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Por: Bruno Carvalho

Crítica | O espetáculo nostálgico de Stranger Things

strangerthings

[Texto sem spoilers] Se você não cresceu nos anos 80 aposto que vai gostar bastante de Stranger Things, mas se por acaso você viveu naquela década, tenho certeza que terá uma experiência extraordinária com esta nova e surpreendente série da Netflix. Não tem jeito, é necessário ter vivenciado aquela era analógica para conseguir extrair todas as emoções nostálgicas que este drama invariavelmente traz.

E como traz.

Ambientada em 1983, a série conta a história de uma pequena cidade no Interior do Indiana que se vê cercada de mistérios. O primeiro deles vem do desaparecimento do jovem Will Buyers, que desencadeia uma série de eventos e acabam envolvendo seus amigos próximos, sua mãe Joyce (Winona Ryder), seu irmão Jonathan, o policial Jim Hopper, entre outros.

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Não importa saber exatamente de onde vem a criatura que aparentemente está assolando a cidadezinha e tem a ver com uma misteriosa organização que possui um recluso laboratório nos seus arredores. O que dá luz à essa série não é apenas a aura de mistério com toques de terror criada pelos irmãos Matt e Ross Duffer (Wayward Pines): é a captura da aura e da essência de uma década icônica, condensada nesta temporada incrível com oito excelentes episódios.

Stranger Things é uma ode aos anos 80 e aos filmes que aqui no Brasil conhecemos como Clássicos da Sessão da Tarde e que povoaram a infância e pré-adolescência de muita gente. Estão lá referências a ET: O ExtraterrestreOs GooniesContatos Imediatos de Terceiro GrauPorkys e diversos outros. Todo esse clima acolhedor ainda é potencializado pela trilha-sonora eletrônica de sintetizador (às vezes até mesmo distorcida, como se estivéssemos vendo uma fita VHS) e a fotografia granulada e melancólica de uma época em que não havia Internet, redes sociais, Pokemón Go e até mesmo sem Netflix.

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Em termos de narrativa, o drama segue convenções básicas de filmes do gênero, mas que não podemos encará-las como “clichês” e sim como homenagens, já que a série é completamente consciente de como e quando utilizar. A história, mesmo que deveras interessante, se torna apenas o pano de fundo para que nós oitentistas assistamos tudo aquilo maravilhados (e loucos para voltar) a todas aquelas referências, câmeras fotográficas, cartuchos, fitas e linhas fixas. Ainda assim, destaco as brilhantes sacadas do roteiro com algumas boas reviravoltas e, é claro, a ligação dos acontecimentos com o fim da Guerra Fria, algo que certamente permeou o imaginário de muitos americanos e moldou aquela geração.

Mas o ponto mais forte de Stranger Things é, sem dúvida, seu elenco jovem repleto de atores mirins talentosíssimos, liderados pela excelente Millie Bobby Brown na pele de Onze, uma garotinha que passou sua infância servindo de cobaia para a terrível organização. Ela é uma atriz que ao mesmo tempo evoca a inocência de uma garota que cresceu “ausente” da civilização (e não conhece conceitos básicos como os de “amizade” ou “promessa”), como também confere peso dramático a alguém que, mesmo tão nova, já passou por muita coisa.

Completando o time de excelentes atuações temos aqui o retorno triunfal de Winona Ryder aos holofotes na pele de uma mãe desesperada e que é vista como louca por todos ao seu redor, mesmo sendo a única que estava certa desde o começo, e de Matthew Modine na pele de um clássico vilão que não mede esforços para conseguir o que quer.

Stranger Things é a melhor novidade desta safra de séries 2016. É um drama tocante que vai transportar toda uma geração de volta para a tão querida década de 80 ou apresentá-la como poucas produções modernas já fizeram para os jovens que nasceram nesta era digital.

23 respostas para “Crítica | O espetáculo nostálgico de Stranger Things”

  1. pheitosa disse:

    “sem spoilers” Winona estava certa o tempo todo… ¬¬ OK.

  2. Tatiana Rocha de Souza disse:

    Apaixonada por essa série, coisa linda de se ver. Valeu, Netflix. E seu texto diz tudo, Bruno.

  3. Amigo, isso a gente sabe desde o início, pois nós VIMOS o monstro na primeira cena, vimos ele capturar o filho dela no primeiro episódio. A gente sempre soube que ela estava certa!

  4. Mathias disse:

    Ô gente chata.

  5. “Spoiler” da 1ª cena é algo inédito até pra mim…

  6. Rafael Batalha disse:

    Terceiro texto sobre essa série e esse foi o melhor.
    Parabéns.

  7. Roberto Ribeiro disse:

    Pra mim a série se resume numa mescla de Conta comigo + Arquivo X com pitadas de Super 8

  8. alex hastenreiter disse:

    Joyce (Winona Ryder) roubou a cena algumas vezes. (Não resisti.)

  9. Leonardo Damaso disse:

    embalados pelos comentários aqui e em toda rede
    ansioso para degustar
    foi EU conferir o 1º ep. em sua estreia
    amei…..por motivo de força Maior e Bolado não pude ver o restante
    contudo reservei o Grande Sábado de 13h ate 20h direto
    mt pizza e …… grudado na tela
    torcendo para o retorno

  10. vinland disse:

    kkkkkkkkkkkkkkk

  11. vinland disse:

    Eu nasci no finalzinho de 88, entao apenas nasci nessa decada, mas desfrutei das coisas dela, apenas anos depois. Mas mesmo assim a serie foi nostalgica para mim, porque, ja vi todos os filmes, e outras coisas mais que a serie homenageou. Mas ela fez homenagens a obras mais recentes como o filme, Under The Skin. Eu amei essa serie, e concordo com vcs do site, de ela ser a melhor serie estreante de 2016 por enquanto. Texto muito bom !!!

  12. Godfather disse:

    Comecei assistir e não parei mais… simplismente viciante! Ainda mais que a um tempo atrás eu estava pesquisando sobre o MKUltra, e quando vi a referencia no ep3, ai sim fiquei mais viciado ainda hahahha… realmente uma das melhores series do Ano!

    Ótimo texto, muito bom mesmo!

  13. GabrielElias disse:

    Tem gente que, se a legenda estiver adiantada 0,5 segundo e traduzir antes do cara falar, já ler spoiler haha

  14. djavan disse:

    eu sinceramente acho essa serie extraordinaria, realmente é um mixto de tudo de bom que os anos 80 nos proporcionou , conta comigo,, goonies, et, alien etc….., e parabens pela otima analise

  15. Anderson Lima disse:

    Comecei a assistir ao seriado após ler a crítica. Esperava beeeeem mais. Para mim não tem nada de mais. Vamos ver se engrena.

  16. Jimi Pozza Silva disse:

    Vida Longa à Stranger Things!

  17. Leandro Xiscatti disse:

    Super 8 pode-se dizer que TAMBEM é uma homenagem aos filmes dos anos 80 (ou baseado em) com piazada e tals…

  18. Leandro Xiscatti disse:

    mas dai vc passou os anos 90 vendo sessão da tarde… oque é quase a mesma coisa hehehe

  19. Taiana Moura disse:

    Na verdade, é spoiler sim! Porque, até então, poderia ser muitas coisas: Sonho, loucura da personagem, uma história contada do ponto de vista de outra pessoa, enfim… Sim, amigo, é spoiler! ;)

  20. Taiana Moura disse:

    Na verdade, é spoiler sim! Porque, até então, poderia ser muitas coisas: Sonho, loucura da personagem, uma história contada do ponto de vista de outra pessoa, enfim… Sim, amigo, é spoiler! ;)))

  21. Douglas disse:

    Achei bem legal, eles jogando D&D logo no inicio e suas eternas campanhas hahaha, sem existência de celular e logicamente as roupas…bem divertido!

  22. Gabriel Angelo disse:

    Aaa poderia ter abordado também o fato da série ser muito misteriosa, porque é um mistério atrás do outro, só oque poderia ter dito na série e como a El fugiu da prisão, e como o Lucas sabia que os homens maus sabiam da eleven, ele volta correndo lá do laboratório para avisar seus amigos, sendo que ele apenas estava vendo de longe por meio de um binóculos , mas pra mim isso sao detalhes, pra mim sem dúvida é a melhor série… Nunca fiquei tão animado assim por uma, o único ruim da série e que a 2 temporada somente em julho :/ desanimador.

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