FOTO: REPRODUçãO

Por: Davi Garcia

Com In Absentia, Fringe resgata o que tem de melhor

Série traça belo panorama sobre moral no segundo episódio da última temporada

[com spoilers do episódio 5×02]O que me preocupa mais nao é o que eles trouxeram, mas o que eles levaram.” A frase dita por Olivia à sua filha Etta em dado momento de In Absentia, parece resumir bem aquilo que veremos nesse derradeiro arco de Fringe: como a ausência de liberdades representada pela tirania contribui para a perda de humanidade distorcendo o que é moral ao colocar opressores e oprimidos agindo sob a lei do olho por olho. Assim, se o episódio de estreia falhou na tentativa de estabelecer o quadro que compõe a real ameaça desse momento da história da série – que afinal não se limita ao poder tirânico representado pelos Observadores, mas sim à forma como os homens reagem a ele -, esse capítulo mais recente resgata a ideia de que Fringe, muito mais do que um excelente drama sci fi, é também um manifesto sobre quem fomos, somos e podemos nos tornar mediante as cirscunstâncias. Sob essa perspectiva, se antes a série tratava de um homem que precisa recuperar a sanidade perdida em função de um ato desesperado para salvar um filho, a trama da vez parece colocar uma mãe que vai fazer de tudo para salvar o mundo e sobretudo a inocência que sua filha perdeu com a guerra.

Trocando a ação pela reflexão e lançando dúvidas sobre os limites éticos e morais aos quais seus personagens se submetem e abraçam naquele futuro, In Absentia trouxe alguns dos momentos mais sombrios da história de Fringe. Dessa forma, ao transformar Etta numa figura mais tridimensional e complexa dentro do contexto da trama, a série denota que o  convívio dela com Walter, Peter e Olivia representam não apenas um reencontro há muito esperado, mas também sua chance de resgatar, através da família, a humanidade que parece ter perdido sob o jugo dos Observadores e na sua luta contra os chamados legalistas. Com isso em mente, é interessante notar como a série continua absolutamente eficiente na arte de desconstruir conceitos ao mostrar que nem tudo é o que parece como já fizera antes com os personagens do universo alternativo e repete agora com os tais legalistas, cujas motivações (ou falta de) passamos a conhecer através das ótimas sequências envolvendo Etta, Olivia e o guarda Gael (em ótima participação de Eric Lange, que muitos devem ter reconhecido como o Radzinsky de LOST). Considerando tudo isso, ainda que a solução para recuperar o plano para derrotar os Observadores soe aparentemente pouco criativa (tudo gravado em fitas?), mal posso esperar para ver que outros momentos impactantes (como aquele em que Etta testemunha alguns dos resultados das experiências bizarras feitas pelos Observadores com humanos) surgirão dos esforços oriundos dessa busca que certamente permeará os 11 episódios que virão. Que o glyph code da vez (faith, fé em português) ajude a sustentar e confirmar essas boas expectativas.

13 respostas para “Com In Absentia, Fringe resgata o que tem de melhor”

  1. Mihh' disse:

    Ótima review.
    Adorei o toque de humanidade que a Olivia trouxe pra Etta. Tô adorando tudo nessa temporada, haha.
    Só achei estranho uma coisa… você disse de ser um modo estranho deixar gravado em fitas e tals. Achei ainda mais estranho que na gravação o Walter diz pra quem estiver vendo, ir recuperar a próxima fita, mas ele não dá nenhuma dica de onde ela está. Tipo, e aí? haha.

    (Agora uma coisa sobre os Observadores: eles são tipo ditadores, fazem experiências em humanos e espalham monóxido de carbono que é tóxico, na atmosfera… Só eu tô vendo alguma coisa parecida com o que os nazistas faziam? ._. )

  2. Jorge Moreira disse:

    Não é só você que percebeu isso. Eu também pensei no mesmo desde os promos divulgados antes da estreia. Tudo muito parecido com o nazismo…

  3. Marina disse:

    O uniforme deles é igualzinho também. Acho q foi bem intencional fazer eles parecidos com os Nazistas, até pra trazer essa imagem de crueldade desumana…

  4. Mik disse:

    Só me preocupa que os produtores estão facilitando demais as coisas nesse início de temporada e isso tá começando a soar incoerente. Episódio passado já tivemos a galera indo resgatar o Walter na maior tranquilidade do mundo. Nesse aqui, de novo, invadem um lugar dominado por Observadores e ninguém percebe. Isso é enfraquece os vilões da temporada.

    Sem contar certas liberdades tomadas e que também prejudicam a consistência da história, como a obra do acaso de existir túneis que caem exatamente no laboratório dele, o fato de eles conseguirem cortar o âmbar (que até temporada passada era considerada praticamente impenetrável, e justamente por isso usada pra manter pessoas e lugares seguros dos Observadores) com um laser tirado de uma aparelho de DVD, o segurança indo alimentar os pássaros justamente naquela hora, etc. Além da já citada pouco criativa trama formada com eles indo atrás de fitas (FITAS!) que vão indicar como derrotar os carequinhas. Plano esse que o Walter convenientemente esqueceu no episódio passado, e aqui descobrimos que está toda documentada e dividida.

    Dá pra entender que 13 episódios é pouca coisa, mas se os produtores continuarem nesse ritmo pra acelerar os acontecimentos, a series finale vai ser a coisa mais broxante do mundo. Vai ficar aquela impressão de 5 anos jogados fora pra resolução vir fácil e simples em dois minutos.

  5. Gaby disse:

    Bom, o Walter nem se quer lembrou das fitas, quem fala que ele sempre documentava as coisas ( aliais, oq todo cientista/pesquisador faz) é a Olivia, eles na verdade vão a Harvard na fé de encontrar algo documentado lá, imagina vc vivendo na situação deles, onde um plano plantado em sua mente foi praticamente perdido, então eles não tinham muito oq perder ao ir a Harvard tentar achar qlqr coisa desse plano pra derrotar os observadores.

  6. Zé das Couves disse:

    Mais uma vez, concordo com você, Davi. Precisava mesmo dessa bobagem de fitas? Poxa, a coisa começa a ir bem, se encaminha para algo razoável, e aí vem uma ideia estapafurdia de fazer “caça ao tesouro”, achando um pedacinho do “mapa” de cada vez? E, para ficar mais ridículo, só falta eles acharem uma fitinha por vez, na ordem certa!… affff… definitivamente, não precisava disso…

    Tem outra coisa que está me incomodando: Fringe agora é outra história. Não mais universo paralelo, não mais casos extraordinários, não mais divisão Fringe, tal qual a conhecíamos. Parece que a coisa era pra acabar na temporada passada mesmo e que estão tentando criar um “apêndice” com a única coisa que sobrou (os observadores), mas a trama não se apresenta (pelo menos pra mim) tão sedutora quanto as premissas iniciais da série e que nos acostumamos a ver por tanto tempo.

    Um caminho bem mais interessante, ao meu ver, seria o Walter chegar à conclusão de que eles não tem chance contra os carecas e, de alguma forma, reabrir contato com o Universo B (que não estaria sob o domínio dos observadores) e pedir ajuda. O exército do Walternativo entraria no nosso mundo para salvar nossa pele e depois se reestabeleceria a “ponte” entre universos para todos viverem felizes para sempre.

    E aí, Davi, gostou do meu “Grand Finale”? rsrs

  7. Luiza disse:

    Ta tudo perfeito como sempre foi!
    Até as “soluçoes” como a gravaçõa das fitas tem uma lógica dentro da série ja que vimos durante todas as temporadas que o Walter sempre documentava tudo. Ja espero uma solução lógica para o fato de o Walter não ter dito como chega ate a proxima fita huahauhau

    Para quem reclama, são só 13 episodios, para uma equipe que brincava em explpodir nossa cabeças com 24. Gosto da trama dos observadores e inclusive láááá na 1º temporada ja teve um episodio que eles roubavam informações nossas. Enfim, Fringe nunca deixou um arco aberto, não seria agora.

  8. Carol Prospero disse:

    Concordo com os amigos que estão apontando “facilitadores” um pouco desnecessários nessa temporada. Me incomodou muito o fato deles passarem o episódio inteiro no laboratório de boa – parece que nem pensaram no perigo de aparecer alguém. Mas, deixando de lado essas questões, achei esse episódio bem melhor que o primeiro. Os dilemas morais encarnados no trio Etta-Olivia-Gael foram excelentes e trouxeram o melhor de Fringe. Espero menos inconsistências e mais questões dúbias nos episódios que virão para fechar a série com chave de ouro.

  9. delisa disse:

    Bom, idéia estapafurdia não é! ‘caça ao tesouro’ é tema recorrente em fringe (ex: buscar as peças da máquina usada para criar a ponte). Isso só demonstra o aspecto cíclico que tb sempre existiu no seriado. Tudo se repete. Inclusive a ‘caça ao tesouro’.
    Bom, de novo, os observadores estão presentes desde a 1ª temporada! não é uma nova fringe, mas sim um desenvolvimento da mesma história. Diversas séries fazem isso.
    Mas, gostei do seu grand finale…seria no mínimo inesperado!

  10. vanuza disse:

    Siiim, no final da cena da fita fiquei pensando “e a dica”? como assim ele nao fala? ahhaahhaha

  11. Fringe virou jogo de videogame agora. Pelo menos o segundo episodio da temporada foi melhor que o primeiro, e Anna Torv atuando muito bem.

  12. Jess disse:

    “E, para ficar mais ridículo, só falta eles acharem uma fitinha por vez, na ordem certa!… affff… definitivamente, não precisava disso…”: Se ferrou. Não vai ser assim. Quem manda criticar antes de ver? E, de boa, reclamar de “caça a tesouro”? Para de assistir Fringe, né? É assim desde o começo!

  13. Zé das Couves disse:

    Não disse que ia ser… Falei que seria ainda pior se fosse! Pelo menos o pior não aconteceu (se bem que o Peter esboçou um comentário sobre o porquê de não achar a 1a. e a 2a… viu?). Parar de assistir? Depois de tanto tempo? Não… agora quero ver como acaba… posso?

Deixe uma resposta

ss