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Por: Redação Ligado em Série

Crítica | O fim de 24: Live Another Day

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[com spoilers do episódio 9×12] E o tempo se esgotou. Jack, Audrey, Heller, Cheng, Chloe, chineses, americanos, guerra, explosões, tudo ficou suspenso para uma última hora guiada pela incerteza e pela tensão – e, conforme as coisas iam se desenrolando e o espectador ia abraçando seu ursinho de pelúcia com mais força, 24: Live Another Day fechou a temporada com um nível de intensidade tão alto que vale para manter a média de uma explosão por episódio.

Isso tudo porque, apesar de alguns percalços, a série conseguiu chegar ao último episódio na iminência de que tudo vá por água abaixo: Audrey está à mercê de Cheng (em um movimento que deixou Rubens Barrichello extremamente surpreso), os chineses querem brincar de lutinha com os EUA, Chloe está perdida em algum lugar que poderia ser sediar um acampamento de uma seita satânica e Jack não faz ideia de como encontrar Cheng. Assim, quando o relógio começa a correr, a sensação de urgência é algo visceral, que aumenta a tensão do episódio em cerca de seis mil abraços no ursinho de pelúcia por minuto.

Diante desse cenário, 24: Live Another Day faz o seu tradicional conto do vigário ao apresentar para o espectador uma situação de ação comum e subvertê-la de repente, colocando o público em uma zona de conforto para que possa causar mais impacto logo depois. É o que acontece quando Jack e seu aliado, cujo nome eu não sei então vamos chamá-lo temporariamente de Homem Genérico do Leste Europeu (HGLE, a partir de agora), invadem o navio e perdem o suporte de Chloe, obrigando ambos a alternar para uma estratégia mais, digamos, viril; e também quando Audrey escapa do sniper apenas para perceber que os chineses são muito perfeccionistas.

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É uma abordagem que amplia as dificuldades para os protagonistas e torna sua jornada mais grandiosa, ao mesmo tempo em que provoca também consequências muito mais terríveis. E a morte de Audrey, reforçada pelo fato de que Jack preferiu ir atrás de Cheng, escolheu a missão ao invés da amada, é um daqueles momentos carregados de emoção que metralham ciscos nos olhos do espectador (e mais uma vez Yvonne Strahovski se destaca ao atuar de forma contida mas sensível, sem despencar para o drama). A cena é quase chocante, dada a segurança da moça e o quanto queremos que ela continue viva, e funciona como gatilho para que o Jack quase no limite ligue o modo autodestrutivo e saia abrindo seu caminho até Cheng através de descidas de sarrafo descontroladas. Curioso que uma cena de ação possa ser também comovente, mas é tudo fruto da construção de personagem da série.

Usando de forma coerente os tradicionais recursos visuais de 24 – incluindo a montagem rápida, a tela dividida e até mesmo o lacrimejante relógio silencioso -, o diretor Jon Cassar confere um ritmo alucinado à trama e mantém uma concisão eficiente no resultado final, embora apresse um pouco demais algumas passagens (Jack acha Chloe muito rápido). As sequências de ação são bem coreografadas e empolgantes (particularmente virei fã da facada no pescoço para usar o corpo como escudo) e há uma construção muito bem estruturada de clímax (o encontro entre Jack e Cheng) – que não chega a atingir a catarse dramática necessária pela rapidez, mas compensa pelo desfecho vingativo (você também gritou um “toooooma!”, admita).

No final das contas, pela nona vez Jack Bauer e sua turma nos mostram o quanto o dia cobra deles. Não há concessões ou soluções fáceis: as personagens são obrigadas a encarar as consequências de suas escolhas sem nenhuma lição ou recompensa que amenize a situação. Kate deixa o distintivo e a arma na CIA e vai embora. Heller quase esboça alívio ao declarar que a doença o fará esquecer a filha, em uma das cenas mais dolorosas que você verá na vida. E Jack novamente se sacrifica em prol de alguém. Porque é isso o que ele tem que fazer, é isso o que ele faz, e é isso que já tirou da sua vida três mulheres que amou e incontáveis amigos. 24: Live Another Day mantém o legado e nos apresenta a um final duro, mas coerente, que supera os tropeços de episódios anteriores e oferece ao espectador um ponto final que provoca um certo cansaço após o desgaste emocional percorrido durante a temporada. Afinal, não há dia fácil.

5star

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