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Por: Redação Ligado em Série

Crítica | Décimo episódio de 24 Horas prepara a temporada para o clímax

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[com spoilers do episódio 9×10] Open bar de suspensão da descrença em 24: Live Another Day: ao longo do décimo episódio, explicações são praticamente condensadas em tweets e coincidências desembarcam como turistas na Copa do Mundo, dando à temporada um pouco daquele ar de aluno estudando 5 minutos antes da prova. Mas, bem ou mal, o episódio criou alguns momentos bons e intensos, botou a história em movimento e estabeleceu as coisas para os últimos dois episódios – que provavelmente vão transbordar de ação, tiroteios, explosões, conflitos, carga dramática e consequências (uma das melhores coisas da série).

A impressão geral é a de que a temporada não tinha uma trama para os doze episódios e nem uma que se encaixasse perfeitamente apenas nos episódios finais, obrigando os realizadores a botarem o pé na tábua para tudo caber no plano inicial – assim, o que antes era um dispositivo que hackeava drones agora é um 007 eletrônico que pode invadir qualquer sistema de defesa e comprar ingressos para a final da Copa no site da FIFA; Jack reconhece, a continentes de distância e no meio de um fan fest de gente, uma mochila que só tinha visto de relance; Mark bota os russos na cola de Jack através de alguma coisa mal explicada mas que a NSA adoraria ter (e, vejam a coincidência, justamente na hora em que não tem ninguém mais para atrapalhar o protagonista); e por aí vai. Tudo bem que 24 nunca foi o bastião da plausibilidade, mas algumas coisas simplesmente atiram o bom senso na rua pouco antes de um caminhão passar.

O curioso é que essas trapalhadas acabam posicionando as peças para o clímax dos dois próximos e finais episódios (o que só reforça a teoria da falta de tempo): a nova ameaça já foi estabelecida e assimilada, o novo vilão já está em cena, os obstáculos foram cuidadosamente colocados no lugar para serem terraplanados por Jack, as motivações estão claras… como em uma grande janta de família, todos os elementos já estão sentados à mesa só esperando o banquete começar – e, como em uma grande janta de família, a coisa provavelmente vai acabar em muita tensão e pancadaria.

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Mas o episódio também acha espaço para desenvolver as motivações e os conflitos dramáticos, principalmente com relação a Kate, que precisa lidar com revelações perturbadoras (e também com a motivação mal desenvolvida do Navarro. Que deve ser mais incômoda do que as revelações) sem cair do salto. Há inclusive um momento intimista com Jack onde o peso da traição de Navarro é elegantemente colocado nos ombros da moça, e Yvonne Strahovski merece todos os méritos por viver a agente com sensibilidade e intensidade sem soar caricatural (aquela cena do interrogatório é de deixar até o mais apático os espectadores de olhos arregalados). Da mesma forma, podemos mais uma ver presenciar Jack chutando o balde e tocando o terror em alguém simplesmente por tocar o terror, o que mostra como ele está chegando no limite, e olha, eu realmente não quero estar por perto quando o limite for rompido a tiros.

Por outro lado, a volta de Cheng soou um pouco gratuita. Claramente ele está ali para despejar ainda mais carga dramática na relação entre Jack e Audrey (e não duvido que ela seja sequestrada em algum momento), mas, embora a cena dele em si tenha sido incrivelmente tensa e implacável,  há sempre o risco da trama se acomodar porque só a presença do sujeito já dá certo impacto. Ao menos os minutos finais mostraram que 24: Live Another Day não pretende fugir das consequências, salvar tudo no último segundo, terminar a temporada com arco-íris e Ursinhos Carinhosos. Apesar de todos os defeitos, o décimo episódio colocou todo mundo em uma situação desnorteadora. E o tempo está acabando.

 3star

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