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Por: Bruno Carvalho

Crítica | Sherlock: The Abominable Bride

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[Contém spoilers] Foi com um misto de felicidade e estranheza que noticiei o especial de Natal de Sherlock que seria produzido para “compensar” o atraso da quarta temporada e traria os herois Sherlock Holmes e John Watson na era Vitoriana. Justamente por ser o período de tempo na qual as histórias originais foram escritas e ambientadas, levar os contemporâneos de volta às origens certamente era uma proposta deliciosamente irrecusável para Mark Gatiss e Steven Moffat.

É elementar que eles não desapontariam.

Assim, esperando um especial contando uma história apartada com os personagens 200 anos antes apenas para divertir os espectadores ingleses recolhidos em suas frias casas neste inverno, Sherlock me surpreendeu novamente quando aquele inusitado “previously” apareceu e, mais tarde, percebi que a história da Noiva Abominável na Londres vitoriana era precisamente uma elaborada, inteligente e divertida continuação do curioso caso do retorno de Jim Moriarty (Andrew Scott) no presente. Mas já chego lá.

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Abrindo com um “flashback” recontando a primeira cena da série, com Watson aposentado do exércuto e procurando um apartamento em Londres após a guerra, The Abominable Bride logo indicou que estávamos assistindo ali uma versão da história já contada e com a narrativa já no mesmo ponto: Sherlock já estava estabelecido como um detetive proeminente, Watson já havia se casado e mudado do apartamento na 221-B e um novo caso vinha surgindo.

E não nos enganemos: mesmo que Sherlock tivesse apenas enveredado no mistério da Noiva Abominável, ele já serviria para preencher a melhor uma hora e meia da televisão do ano de 2016 já em seu primeiro dia, com referências brilhantes não só à obra de Conan Doyle, como da própria versão “futurista” de Gatiss e Moffat, trazendo Cumberbatch e Freeman mais confortáveis do que nunca nos papeis de suas carreiras e com um caso intrigante: uma noiva que se suicida com um tiro na cabeça em praça pública e retorna dos mortos para cometer crimes como um fantasma.

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Como eu não associei isso ao caso de Moriarty? Talvez ainda estava maravilhado com a impecável representação de época, os figurinos e os belos recursos narrativos que a série usualmente emprega para trazer antigos contos à tela. Foi então que quase caí do sofá ao ver o jatinho em que Sherlock Holmes estava quando o vimos pela última vez em 2014 e percebi que, na verdade, estávamos o tempo todo no “Palácio Mental” de um Sherlock Holmes drogado e desesperadamente em busca de uma solução para desvendar sozinho a volta de seu maior algoz.

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É aí, então, que Gatiss – sujeito que possui um controle invejável da obra que ao mesmo tempo cocriou e adaptou – bate nas nossas costas e diz: “valeu a espera, né?”

Pois é a partir daí que Sherlock atinge o seu ápice até então, com flashbackflashforwards que brincam com a forma narrativa, visita e revisita as principais passagens da obra de Arthur Conan Doyle – em especial o conto Reichenbach Falls que traz a queda de Holmes na cachoeira – e abre o caminho para a quarta temporada da série, que sabe-se lá quando virá. Porque veja: The Abominable Bride é, ao mesmo tempo, um caso do passado revisitado, uma “viagem” de um Sherlock Holmes drogado, um ponto de vista subjetivo de seu “Palácio Mental” e a continuação da terceira temporada em um episódio só, o que evidencia a complexidade e ambição de seu realizador e a simplicidade da perfeita execução, já que o capítulo jamais soa confuso.

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Moriarty definitivamente está morto. Mas está de volta e é isso que importa. Sherlock não fez apenas um especial de Natal, fez o melhor episódio da série até agora. Ponto. Estamos diante de uma grande obra da TV e só consigo pensar: quero preciso de mais.

5star


Leia minha entrevista exclusiva com Mark Gatiss


13 respostas para “Crítica | Sherlock: The Abominable Bride”

  1. Caroline Marques disse:

    Estou até emocionada com esse especial, assisti toda despretensiosa e acabei chorando porque teve tudo o que um fã queria. Amarração dos fatos, diálogos afetivos, mind palace e até um shipp divertido. Valeu tanto esperar que nem sei explicar!

  2. Renata Pereira Ferro Gil disse:

    MEU DEUS MEU DEUS MEU DEUS EU PRECISO DE MAISSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS

  3. Rafael Martins disse:

    QUE EPISODIO FODAAA!! ESSA PORRA DEMORA MIL ANOS PRA SAIR, MAS QUANDO SAI.. PUTA MERDA!! COMO É BOM

  4. Episódio 10/10.
    Onde tem mais? Buááá

  5. Luan Cesar Ambrosio disse:

    ASSISTIRAM ONDE ?

  6. Luan Cesar Ambrosio disse:

    ONDE VOCÊ ASSISTIU ?

  7. Luan Cesar Ambrosio disse:

    onde viu ?

  8. Em algum site de streaming da BBC pela internet. Não lembro qual.

  9. Natalia Assis disse:

    Muito, muito bom! Fomos surpreendidos com classe!

  10. Jose Roberto Pedroso disse:

    Nao me senti assistindo um episodio…Valeu como se fosse um filme (produçao,enredo e encerramento).

  11. Leonardo Damaso disse:

    Cara bx torrent tudo tem em torrent e guarda para rever show

  12. Raissa Moraes disse:

    Sobre “Sherlock – The Abominable Bride” apenas um sentimento: muito amor!!! Maravisensacional!!!

  13. Elder disse:

    Muito chato e previsível. Ao menos os filmes eram engraçados. Lembrando que mesmo previsível dimais ainda é melhor que muita coisa.

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