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Por: Davi Garcia

Crítica | Annabelle 2: A Criação do Mal

Com Invocação do Mal (The Conjuring) de 2013 e sua sequência de 2016 já estabelecidos como duas das melhores surpresas do gênero terror dos últimos anos, faltava à série de filmes um capítulo novo que realmente justificasse o esforço de seus produtores de expandir, através de spin-offs, o universo originalmente apresentado pelo casal de investigadores paranormais, Ed e Lorraine Warren. E nesse contexto, ainda que não supere os dois Invocação, Annabelle 2 A Criação do Mal (Annabelle: Creation) surge muito mais bem sucedido em suas pretensões que o primeiro Annabelle.

Escrito por Gary Dauberman que também fora responsável pelo filme anterior, esse segundo capítulo do spin-off centrado na boneca possuída por um espírito maligno, tem na direção segura e criativa de David F. Sandberg (do bom Quando as Luzes se Apagam) seu maior trunfo. Sim, é inegável que Sandberg apela para sustos fáceis aqui e ali ao longo da história, mas também é verdade que ele demonstra saber criar um clima de crescente suspense e tensão na trama ao mesmo tempo em que entende que o que é sugerido ou simplesmente não é mostrado, às vezes pode ser muito mais assustador do que aquilo que vemos de fato.

Na história que serve de prólogo para o primeiro filme (e que conta como a boneca surgiu), o casal Mullins feito por Anthony LaPaglia e Miranda Otto encara na recepção de um grupo de meninas órfãs e uma freira em sua casa, a chance de um recomeço depois de doze anos de luto pela perda de Annabelle, sua filha pequena, num trágico acidente. Contudo, sinistros eventos passam a acontecer na casa dos Mullins quando uma das meninas acessa um quarto fechado libertando a boneca e o espírito que a controla. Daí em diante, sustos, gritos e aparições bizarras tomam conta da trama que eficientemente brinca com a expectativa do espectador ora abraçando o terror puro (como na cena em que duas meninas são assombradas por uma figura horripilante que mal vemos) ou o terrir, ainda que involuntário, em cenas que os personagens tomam as atitudes (ou fazem as perguntas) mais estúpidas possíveis.

Por falar em estupidez aliás, vale mencionar – sem dar spoiler – que a trama toda só existe porque o casal enlutado pela perda da filha revela dois dos personagens mais imbecis (ou burros, pra ser mais direto) da história do gênero, já que é a partir de uma determinada decisão totalmente sem sentido dos dois que Annabelle ganha chance de aterrorizar suas vidas. Por outro lado, é óbvio que sem isso não teríamos história e nesse sentido Annabelle 2 pelo menos sabe abraçar o absurdo de toda a situação para estabelecer uma ambientação de gênero que convence graças ao elenco (com destaque para a jovem Talitha Bateman) e à atmosfera criada por seu diretor.

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