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Por: Allan Verissimo

Crítica | Game of Thrones 6×07: The Broken Man

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O sétimo episódio desta temporada de Game of Thrones acabou sendo tão lento quanto o seu antecessor e ainda não resgatou o clima de urgência e tensão da primeira (e excelente) metade da temporada.  Ainda assim, o capítulo teve as suas qualidades e, a julgar pelos eventos que presenciamos, encerrou a preparação das suas peças para o grande clímax que está por vir.

Dirigido por Mark Mylod (que comandou High Sparrow e Sons of the Harpy) e escrito por Bryan Cogman, The Broken Man gasta boa parte dos seus 51 minutos no retorno de um velho conhecido, Sandor Clegane. A última aparição do personagem tinha ocorrido no final do quarto ano, quando foi gravemente ferido por Brienne e abandonado para morrer por Arya. Seu destino ficou ambíguo desde então, e agora, a série finalmente confirmou para os fãs que o personagem não só está vivo, mas também tem uma função para cumprir na trama (embora, assim como o próprio Sandor, ainda não sabemos o que é). Inclusive, o retorno do Cão acabou forçando os produtores a fazerem algumas alterações na estrutura do episódio, que utilizou o recurso cold opening (algo raro na série), já que a aparição do nome do ator Rory McCann nos créditos de abertura iria imediatamente diluir o impacto do seu retorno.

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E embora seja um prazer rever um dos melhores personagens de Game of Thrones, algumas ressalvas devem ser feitas: por que introduzir o novo arco dele justamente na reta final da temporada, quando todos os demais núcleos estão avançando para os seus respectivos desfechos? Por que não estabeleceram essa subtrama já no início da temporada? Embora Ian McShane faça um ótimo trabalho como o Irmão Ray (um ex-soldado que se converteu a Fé para se redimir dos erros do passado), não deixa de ser frustrante constatar que a HBO desperdiçou mais um excelente ator ao matar o seu personagem cedo demais. As cenas de Sandor foram eficientes, ainda que tenham sofrido com alguns clichês do gênero (a premissa batida do bandido que tenta se “aposentar”, mas retorna à sua antiga vida quando as pessoas que ele ama são assassinadas). Particularmente, o desfecho do episódio conseguiu ser satisfatório e, ao mesmo tempo, agridoce (pois o personagem, após ter encontrado um raro e breve momento de paz e tranquilidade, infelizmente retornará para a sua antiga trilha de dor, brutalidades e tragédias).

Apesar de todo esse tempo gasto no Cão, foi a trama do Norte que entregou a melhor cena do episódio. Os responsáveis dessa vez não foram Jon, Sansa ou Davos, e sim uma pequena garota de 10 anos: Lyanna Mormont (parente de Jorah Mormont), que foi mencionada por Stannis na quinta temporada e acaba revelando-se uma líder surpreendente madura, realista e corajosa (Tommen deveria ter aulas com ela…). Também foi interessante presenciar uma constante tensão entre Jon Snow e Sansa, cujas atitudes no episódio devem causar sérias consequências (supondo que a carta tenha sido escrita para Mindinho).

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O último grande momento do capítulo ocorreu em Correrrio, com Jaime Lannister retornando para a sua subtrama extraída do livro O Festim dos Corvos, após ter permanecido como um figurante de luxo em Porto Real. O diálogo entre Jaime e o Peixe Negro, surpreendente fiel aos livros, já estabeleceu que o cerco não irá ter um final feliz – e a futura chegada de Brienne, que agora está aliada aos inimigos de Jaime, com certeza não vai melhorar a situação.

Tirando isso, o resto do episódio oscilou entre o razoável e o dispensável. As cenas em Porto Real confirmaram o que nós já suspeitávamos (Margaery está apenas fingindo que se converteu), mas não entregaram mais nada além disso. A presença dos Greyjoys em Volantis, por sua vez, confirmou que esse núcleo irá interagir com Daenerys (o que é promissor), e contou com as ótimas atuações de Gemma Whelan e Alfie Allen (e é impressionante como Allen consegue retratar a transformação de Fedor em Theon apenas com o olhar e a postura corporal). Chegamos ao fim com o arco de Arya, que acabou entregando apenas um susto temporário (é óbvio que Arya, assim como Daenerys, não irá morrer antes de retornar para Westeros).

Apesar dos seus erros, The Broken Man foi um bom episódio, mas dificilmente será lembrado como um dos melhores pelos fãs.

3stars

Observações:

  • Nos livros, é explicado que os Freys ainda não podem matar Edmure porque a sua esposa, Roslin Frey, está grávida. Os Freys estão esperando pelo nascimento da criança, que será o herdeiro de Correrrio (caso seja um menino).
  • Mais uma vez, nenhuma locação nova apareceu nos créditos de abertura. Correrrio finalmente retorna, após ter aparecido pela última vez na terceira temporada.
  • Ninguém merece dois episódios consecutivos sem Tyrion.
  • Essa é a quarta vez que a série utiliza o recurso do cold opening. Anteriormente, isso ocorreu nos episódios 1×01 “Winter is Coming”, 3×01 “Valar Dohaeris” e 4×01 “Two Swords”.
  • Também foi ótimo rever Bronn, que esteve ausente desde o season finale da quinta temporada.
  • Confesso que fiquei decepcionado quando percebi que a série não iria adaptar o maravilhoso monólogo dos “Broken Men” (“desertores”, na tradução brasileira), que o personagem equivalente ao septão vivido por Ian McShane declama no livro “O Festim dos Corvos”. Sim, eu reconheço que Literatura e Televisão são mídias diferentes, e que esse monólogo em questão é bastante longo e difícil de ser adaptado, mas os roteiristas poderiam ao menos ter tentado.
  • Alguns integrantes da Irmandade sem Bandeira aparecem no episódio. Mas por enquanto sem qualquer sinal de Lady Stoneheart.
  • Os roteiristas se esqueceram das existências de Dorne e Ramsay?

13 respostas para “Crítica | Game of Thrones 6×07: The Broken Man”

  1. Ana Maria Ballardin disse:

    Olá…só pra atualizar…quantos episódios terá esta temporada? 10? se for…nossa…está ficando apertado pra o final…

  2. Dani Lopes disse:

    Ana, essa temporada terá 10 episódios.

  3. Ana Maria Ballardin disse:

    Obrigado Dani…teremos MUITAS EMOÇÕES ….agora só faltam 3 episódios….sniffff….

  4. Dani Lopes disse:

    Siiim!!! Lembrando que esses 3 episódios terão duração maior.

    Episódio 6×08: 59 minutos
    Episódio 6×09: 60 minutos
    Episósio 6X10: 69 minutos

  5. Marcos disse:

    Só foi eu que lembrei de Lost quando inicou a cold opening?

  6. Anderson Lima disse:

    Dorne? Pra quê Dorne?

  7. Giliard Gomes disse:

    O Ian McShane apenas quis fazer uma participação especial, não?

    Sem falar que, não sei na época, ele poderia já está acertado com American Gods.

  8. ander2faces disse:

    Eu também achei parecido com todo aquele verde e a galera com roupas meio esfarrapadas. Parecia que eram Os Outros construindo aquele suporte de madeira pra Jughead!

  9. Ana Maria Ballardin disse:

    Fiquei com peninha da Sansa…agora que ela amadureceu…praticamente ser humilhada pelos que poderiam ajudar…é triste…mas ela supera. Ainda bem que o Jon tem paciência.

  10. Leonardo Damaso disse:

    sabia….
    senti o cheiro
    churrasco pelo menos não queimo

  11. Diego Salvador disse:

    Acho que tomaram a decisão de ignorar completamente Dorne.

  12. Tiago Do N Gomes disse:

    Episódio chato. Geralmente o episódio 7 costuma ser mais promissor…

  13. MSylvia disse:

    Ninguém merece mesmo a falta de Tyrion. Acho que no próximo teremos sua presença. Gostei muito do episódio, da volta do Cão e do ataque à Arya… ou não rs Agora é preparar a pipoca que devemos ter episódios bem agitados daqui para a frente. Excelente essa temporada.

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