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Por: André Costa

Homeland: Tower of David

Terceiro episódio renova e esperança na série ao se focar nas personagens

brodyhomeland[Com spoilers do episódio 3×03] Após dois capítulos brincando de “isso não faz nenhum sentido” com Saul e Carrie, Tower of David finalmente trouxe Brody de volta para a balbúrdia: ao chegar em Caracas quase morto (provavelmente de desgosto por ter assistido aos dois episódios anteriores), o ex-fuzileiro e ex-terrorista e ex-amante da Carrie se vê mais ou menos prisioneiro de uns caras que mais ou menos salvaram ele. Enquanto isso, Carrie tenta fugir do hospício onde está presa mas a CIA, em uma atitude extremamente masculina, ignora ela.

E a coisa melhorou. Quer dizer, alguns dos problemas ainda estão lá, principalmente no que se refere aos diálogos. Sério, por que todo personagem “filosófico” jamais responde a uma pergunta de forma direta? É uma lei de filmes e séries? Alguém morre se isso não acontecer? O médico desse episódio só consegue ser irritante ao dizer coisas como “Por que estou aqui?” É uma pergunta perigosa. O motivo de eu estar aqui nos leva ao motivo de você estar aqui”. Da mesma forma, a motivação dos venezuelanos que ajudam Brody nunca fica clara – o que é um problema, visto que eles parecem agir aleatoriamente seguindo apenas as necessidades do roteiro (“ah, agora nós somos amigos dele. Agora somos inimigos. Agora somos só conhecidos”).

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A aproximação entre Brody e Esme, por outro lado, apesar de previsível, é feita com uma sensibilidade bacana e é curioso ele mais uma vez estar preso, vulnerável, e novamente criar laços com a prole de seu, digamos, anfitrião (como aconteceu com Issa). Mas o que torna o episódio realmente interessante é o paralelo entre ele e Carrie: outrora juntinhos e bonitinhos, os dois pombinhos agora estão a meio mundo de distância, encarcerados, tentando escapar e contando com a ajuda de um de seus captores para tanto. Ambos tiveram uma chance de fugir, mas sucumbiram à falta de confiança destes. E, ao final, desistem e se entregam ao conforto dos entorpecentes.

Aqui Claire Danes conseguiu se controlar um pouco mais em sua interpretação, embora Damian Lewis já esteja puxando um pouco pro overacting (principalmente nas cenas de cansaço). Visualmente falando, Tower of David conta com a já tradicional fotografia escura e dessaturada da série e uma montagem ágil, mas que desperdiça oportunidades ao não reforçar o paralelo Brody-Carrie através de raccords. Ainda assim, o roteiro de Homeland precisa encorpar mais, especialmente para evitar as soluções forçadas ou incompletas que apresenta, mas foi reconfortante ver que conseguiram fazer algo além do óbvio e preguiçoso como estava acontecendo até aqui. Além disso, vejam que promissor, a Dana não apareceu neste episódio.

3star

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