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Por: Davi Garcia

Crítica | Narcos, nova série da Netflix com Wagner Moura

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No desfecho de seu livro, Pablo Escobar: Meu Pai – As Histórias Que Não Deveríamos Saber (lançado em junho no Brasil), Juan Pablo Escobar, filho do famoso narcotraficante colombiano, faz a seguinte e contundente dedicatória: “A meu pai. Por ter me ensinado o caminho que eu não deveria seguir.”

Em Narcos, nova série da Netflix que estreia no próximo dia 28 de agosto, o então garoto Juan é um mero coadjuvante, mas os tais caminhos que ele não deveria seguir – estabelecidos pelas relações de poder, corrupção e violência que fizeram de Pablo Escobar o maior chefão das drogas que se tem notícia -, são expostos de forma nua e crua numa narrativa dinâmica que flerta com o documentário (através de imagens de arquivo que corroboram eventos retratados) e que se sustenta como um eficiente thriller a serviço da jornada que revela as raízes do narcotráfico como conhecemos hoje e a evolução de um crime local que se transformou num negócio de proporções globais.

O tema, portanto, é ambicioso, mas fica fácil imaginar que em mãos menos cuidadosas, Narcos (que foi criada pelo trio Chris Brancato, Eric Newman e Carlo Bernard) poderia facilmente cair na armadilha de se tornar apenas uma série de ação dividida entre mocinhos e bandidos num intenso jogo de gato e rato. Por isso, e considerando o que vimos nos três primeiros episódios disponibilizados pela Netflix, é um alívio perceber que o conceito da série vai muito além disso ao explorar ideias bem mais complexas (como, por exemplo, a de que os EUA, ao apoiarem ditaduras na América Latina, acabaram proporcionando condições para que o poder paralelo do tráfico ganhasse grande projeção na Colômbia) e que lançam para o espectador, perguntas e conclusões instigantes a respeito de seu tema.

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Além disso, a preocupação que os realizadores de Narcos tiveram para conferir profundidade a cada um daqueles personagens, também ajuda a capturar a atmosfera de todo aquele jogo e trazer um ar mais realista para a história.  Assim, à medida em que percebemos que os agentes do DEA (a Agência americana anti-drogas) feitos por Pedro Pascal (o Oberyn de Game of Thrones) e  Boyd Holbrook (Garota Exemplar) não são figuras totalmente inocentes (por vezes até assumindo um quê de anti-heróis que precisam dançar conforme a música, ainda que paguem o preço por isso), fica mais fácil também comprar a ideia de que os “vilões” da trama, liderados por Escobar (feito com muito esmero por Wagner Moura) não eram tão somente figuras crúeis e violentas, visto que, no caso de Escobar, especificamente, ele era querido pela família e pela comunidade na qual estava inserido que o via quase como um Robin Hood.

Outro ponto que também chama muita atenção na produção é o viés político da trama (e, em menor escala, do midiático, visto que a série também mostra como Escobar usou, em dado momento, parte da imprensa para manipular a opinião pública a seu favor), uma marca que muito provavelmente deve ser creditada a José Padilha que, além de ser produtor executivo, dirigiu os dois primeiros capítulos e deu o tom que Narcos deve seguir por toda a temporada. Essa característica, aliás, ganha ainda mais relevância ao expor como a vasta rede de corrupção estabelecida enfraqueceu as instituições formais de partidos e governo criando condições para que Escobar, amparado por um discurso populista (além de muito dinheiro, claro), ganhasse notoriedade pública ao mesmo tempo em que tragédias e espetáculos de violência se acumulavam num claro exercício de causa e efeito que Padilha já fizera tão bem tanto em seu doc Ônibus 174 quanto nos dois Tropa de Elite.

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E como mencionei Tropa de Elite, é inevitável notar como – tal qual ocorria com o Capitão Nascimento naqueles filmes -, a narração em off do agente Steve Murphy aqui ajuda a estabelecer um contexto para o que vemos em vídeo sem que, contudo, se torne demasiadamente expositiva ou tente necessariamente defender um ponto de vista específico (ainda que isso invariavelmente possa acontecer em um momento ou outro). Fora isso, ao apostar em frases espirituosas (“Não sou rico. Sou um pobre com dinheiro”, diz Escobar ao se vender como candidato para um partido) e até no humor negro de algumas passagens, como aquela que mostra a resolução bizarra da discussão de dois capangas sobre quantas pessoas um deles já havia matado, Narcos acaba, propositalmente ou não, suavizando o peso de ser uma história sobre violência, para se tornar uma jornada repleta de eventos fantásticos, ainda que, infelizmente, nada fantasiosos.

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Os 10 episódios de Narcos estreiam no dia 28 de Agosto exclusivamente na Netflix. Assista à nossa entrevista exclusiva com Wagner Moura:

[youtube video=https://youtu.be/YkVLdfqlvhE]

5 respostas para “Crítica | Narcos, nova série da Netflix com Wagner Moura”

  1. Fabiano disse:

    Venha Narcos, venha!

  2. Ayrton Jordan disse:

    Ansioso…

  3. Gleibson Acácio disse:

    fiquei mais ansioso ainda agora… chega logo dia 28

  4. Ranulfo Oliveira Souza disse:

    Que legal! Wagner Moura revela no vídeo que vai participar da segunda temporada. ou seja, Pablo Escobar não morrerá no final da primeira temporada como imaginava.

  5. Zé Geraldo disse:

    Quando sai a 2ª temporada?

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