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Por: Redação Ligado em Série

Crítica | Game of Thrones 4×06: The Laws of Gods and Men

Uma das maiores belezas de Game of Thrones é ser uma série com um funcionamento bastante estratégico. David Benioff e D.B. Weiss vão posicionando personagens e preparando seus arcos, que vão crescendo pouco a pouco em importância, até tudo culminar em um grande acontecimento.

The Laws of Gods and Men, o sexto episódio da quarta temporada, trouxe importantes desenvolvimentos para mais de um desses arcos e, devido a isso, teve um ritmo bastante empolgante desde a primeira cena. É em Braavos que ele começa, com Stannis e Davos chegando ao banco em busca de financiamento para seguir sua guerra pelo trono de ferro (com participação especial de Mark Gattis, de Sherlock e Dr. Who, como Tycho Nestoris). Esse primeiro momento do episódio é bastante importante porque é ali que vemos tanto a lealdade de Davos a Stannis ser reforçada quanto sua visão estratégica ao conseguir convencer os banqueiros a emprestar o ouro – o que deve mantê-lo afastado do fogo do Senhor da Luz pelo menos por algum tempo.

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O episódio segue empolgante com Yara chegando ao Forte do Pavor para resgatar Theon. E como é interessante quando nos pegamos torcendo para que ela tenha sucesso, até o momento em que nos lembramos de tudo que ele fez para os Stark. E essa é uma das maiores qualidades de Game of Thrones, brincar constantemente com os nossos sentimentos, fazendo com que a gente nunca consiga ficar confortável em um dos lados ou torcendo por alguém. O nosso envolvimento está constantemente se transformando, assim como muitos personagens. Como o resgate de Theon falha, Ramsey pede a ele que o ajude a conquistar um castelo (provavelmente Fosso Cailin), fazendo de conta que é ainda é Theon e não aquilo em que se transformou. Como bom vilão que é (pelo menos até agora), faz isso manipulando Theon/Reek com um ato de “bondade”: um banho. Tudo indica que vamos voltar a ver boas atuações de Alfie Allen daqui para frente.

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Em uma bela cena, eis então que surge Drogon, um dos dragões de Daenerys, atacando um rebanho de cabras. O que nos leva à Khaleesi, governando e encarando as audiências com o povo, incluindo o dono das cabras que viraram comida. Porém, se foi o trecho do episódio até o momento com menos discursos inflamados ou ação e tensão, acontece algo bastante interessante aí: quando Hizdahr zo Loraq, o filho de um dos mestres crucificados no episódio Oathkeeper pede a ela que possa enterrar seu pai, a justiça de Daenerys é questionada quando ele conta que seu pai foi contra a crucificação das crianças, mas foi voto vencido. A reação de desconforto da Khaleesi dura um segundo, mas é suficiente para revelar a compreensão de que pode cometer um engano e que suas decisões envolvem mais complexidade e responsabilidade do que pensava. Fico curiosa para ver que tipo de consequências isso poderá trazer para suas atitudes futuras.

De modo geral, o episódio todo foi num crescendo, e ainda com direito a algumas revelações: nas conversas do pequeno conselho percebemos que estão cientes da aproximação do Cão de Caça (e decidem aumentar a recompensa para quem resolver este problema), descobrimos que existem informantes em Meereen de olho em Daenerys e que Jorah era inicialmente um espião.

Ao contrário do episódio anterior, em que tivemos diálogos descartáveis como aquele entre Cersei e Oberyn, neste episódio nenhum foi em vão. Com a troca entre Varys e Oberyn tivemos uma clara indicação do real interesse do eunuco: o trono de ferro. Isso não é pouca coisa, considerando que é um personagem mais perigoso e traiçoeiro (como vamos ver mais adiante no episódio) do que imaginamos. Por outro lado, é cheio de segredos e está constantemente jogando, sendo que nunca sabemos exatamente qual o seu objetivo. Será mesmo o trono de ferro? Ou um lugar à direita de quem estiver sentado nele?

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Porém, como era de se esperar, o ápice de The Laws of Gods and Men acontece durante o aguardado julgamento de Tyrion, preso pela acusação do assassinato de Joffrey. Após um desfile de testemunhas usando as citações do Lannister fora de contexto e distorcendo eventos passados para prejudicá-lo, é feito um recesso. Jaime faz um acordo com pai para salvar o irmão, prometendo abrir mão do manto branco da guarda real, assumir Rochedo Casterly e continuar a linhagem dos Lannister. Jaime pede então a Tyrion que implore por clemência para se juntar à Patrulha da Noite, mas o plano desanda quando Shae entra no salão e testemunha contra ele, adicionando toques de humilhação ao expor detalhes sobre a intimidade deles. Foi um golpe duro demais para Tyrion, que perde o controle, abrindo espaço para Dinklage brilhar como nunca no encerramento deste grande episódio.

O surto de raiva de Tyrion, que atingiu todos os presentes, foi o resultado de uma vida sendo penalizado por ser considerado uma aberração. Tomado de rancor, pois não importava o que fizesse (comandasse a salvação da cidade durante a batalha de Blackwater) ou o que fosse (inteligente e estrategista), seguiria sendo visto e julgado apenas como um monstro. Em um rompante de ódio, seu discurso cresce momento a momento e é direcionado especialmente ao povo, a Cersei e a Shae.

O ótimo episódio escrito por Bryan Cogman e dirigido por Alik Sakharov chega a um final dramático, com Tyrion exigindo um julgamento por combate (uma experiência que vai passar pela segunda vez, a primeira no Ninho da Águia quando Bronn foi o seu campeão) e é importante também elogiar a atuação de Nikolaj Coster-Waldau tanto em seu choque quando Tyrion explode quanto em sua genuína expressão de tristeza e temor pelo futuro do irmão.

Para os fãs de Game of Thrones foi pura catarse presenciar a liberação da raiva contida em Tyrion, assim como assistir à visceral interpretação de Dinklage, o que tornou toda a cena épica. Mas sabemos que o caminho do personagem deve ser ainda mais tortuoso daqui para frente, pois a exigência de Tyrion foi uma clara afronta aos planos do pai, e não foi à toa que os takes finais do episódio foram as agressivas trocas de olhares entre os dois. Encerrar com Rains of Castamere como trilha também não é um bom indicativo, como estamos bem acostumados. Um consolo é aguardar a indicação de Dinklage ao Emmy, que parece promissora após a sua impressionante interpretação neste episódio.

5star

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