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Por: Bruno Carvalho

Crítica | The Leftovers

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[com spoilers do episódio 1×01] Mas que p**** foi isso? é a pergunta que fica ao final deste primeiro episódio de The Leftovers, nova série da HBO criada por Damon Lindelof (LOST) e Tom Perrota, com a direção de Peter Berg (Friday Night Lights). A premissa já é suficientemente interessante para manter o espectador preso nos mais de 60 minutos de exibição: no dia 14 de outubro de um determinado ano 2% da população simplesmente desaparece e os que foram deixados para trás precisam conviver com as teorias céticas e/ou religiosas que buscam explicar o que aconteceu.

Foi o arrebatamento bíblico? Como, se muitos ditos “pecadores” também desapareceram? Um fenômeno natural? Sobrenatural? Não sabemos. Todo o episódio piloto foi uma grande interrogação que só a mente por trás da série mais enigmática da última década pôde criar. Ao centro da narrativa que se passa três anos após o evento está o delegado Kevin Harvey (Justin Theroux) e sua família que foi dividida pelos acontecimentos, embora dali aparentemente nenhum tenha sido “levado”.

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Sem muitas explicações – o que é algo extremamente bem-vindo na onda de séries expositivas que temos amontoando na TV – The Leftovers gasta boa parte do seu tempo apresentando personagens variados em tramas aparentemente desconexas, seja os membros de uma misteriosa organização de pessoas vestidas de branco que optaram pelo voto de silêncio (e nutrem um amor incondicional pelo tabaco) ou em figuras como Dean (Michael Gaston), um fuzileiro de cachorros.

Cuidadoso na condução de cada cena e auxiliado pela montagem que adota um tom de urgência ao passar do tempo, Peter Berg utiliza cada cena – ainda que aparentemente desconexa – para impulsionar a narrativa para algo cada vez maior, como no desfile/memorial pelos que se foram que culmina em um caos generalizado. O texto de Lindelof e Perrota, ainda, propõe fazer um profundo estudo humano ao descrever situações críveis em um mundo amedrontado por uma tragédia universal e inevitável, como o comportamento dos jovens numa festa cheia de extremos ou a forma como cada um dos deixados lida com o sofrimento.

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Pra melhorar ainda mais, The Leftovers traz uma dose interessante de mistério e inquietação, especialmente em seus instantes finais, e pelo menos fica claro que animais terão muito a ver com a temática proposta. Invariavelmente, no entanto, a expectativa gerada é sim um fator que deve ser considerado ao interpretar a série, que precisa – desde seu início – mapear e dosar bem suas explicações e sua toada para não cair nos deslizes naturais de produções que lidam com qualquer elemento do oculto ou do inexplicável.

Indiscutivelmente este foi um belo episódio piloto, que reuniu elementos dramáticos, cômicos (Gary Busey e o Papa no time dos “levados” mostrando a incoerência desse suposto arrebatamento), mas também nos fez importar logo de cara com praticamente todos os personagens. Resta aqui a esperança para que esta evolua para se tornar uma produção memorável e com ciência de seus rumos.

4star

Uma resposta para “Crítica | The Leftovers”

  1. raul disse:

    Gostei da sua crítica! Só que tu usa muitas palavras (para ter mais linhas?) Deixa a leitura de sua crítica cansativa e nada elegante. Seja direto, simples.

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