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Por: Davi Garcia

Dexter: Nebraska

Por Davi Garcia

É fácil entender qual era o objetivo dos roteiristas de Dexter quando resolveram trazer Brian Moser (o Ice Truck Killer) de volta mesmo que por um único episódio. Afinal, se a primeira metade dessa 6ª temporada mostrou as avaliações que o protagonista da série fez, a partir de seu convívio com Sam, em torno da possibilidade de se deixar influenciar por uma luz/caminho (ou qualquer outra coisa equivalente) que ele julgava não existir, a aparição de seu irmão estabelece um contraponto para tudo aquilo na medida em que coloca Dexter tentado a se entregar à escuridão representada por Brian. Nisso, chega a ser curiosa a forma nada sutil que os roteiristas usaram para fortalecer essa leitura através do figurino dos personagens que exerceram (ou tentaram exercer) influência sobre Dexter nesse arco, visto que enquanto Sam sempre aparecia com roupas brancas, Brian surge o tempo nesse episódio com figurino negro, o que não deixou de ser interessante.

Nesse contexto, depois de explorar, ainda que de forma breve, bons cenários (como, por exemplo, o que envolve a visita de Dexter ao filho do Trinity Killer) de forma envolvente, “Nebraska”, sétimo episódio da temporada, derrapa ao dar uma conclusão apressada para toda aquela dinâmica dos irmãos Moser desperdiçando, de forma preguiçosa, a ideia de vermos como Dexter poderia ser sem o código de Harry (vide seu descuido, ou pouco critério como queiram, ao matar o maconheiro do hotel de estrada), além de diminuir a chance de manter o protagonista encarando o conflito da luz/escuridão por mais tempo ao passo em que se envolve mais na investigação dos assassinos do Apocalipse.

Por falar neles, como novo ingrediente para a obscura verdade que rege a relação de Gellar e Travis (o professor é ou não é real?), o testemunho da vítima liberada pelo segundo vem para nos confundir um pouco mais a partir do momento em que ela fala da presença de dois captores. Assim, mesmo que o discurso doentio e fundamentalista de Gellar (“O mundo como está tem que acabar”, diz ele) surja em contradição às ações de Travis numa forma intrigante, ainda falta, na minha opinião, complexidade para que os antagonistas da vez ganhem o peso que precisam ter dentro da trama desse 6º ano, que depois de um início promissor vem patinando para se firmar. Ou não?

Outras observações:

– Ok, senhores roteiristas de Dexter. Já entendemos que LaGuerta abraçou seu lado mesquinho tornando-se uma personagem odiável. Livrem-se dela logo e fica tudo certo.

– Quanto tempo até Debra abandonar a burocracia do cargo em troca da chance de voltar a colocar a mão na massa? Apostas?

– Será que o fato de termos visto Dexter assumindo para Jonah Mitchel (o filho do Trinity) que foi ele quem matou seu pai, representará uma ameaça para o analista de sangue da Miami Metro ou isso foi só uma distração simplória que os roteiristas ignorarão solenemente na sequência?

12 respostas para “Dexter: Nebraska”

  1. Wilian disse:

    Eu achei estranho o Dexter, em meio aquela vulnerabilidade, não ter matado o Jonah. Mas depois percebi que não era o Dexter e sim os roteiristas que não o deixaram matar pra que o filho de Trinity possa render mais a frente. Pelo menos, assim espero!

  2. Fábio Vieira disse:

    Bom, acho que a minha teoria de que as visões não interagem com o ambiente foi por água abaixo, pois elas interagem, embora seja como a parte do tridente, em que era o Dexter quem manipulava a peça. Acho que a revelação de que o prof mão é real está mais que confirmada agora. Em relação a mulher ter falado que ouviu duas vezes, pode ser muito bem o Travis mudando seu tom de voz, algo que deve ser normal em pessoas com esse tipo de disturbio.

  3. Wilma disse:

    Realmente o caso principal dessa temporada tá lento, não que não seja interessante, mas não tá me empolgando, toda vez que o episódio sai desse eixo, ele melhora.
    Pra mim, a melhor cena da temporada e uma das melhores da série foi Dexter/Brian matando aquele cara. Palmas pros roteiristas e pra Michal C. Hall que deu show o episódio inteiro. ITK vai deixar saudades de novo.

    Ainda não descarto a teoria Tyler Durden, eles tinham mesmo que fazer algo pra confundir se ela for verdadeira. Pelo menos agora eu não tenho mais certeza.

  4. Georgea Alexandra (@geo2508) disse:

    Oi Davi estava louca pra vir comentar esse episódio. : )
    Adorei este episódio e concordo com você que eles deveriam ter explorado mais a relação Dexter/Brian. Wilma também achei sensacional aquela cena da morte do recepcionista e em alguns outros momentos eles conseguiram ter esta sincronia de movimentos perfeita também.

    Uma coisa que me “preocupa” é que Dexter cometeu a 2a morte desta temporada sem luvas. Acho que juntando isso com as entrevistas iniciais da Jennifer Carpenter onde ela relata que está cada vez mais difícil explicar como é que ela não descobriu ainda o que o Dexter faz… estou com #Season2Feelings ; ))

    A teoria está cada vez mais forte pra mim. Apesar de ter mostrado a foto do Travis/Gellar e que ele foi aluno do Gellar, no preview do ep 8 Dexter afirma que o Dark Passenger do Travis, ao contrário do dele, pode ser morto. Isso ainda não me convence. Acho que o fato de ele ter se precipitado em relação ao Jonah mostra que Dexter tbm erra (rsrs) e que essa pode ter sido uma das funções do Jonah ter voltado agora.

  5. Marcela disse:

    Eu preciso confessar uma coisa: Eu morro de medo do Brian Mooser! haahha gente, no o final do ulmito episódio que ele apareceu já fiquei morrendo de medo! hahaha

    E tb to “preocupada” com o dexter estar descuidado… será que essa temporada será realmente a penultima?? e teremos um dex condenado no fim? nao queria esse final pra ele…

    E to achando muito chato, muito enrolada esse matador do apocalipse… action logo!!!

  6. Sofia disse:

    Dexter guarda uma caneta do motel como brinde. Tenho certeza que isso irá trazer problemas quando encontrarem o corpo do recepcionista.

    Será só eu, ou deu a impressão de que a “voz da consciência/subconsciência” do Dexter (Harry e execepcionalmente Brian), é a personificação do Dark Passenger?

    Não sei, fiquei com isso na cabeça, a cena do Harry pedindo carona, logo após Dexter descartar o Brian, deu a entender que Harry é o seu Dark Passenger. Ele pode ser a personificação de quem o Dexter quiser, baseado nos conceitos do que ele acredita. Ele poderia ter escolhido um dark passenger mais sombrio mesmo (Brian) ou o que segue o código para sobreviver (Harry). Todos vimos qual ele escolheu.

    Será que os roteiristas que tem falhado tanto nesta temporada, teriam sutileza o suficiente para deixar esta revelação no episodio?

  7. Maumau disse:

    A performance de Michael C. Hall neste episódio é memorável. A alegria quase pueril de estar com o irmão e o sentimento de que será pego se burlar o código de Harry, me chamaram a atenção.
    Agora a respeito que vc escreveu. Cara! se o prof. Gellar for fruto da imaginação de Travis, será muito bom. Para mim, será a maior revira-volta nesta temporada. Não vai ser a primeira vez que um assassino passa pelas mãos de Dexter e escapa.
    Não creio que Jonah possa aparecer novamente nesta temporada. Matando seguindo o padrão do pai?!… muito manjado.
    O irmão Sam mostrou ao Dexter que ele (Dexter) se iluminava quando pensava em Harrison e pudemos observar que ele teve de se afastar para revelar seu lado mais sombrio ao lado do irmão.
    Agora a respeito do maconheiro, não acredito em qualquer sanção sobre esta morte. Foi simplesmente a morte do episódio.
    E sobre a caneta, talvez a Debra descubra que ele esteve em Nebraska, para procurar o Trinity, é claro! O que é bastante plausível.
    E, como vc comentou, falta um direção para os novos personagem desta trama…

    Marlei
    engenheiro e consome seu tempo livre com o melhor passatempo: Dexter.

  8. Bruno Fernandes disse:

    Mais uma vez Dexter decepciona. Tinha tudo para ser bom e não está. O roteiro é descuidado sim! E não adianta tapar o sol com a peneira, o seriado ficou mediano. E a forma como utilizaram Brian Moser neste episódio é uma das provas. Colocaram um personagem que nos levou de volta para quando o seriado era espetacular. Foi um uso, de certa forma, desonesto.

    Exemplo, se o personagem do professor é fruto da insanidade do Travis, por que mostrá-lo sem a presença do Travis? Falo isto, porque provavelmente ele será “imaginário”, e este é o tipo de desleixo que não pode passar.

    Uma das melhores coisas em Dexter era que os diálogos com seu pai e seu irmão eram diálogos internos, não tinha esta coisa de insanidade e lembrem-se com estes personagens apareciam até a fotografia mudava. Ok, ver Brian Moser, interagir com Brian Moser da forma como aconteceu neste episódio (tridente matando o maconheiro) poderia ser uma ótima trama: Dexter enlouquecendo! Mas, preferiram o caminho bobo e procuram sempre voltar para o “comum” do show.

    Na verdade a qualidade deste episódio dependerá de como a temporada terminará, por enquanto, para mim, mediano.

  9. OzzyCrazy disse:

    Foi um bom episódio.

  10. Flávio disse:

    Lendo meio por cima no wikipedia, e também por que gosto muito de psicologia e afins, acredito que Travis sofra do seguinte transtorno:

    (ctrl+c – ctrl+v)

    Dissociação é um estado agudo de descompensação mental, no qual certos pensamentos, emoções, sensações e/ou memórias são ocultados, por serem muito chocantes para a mente consciente integrar

    O psiquiatra francês Pierre Janet (1859-1947) definiu o fenômeno da dissociação no seu livro L’Automatisme psychologique. Segundo ele, o papel deste mecanismo é defensivo, surgindo em resposta a um trauma psicológico. Apesar de considerar a dissociação como um mecanismo de defesa inicialmente efetivo, protegendo o indivíduo psicologicamente do impacto de eventos traumáticos, uma tendência habitual de dissociação pode ser um indício de uma psicopatologia mais profunda.

    A dissociação normalmente aparece na mídia em notícias relatando estresse pós-traumático de soldados que vão para guerra, vítimas de estupro que apresentam amnésia a detalhes, e em alguns julgamentos, onde se questiona até que ponto pode uma pessoa que tem Transtorno Dissociativo de Identidade ser responsável pelos seus atos.

    Talvez a mais conhecida forma de desordem dissociativa é o Transtorno Dissociativo de Identidade, conhecido antigamente como Transtorno de múltiplas personalidades. Apesar desta ser a forma mais severa das desordens dissociativas, ela não é aceita por todos os profissionais de saúde mental como genuína.
    Diagnóstico

    O DSM-IV, da Associação Americana de Psiquiatria, considera alguns sintomas como despersonalização, desrealização e amnésia psicogênica sinais de desordens dissociativas. No entanto, observa-se na população em geral uma alta prevalência de experiências dissociativas, em que aproximadamente 60% a 65% dos pesquisados tiveram algum tipo de experiência dissociativa pelo menos uma vez.

    Acho, não tenho certeza, como já comentei em outro post aqui do site sobre essa temporada, que todo isso possa ter começado assim que Travis matou o professor, lógico é só uma teoria, mas faria muito sentido pelo menos pra mim, a maioria dos momentos em que Gellar aparece é quando Travis está ou muito ansioso ou estressado, ou por algum outro motivo, agora não acredito que tenha matado o professor simplesmente por qualquer coisa, talvez possa ter sido um acidente, e continuar o Gellar começou seja um meio dele compensar o que ele fez a ele, talvez por culpa, uma vez que como está escrito texto que copiei, isso é um dos mecanismo de defesa do nosso “maravilhoso” ego, as visões acho que são fruto de tudo isso que está ocorrendo, agradeço a atenção e paciência por ler meu comentário, me desculpe antes de mais nada e tenha uma boa noite.

  11. Flávio disse:

    ah isso também seria interessante gancho para a série, uma vez que nem o próprio Dexter conseguiu perceber o Dark Passenger do Travis, por ele é fragmentado, assim o código Harry teria que ser repensado mais uma vez, não poderia matá-lo por que é genuinamente inocente e também por não ser um psicopata, assim como está no texto que eu coleu agora poucom ele pode ser responsável pelos seus atos?
    E se o alter-ego do Travis realmente vir a tona, pode ser que poderemos ver um vilão tão consciso e terrivelmente brilhante assim como foi com Brian Moser, acho, não tenho certeza, vai depender dos roteirista, fica a dica existe animes que também tratam desse assunto exatamente dessa forma, um deles é bem conhecido chama-se Bleach e o outro um pouco mais complexo e fascinante é Ergo Proxym fica a dica.

  12. Camila Picheth disse:

    Uma coisa legal do episódio é que o Dexter se deu conta que não pode existir escuridão sem a luz (assim como a recíproca). O ser humano é repleto de paradoxos e dualidades, e perceber isso em si mesmo é um grande passo.
    Embora o Brian pudesse ter sido melhor utilizado, acho que ele cumpriu o papel de mostrar o verdadeiro Dark Passenger do Dexter, sua sombra. Como eu disse, somos um ser de dualidades: enquanto algo fica na nossa consciência, seu oposto vai para o inconsciente e, quanto mais o reprimimos, mais forte ele fica. De um jeito ou de outro o inconsciente vai vir pra superfície e, dependendo do nível da repressão, ele pode destruir uma pessoa (o que acontece em Cisne Negro, diga-se de passagem). Sempre tivemos um Dexter em contato com seu lado obscuro, mas controlado. Depois da morte da Rita e do Sam, só era necessário um empurrão para o Brian aparecer. O Jonah serviu para o Dexter colocar a cabeça no lugar e trocar o Brian pelo Harry, que é o Dark Passenger controlado, consciente.

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