FOTO: REPRODUçãO

Por: André Costa

Brooklyn Nine-Nine: The Bet

the bet brooklyn

Após sair Globo de Ouro com dois prêmios que nem as mães dos realizadores achavam ser possíveis, Brooklyn Nine-Nine se mantém no clima da premiação e apresenta um episódio que tem tudo a ver com a cerimônia: convencional, preguiçoso, pontuado por alguns bons momentos cômicos, repleto de pessoas legais e que, no geral, não faz muita diferença para ninguém. Sim, The Bet é uma evolução com relação a Pontiac Bandid, mas uma evolução tímida, quase uma evolução com fobia social. No geral as cenas legais acabam prevalecendo, mas é algo para  ficar de olho.

Um dos problemas parece ser a ausência do Boyle tradicional. Claro, é muito legal que uma série cômica se preocupe com o desdobramento das situações, mas a real é que, parando para pensar, Boyle é uma personagem que sempre cria uma dinâmica boa com Jake, Rosa, Terry e Gina. Seu estilo contrasta o suficiente com eles para deixar o humor pairando no ar, e colocá-lo meio drogadão dizendo verdades – a maioria sem graça (“seu hálito é terrível”) – acaba reduzindo suas possibilidades cômicas a “ser mal educado”, algo que ficou bem mais difícil de fazer com destaque depois das oito temporadas de House. Da mesma forma, o capitão Holt se vê inexplicavelmente tendo que fazer três vezes a já velha piada do “sujeito A fala algo sobre o sujeito B que o sujeito C não sabia” – há uma expectativa de que essa situação cresça e desencadeie o impagável Terry Crews histérico mas, tal qual o reconhecimento de Community em premiações, isso nunca acontece.

As melhores cenas, então, ficam a cargo de Jake e Amy. E não só na parte do humor (“eu participei de um seminário” ou “é a primeira de três vezes que você pode usar o banheiro. Use sabiamente”), mas também na aproximação que o episódio faz do (possível) casal: a provocação dá lugar a uma conversa mais amistosa com naturalidade, e daí também para o momento onde, pela primeira vez, Jake conta a Amy algo sentimental e comovente. Nesses momentos, The Bet mantém sempre os dois juntos em quadro (reparem como, na delegacia, com frequência eles ficam sozinhos na tela), realçando essa proximidade e também fazendo com que a percepção de Jake sobre a colega surja a partir de coisas simples e que têm a ver com o protagonista, como Amy tentando pegar uma noz com a boca. Assim, passamos a perceber a relação um pouco mais íntima entre aquelas personagens e até torcer por elas (tudo bem, não precisava daquele diálogo expositivo de Boyle falando o que Jake sentia, mas vamos deixar passar).

Pesam a favor do episódio também os  tradicionais diálogos épicos (como a conversa envolvendo um tigre ou Gina dizendo “nem se curasse o câncer”) e algumas gags físicas mais inspiradas, tipo Hitchock alucinado sem camisa no final. Mas incomoda que um seriado antes tão dinâmico e capaz de subverter as expectativas esteja apostando em situações previsíveis, cuja melhor definição sobre o interessa que despertam se encontra na famosa expressão em latim “bleh”. Ainda bem que o elenco se mantém afiado e entrosado, mas é bom Brooklyn Nine-Nine se olhar no espelho e dizer “recomponha-se” antes que o tiro saia pela culatra.

3star

Deixe uma resposta

ss