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Por: Bruno Carvalho

Crítica | Orange is the New Black retorna revigorada na 4ª temporada

Ainda que esse início da quarta temporada de Orange is the New Black pareça uma continuação natural e orgânica do terceiro ano (o que inclusive me levou a perguntar às atrizes após essa entrevista se elas haviam gravado tudo junto), a série voltou revigorada para o novo ano. Quartas temporadas são usualmente problemáticas como as segundas: muita trama reciclada, mais do mesmo e um cansaço notório do formato.

Orange Is The New Black S4

Aqui não. Jenji Kohan aprendeu a dura lição com Weeds e soube mudar bem sem mudar demais como ela fazia com a trama de Nancy Botwin. Com a chegada da nova leva de detentas em Litchfield, a roteirista altera o cenário (agora uma prisão superpopulosa) sem mudar a locação e com isso imediatamente estabelece uma nova dinâmica, representada pelo majoritário poderio das latinas, e que cumpre bem o papel de agitar bem as coisas.

Bem-vinda também é a forma como que a série utiliza suas situações para discutir temas relevantes como a violência contra a mulher, sexualidade e, especialmente, preconceito. Ela não apenas apresenta os temas, como os desenvolve trazendo lições claras e funcionando como um palanque para o mundo inteiro.

Orange Is The New Black S4

Em termos da história em si, gostei muito da pegada mais dark que a série tomou logo na reta inicial com a morte (seguida do esquartejamento) do agente penitenciário que abusou de Alex, da introdução de Judy King sugestionada desde o terceiro ano e de toda a questão orçamentária vivida pelo dedicado e sempre injustiçado Caputo.

Já tramas bobas como o feudo (e levemente ridículo) de Cindy – recém convertida judia por conveniência – e sua nova colega de cela ou a insistência em continuar aquela besta história de Piper como líder de alguma coisa por causa do lance das calcinhas servem mais para estufar ainda mais os inchados 50 e tantos minutos de cada episódio. Penso o quanto Orange poderia se beneficiar se fosse uma dramédia de meia hora como Weeds

Orange Is The New Black S4

Mas o mais interessante de Orange is the New Black são as histórias pregressas das detentas, costuradas no estilo narrativo que LOST consolidou na TV. Continua uma mistura interessante e com um saldo positivo, justamente porque consegue se reinventar ano a ano, embora convenientemente o roteiro traz e some com histórias sem maiores justificativas – da mesma forma que faz com personagens.

Orange Is The New Black S4

Bom, para uma série que está renovada até a sétima temporada, às vezes é necessário dar aquela enrolada, algo que a série faz com sua graça e com um time invejável de talentos e boas personagens.

4stars

3 respostas para “Crítica | Orange is the New Black retorna revigorada na 4ª temporada”

  1. Pulga Thaís disse:

    por favor, não compare nunca Orange is teh new black com LOST (melhor série da vida)
    impossível ter um flashbak tão bom como lost

  2. A comparação é com a estrutura narrativa empregada, que é a mesma.

  3. Gabriela gra disse:

    E Nick e Morello o que acharam?
    Falaram tanto da volta da Nick e quando ocorreu foi fraca.

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