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Por: Bruno Carvalho

Hemlock Grove: o primeiro projeto televisivo de Eli Roth

Série de terror gótico estreia nesta sexta no Netflix

hemlockgrove[com leves spoilers do episódio 1×01] O piloto de Hemlock Grove, nova produção original do Netflix que chega nesta sexta ao serviço de streaming, é no mínimo curioso. A narrativa tem início com o brutal assassinato de uma garota, aparentemente devorada por um animal, nos arredores da fictícia cidade que dá nome à série. É aí que, em flashback, conhecemos Peter (Landon Liboiron), um adolescente cigano recém-chegado em Hemlock Grove, e sua estranha mãe Lynda. O episódio também nos apresenta a peculiar e abastada família Godfrey e o primogênito Roman (Bill Skarsgård). Sem estabelecer bem a dinâmica entre os dois protagonistas (que somente será construída ao longo dos episódios), o capítulo surge com uma sequência de cenas desconexas, bizarras e, apenas em alguns momentos, interessantes.

Adotando um quê de True Blood, descobrimos que algumas daquelas pessoas possuem poderes sobrenaturais, mas que não são escancarados logo de cara. Peter aparenta ser um lobisomem (o que é confirmado somente nos promos da série) e Roman uma espécie desconhecida que tem o poder de persuasão (à la Bill Compton). Também conhecemos a matriarca dos Godfrey, a poderosa Olivia (Famke Janssen), e sua bisonha filha Shelley (uma menina gigante, deformada e sem um dos olhos). A referência a Frankenstein, de Mary Shelley, é óbvia. O episódio inicial não estabelece bem a trama, apenas introduz essas figuras estranhas e misteriosas. Apenas no final do capítulo, quando Peter e Roman começam a ser tratados pela polícia local como potenciais suspeitos do crime, é que a série dá o gancho do rumo que deverá seguir, com os dois investigando o caso “por fora”.

Em termos técnicos, Hemlock Grove não deixa a desejar. A ambientação na cidade é boa graças ao caprichado trabalho de fotografia, seja em planos abertos e aéreos, seja e planos-detalhe (quando a unha da vítima é arrancada na casa de bonecas, por exemplo). A trilha, bem composta e nada invasiva, complementa bem a direção de Eli Roth – famoso por abusar do gore em seus filmes – que aqui surge mais contido. Isso provavelmente ocorre porque no formato disponibilizado pelo Netflix, com todos os episódios liberados de uma vez, o diretor não precisa “gastar” suas fichas logo de cara. Ainda assim, seria bom que Hemlock Grove fosse mais “didática” em sua estreia para que o público não ficasse tão perdido e sem motivação para continuar acompanhando (sentimento que, confesso, tive). Como a verdadeira história da série somente é apresentada em seus minutos finais, é cedo para saber se esta produção se destacará das demais. Tomara que sim.

A partir de amanhã no Netflix descobriremos.

3star

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