FOTO: REPRODUçãO

Por: Redação Ligado em Série

Crítica | Hannibal 2×08/2×09: Su-zakana e Shiizakana

hannibal2x09

[com spoilers] Comentei na última crítica sobre o fato de que Hannibal andava se repetindo ultimamente, ao iterar a fórmula “Jack e Will quase desmascaram Lecter, mas este consegue escapar no final”. Portanto, é justo admitir que os roteiristas parecem ter percebido isso e acabaram por mudar essa dinâmica; por outro lado, é nítido que algumas mudanças simplesmente não estão surtindo o efeito esperado e isso se deve em grande parte aos personagens que passaram a tomar atitudes que, se não chegam a soar absurdas, são no mínimo abruptas demais se compararmos com o caminho que estes trilhavam até aqui.

Se até agora Jack Crawford pareceu confiar no que Will sempre lhe disse em relação a Hannibal (o que, inclusive, é reafirmado através do diálogo cheio de entrelinhas que os dois travam durante uma pesca no gelo), inexplicavelmente o policial passou a não dar mais importância às acusações de Graham, chegando a compartilhar um jantar preparado por Lecter, sem que nada tenha acontecido para que Crawford mudasse de opinião. Do mesmo modo, ao retomar suas sessões de análise com Lecter, Will parece disposto a entrar no jogo de seu psiquiatra para descobrir algum ponto fraco deste; no entanto, essa mudança de comportamento em Graham parece brusca demais frente ao estado irascível em que se encontrava até agora.

Ressalvas à parte, é óbvio que o caminho tomado pelos roteiristas em relação à dinâmica Will-Hannibal se tornou interessante, já que um conhece perfeitamente as intenções do outro, o que nos fornece conversas cheias de significado, com pérolas como “Não pretendo te matar mais, Hannibal. Não agora que finalmente eu te acho interessante”, e os mind games travados entre os dois prometem ser um atrativo à parte na série. E já começamos a perceber mesmo agora no começo dessa interação entre os dois, que Will parece, mesmo que por alguns momentos, ter instintos assassinos que entendem (e até admiram) o que Lecter faz. E, tendo percebido isso, Hannibal começa a instigar esse lado de Will (curioso notar que Freddie Lounds não parecia estar de todo errada no que dizia a respeito de Will lá atrás).

Ao mesmo tempo em que o roteiro deixa clara essa nova faceta de Will, a direção do episódio também retrata perfeitamente o seu estado emocional, como na cena em que Graham, em mais uma sessão, se mostra extremamente balançado pelas palavras de Lecter: oscilando entre a sanidade e a loucura, metade de seu rosto está envolto nas sombras, enquanto a outra metade ainda guarda uma réstia de claridade que se infiltra pela janela. Também é interessante notar como a mise-en-cène que retrata a terapia de Will costuma trazer Hannibal na parte mais sombria, e geralmente à esquerda da tela (um plano óbvio, mas eficaz).

Ainda assim, não haveria direção primorosa que salvasse a série do ridículo “caso do dia” do homem que queria ser um animal e, se a pergunta que nos fazíamos antes era como Hannibal entrava e saía de todos os lugares sem ser visto, a questão agora é como o assassino conseguiu pular sobre o capô do caminhão para, depois de mais um pulo, alcançar o teto do veículo com uma facilidade que deixaria qualquer super-herói com inveja. Depois de nos acostumar com psicopatas que cultivam fungos em pessoas vivas ou transformam suas vítimas em anjos, somos obrigados a conhecer a história (mal-contada) de um cara que queria ser um pit-bull.

Trazendo uma história paralela que ainda não mostrou propósito na série (a paciente que deseja matar o irmão), a mesma está andando (e ultrapassando, em alguns momentos) perigosamente pelos limites entre o sensacional e o freak-show. Resta torcer para que o show de horrores não se torne maçante e desinteressante para nós.

3star

Deixe uma resposta

ss