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Por: Redação Ligado em Série

Community flerta com o épico em Advanced Advanced Dungeons & Dragons

advanced advanced dungeons & dragons[com spoilers do episódio 5×10] Em alguns momentos desta quinta temporada, Community pegou algum elemento pequeno, quase trivial, e deu a ele escalas megalomaníacas – aconteceu em Geothermal Escapism e App Development and Condiments, por exemplo. Pois Advanced Advanced Dungeons & Dragons decidiu ser do contra: o episódio pega uma premissa envolvendo algo épico e a confina no apartamento de Abed e Annie. Mas a execução, embriagada de criatividade, aos poucos vai construindo uma atmosfera tão intensa que é impossível não se envolver, atingindo resultados tão vitoriosos que suspeito que o café da manhã dos realizadores é composto de pão e uma xícara de efedrina.

A trama é bem simples e até recorrente – é quase a mesma premissa de Advanced Dungeons & Dragons, da segunda temporada, onde realizaram uma partida do jogo para ajudar o Fat Neil (que aprece em uma piadinha bem inspirada) -, mas contada de uma forma brilhante: o constante uso de travellings, por exemplo, ajuda a criar o clima de aventura, dando movimento a uma história que envolve basicamente gente sentada conversando (reparem como o movimento de câmera ajuda a ilustrar a “queda da ponte”). Da mesma forma, a utilização do soft focus (na cena onde aparecem cantando), a câmera subjetiva (animais voadores), a câmera lenta (Annie enlouquecida), efeitos especiais (as chamas no óculos do Hank) e até mesmo o travelling de aproximação constrói um mundo dentro do apartamento, aproveitando na medida certa os recursos típicos do gênero para emular um filme de aventura – além de conferir uma enorme intensidade à história.

O design de som também tem papel fundamental aqui, já que realça os acontecimentos e ajuda a dar vida às cenas (o som das flechas sendo lançadas, por exemplo, faz com que a narração de Abed fique bem mais forte)). E, apesar da trama simples, o roteiro se sai muito bem ao manter a história sempre intensa, parando aqui e ali para diálogos sensacionais (“se perdermos, vou socar o coração de cada um de vocês“, “vão encontrar um nome que não seja só o nome de outra criatura mais ‘hob’!“) e momentos que tiram sarro do gênero sem forçar (como a carta escrita pelo reitor Pelton). Mas vai além do humor ao tornar as motivações das personagens plausíveis: se parece meio improvável que Hank fosse jogar, Advanced Advanced Dungeons & Dragons coloca a aposta no meio para tornar a situação mais crível; o mesmo com Britta, cuja mudança de lado soa convincente após as atitudes e as histórias contadas por aquele careca de óculos. E mesmo que o desfecho seja previsível, Community jamais tenta o caminho mais fácil até lá, preferindo investir em relações complexas que não podem ser resolvidas com um ou outro clichê (não à toa, ao ver a relação conturbada  entre Hickey e Hank mesmo após se aliarem, Jeff comenta “e muitas vezes isso é o melhor que pais e filhos conseguem“).

Advanced Advanced Dungeons & Dragons conta também com uma montagem ágil, que mantém o episódio em um ritmo dinâmico, e um elenco completamente em chamas, que tira o máximo possível dos primeiríssimos planos usados pelo diretor Joe Russo para ilustrar o envolvimento das personagens na história  – e o destaque fica para Jim Rash e sua atuação ensandecida e a ótima participação de David Cross (Arrested Development). O resultado final é daqueles de levantar da poltrona com os braços erguidos e gritar “é isso aí!”, uma construção cuidadosa capaz de unir comédia, drama e fantasia com tanta harmonia que o público acaba tão imerso naquele mundo imaginário quanto as personagens. E isso é algo que Community faz com talento de sobra.

5star

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