi com a Lumen.

    Mas enfim, como o assunto aqui não é a 5ª. A 6ª temporada promete e muito. Alias, é dificil você dizer que qualquer temporada de Dexter no seu inicio não prometa. A série é foda, e ponto final.

  12. Tatiana disse:

    Vai deixar de assistir uma temporada INTEIRA pq as pessoas falaram que é ruim? Eu assisti e gostei (sim, teve uns erros de roteiro bizarros, mas diverte de qualquer forma)

  13. Bruno disse:

    Chará, só uma coisa, a direção tem dado um deslizes feios em Dexter ultimamente. Por exemplo, a cena que a menina faz “um serviço” no Dexter. PQP aquela cena é RIDÍCULA! Mas eu tbm achei que a série evoluiu em relação a 5a.

  14. Jú.P disse:

    Finalmente consegui ver esse episódio, e estava morrendo de medo da série entrar pro lado religioso e tal, mas amei o episódio, amei como a religião foi abordada, amei os serial killers.

    Eu gosto desse tom mais sóbrio, desse ritmo mais lento, acho que combina mais com Dexter! E sinceramente, acho que foi um dos melhores episódios de toda a série!

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