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Por: Davi Garcia

Crítica | X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

X-Men Dias de um Futuro Esquecido (1)

Um grande espetáculo visual cheio de jogadas de efeito (com 3D que funciona) e que sempre terminam num golaço. De placa, diga-se de passagem. Esse é X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, não apenas o maior, mais ambicioso e divertido filme da franquia de mutantes da Marvel iniciada em 2000, mas também o mais relevante e empolgante deles.

Como fã dos quatro filmes anteriores (sim, inclusive de O Confronto Final) e, principalmente, da história dos quadrinhos que serviu de base para essa adaptação, que, de fato, altera algumas coisas do material original, minhas expectativas em torno deste quinto capítulo (não incluo na conta os dois filmes solo do Wolverine, embora goste do segundo) eram altíssimas. Contudo, nada, nada mesmo, havia me preparado para o êxtase proporcionado pelas pouco mais de duas horas deste novo e brilhante filme.

X-Men Dias de um Futuro Esquecido (2)

De novo com Bryan Singer na direção a partir de roteiro de Simon Kimberg (que escreveu o terceiro filme dos X-Men), Dias de um Futuro Esquecido entra no seletíssimo rol de filmes de seu gênero que consegue combinar entretenimento de alta qualidade com a capacidade de provocar boas doses de reflexão sobre a natureza humana e suas diferenças, um elemento próprio da franquia e que aqui ganha cores novas e mais fortes.

Contando com o maior elenco já reunido num único filme dos mutantes, Dias de um Futuro Esquecido funciona tanto como sequência e prólogo para os três primeiros quanto sequência para o Primeira Classe de 2011. A ideia pode parecer confusa num primeiro instante, mas acreditem: o roteiro de Kimberg (aliada à eficiente montagem de John Ottman, colaborador de Singer desde Os Suspeitos) amarra tudo de forma engenhosa e, sobretudo, respeitando uma lógica interna.

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Misturando conceitos de sci fi clássicos como Exterminador do Futuro e até De Volta para o Futuro, a trama começa em 2023 quando os mutantes e os próprios humanos estão ameaçados de extinção por causa dos Sentinelas, robôs criados no ano de 1973 por Bolivar Trask (Peter Dinklage, o Tyrion de Game of Thrones). Assim, com o intuito de impedir o armagedom, o Professor Xavier de Patrick Stewart e o Magneto de Ian Mckellen lideram vários mutantes (dentre veteranos e novatos) num esforço de resistência enquanto Wolverine, ou melhor, a consciência dele, retorna (graças à Kitty Pride de Ellen Page) justamente para 73 a fim de reunir as versões jovens de Xavier e Magneto (James McAvoy e Michael Fasbender) na tentativa de impedir um evento que dá início ao caos que se desenha no futuro.

O tal evento, ligado à morte do inventor das sentinelas, envolve a Mística de Jennifer Lawrence que além de funcionar como o MacGuffin do filme, surge atuando de maneira independente e à margem da influência de Xavier e de Magneto que onze anos depois dos acontecimentos do Primeira Classe, estão isolados do mundo exterior. O primeiro, traumatizado, por iniciativa própria ao abrir mão do pleno desenvolvimento de seu dom e o segundo porque fora encarcerado numa prisão especial em função de sua suposta ligação com o assassinato do presidente Kennedy!

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E se a fuga de Magneto, ocorrida graças à decisiva participação do mutante ultra rápido, Mercúrio (Evan Peters), rende a melhor e mais surpreendente sequência do filme (sério, o troço é MUITO, muito bom), o Wolverine ‘jovem’ com consciência do futuro, aparece nesse cenário quase como aquele tio durão e avesso à sutilezas, mas que de alguma maneira tem de fazer dois ‘sobrinhos’ de gênios fortes se reconciliarem, no que, claro, rende momentos divertidíssimos dada a natureza impaciente de Logan que é algo que ele mesmo destaca.

Dessa maneira, ao passo em que as tiradas e os diálogos bem humorados que surgem aqui e ali ao longo do filme são sempre caracterizados pelo equilíbrio e jamais abraçam o tom cartunesco comum nos filmes dos Vingadores, por exemplo, é mesmo no tom sério que toma forma pelas ações de Bolivar Trask (feito pelo sempre ótimo Peter Dinklage) que o filme se torna efetivamente relevante na discussão que promove.

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Trask, que não chega a ser um tipo megalomaníaco, é, no entanto, um vilão na essência. Afinal, sua iniciativa de construir uma arma (os Sentinelas) que pudesse extirpar a ‘ameaça’ mutante, serve bem como alegoria ao que os nazistas fizeram na Europa. Alimentando a cultura do medo, Trask cria a sombra de um inimigo que a população e o próprio governo parece desconhecer e subverte a verdade ao mesmo tempo em que massacra a ‘ameaça’ através de testes médicos cruéis e que por tabela fomentam o ódio de mutantes como a Mística.

Nesse contexto, ao recolocar sob discussão a questão do preconceito frente o diferente e a manipulação de um sistema que alimenta conflitos irracionais e separa em vez de unir, X-Men: Dias de um Futuro Esquecido representa não só uma nova e marcante contribuição dos mutantes da ficção para discussões que transcendem o Cinema, mas principalmente a certeza de que a franquia acaba de se reinventar (com direito a muito fan service) de um jeito incrivelmente criativo e se revigorar em muitos níveis como já nos aponta a última sequência e as cameos surpresas que ali ocorrem.

Em tempos de Copa, esse novo X-Men é definitivamente um golaço.

5star

Observação: Há uma cena depois dos créditos que dá um baita aperitivo do que veremos no já anunciado X-Men: Apocalipse que chega ao Cinemas em 2016.

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