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Por: Allan Verissimo

Crítica | O inverno toma conta de Game of Thrones em 7×06: Beyond the Wall

Mais uma vez, chegamos ao penúltimo episódio de uma temporada de Game of Thrones, na qual normalmente ocorre o grande clímax. Mais uma vez os showrunners David Benioff e D.B. Weiss e o veterano diretor Alan Taylor nos proporcionaram um espetáculo visual, repleto de grandes sequências de ação e suspense que fariam algumas obras cinematográficas morrerem de inveja.

Uma das maiores críticas que essa sétima temporada está sofrendo é a de que os roteiristas estão apressando a trama de uma maneira que não deveriam. Várias tramas e interações de personagens poderiam estar sendo muito melhor desenvolvidas e aproveitadas e não há como negar que esse “Beyond the Wall” sofre muito com isso.

Vamos recapitular: no decorrer dos 70 minutos do episódios, vimos Jon e seu Esquadrão Suicida conseguirem levar a cabo o estúpido plano de capturar um wight, na esperança de convencer Cersei a deixar as inimizades de lado e se unirem contra os White Walkers. Porém, houve um preço terrível: Thoros de Myr morreu (junto com outros red shirts), o que significa que Beric agora está oficialmente na sua última vida; Benjen Stark também se foi e, pra piorar, a maior vítima foi Viserion, um dos dragões de Daenerys que agora serve ao Rei da Noite. Daenerys, por sinal, viu os Outros com seus próprios olhos e agora está disposta a focar na guerra contra os verdadeiros inimigos, ao passo que Jon finalmente decidiu “ajoelhar-se” e prometer lealdade à Rainha Targaryen.

Mas o problema é que o caminho escolhido pelos roteiristas para chegar nessa conclusão foi repleto de conveniências forçadas. Comecemos com a prisão do morto-vivo em si: os heróis se encontram por “sorte” com um pequeno grupo de inimigos, cujo o único whight capturado não tinha sido transformado pelo White Walker que o acompanhava. É demais pra nossa inteligência.

Além disso Gendry, que além de ótimo remador, também é um perfeito maratonista, conseguiu alcançar a Muralha, enviar uma carta via corvo para Pedra do Dragão, e então Daenerys voou de volta com seus três dragões a tempo de salvar os heróis. Isso é no mínimo incoerente nas regras do universo que já estabeleceu que corvos demoram ao menos algumas semanas para chegarem ao seu destino. Pra piorar, a reintrodução inesperada de Benjen Stark foi realmente um puro “Deus Ex Machina” (recurso narrativo utilizado através de um elemento externo que salva o dia do nada), cujo único propósito pareceu ser apenas o de se livrar de mais um personagem sem função na trama.

É realmente uma pena, pois esse episódio trouxe algumas das melhores sequências de ação e suspense de toda a série. O urso-zumbi, os mortos-vivos encurralando os heróis no lago congelado, a trilha de Ramin Djawadi, o plano final… esses momentos foram repletos de incríveis efeitos visuais e um show de direção de Alan Taylor, garantindo mais alguns Emmys técnicos. Mas a jornada realizada até esse ponto poderia ter sido concebida com muito mais cuidado e atenção.

As interações entre os personagens também foram um dos pontos altos: o comportamento sem-noção do Cão e de Tormund nunca decepcionam, além das conversas de Jon com Jorah (nas quais eles lembram de seus falecidos e honrados pais) e com Beric (sobre o Senhor da Luz e o motivo pelo qual ainda vivem). Em contrapartida, o núcleo de Winterfell decepciona: a ideia de que Arya e Sansa ainda não tenham percebido que estão sendo manipulados descaradamente por Mindinho, não faz o menor sentido pelo que ambas já passaram. Eu cheguei a conceber uma teoria de que Sansa e Arya estariam cientes disso e encenando essas discussões apenas para enganar Mindinho, mas considerando o histórico da série (alguém lembra da “Arya Durden” e “Talisa espiã dos Lannisters”?), eu não me atreverei a ser otimista.

Foi um bom episódio, apesar das ressalvas? Sem dúvida alguma. Mas Game of Thrones pode e merece ser muito melhor do que isso. Espero que isso seja compensado no final de temporada do próximo domingo.

16 respostas para “Crítica | O inverno toma conta de Game of Thrones em 7×06: Beyond the Wall”

  1. losk disse:

    Tem duas estrelas a mais nessa nota ai…

  2. Moisés Benicio disse:

    PRA MIM, tá ficando cada vez mais fraca desde o episódio 4.

  3. Ednaldo Moreira disse:

    Num mundo em que a vida é pouco valorizada, não era mais lógico terem levado alguém condenado a morte para a muralha ?

  4. Diego disse:

    Que pena! Ideia idiota do Jon ir até a fucking Muralha… Tá fraco, mas tá bom..

  5. Leonardo Damaso disse:

    Que se dane as falhas. Ainda sim é o melhor que e existe e provável que nenhuma outra era ganhar

  6. Edson disse:

    Eu gostei pra caramba! Tem horas que tem q ter as catarses… Mas tem gente que prefere aqueles episódios modorrentos de Dorne… Eu prefiro assim!

  7. Heloisa Martins disse:

    Acho que o problemas foram as temporadas passadas, “arrastadas” por acompanharem os livros e agora passam a ser inverossímeis algumas situações que estão se resolvendo muito rápido (para dizer o mínimo). Mas pela qualidade dá pra relevar e curtir, sim. E vamos combinar: isto é ficção, então eles podem fazer o que quiserem…

  8. Leonardo disse:

    A série desenvolve muito melhor assim. Aqueles eps arrastados que faziam eram chatos. Tem série mil vezes pior que GOT. Tem que deixar os detalhes nos livros.

  9. Anderson dos Santos Lima disse:

    Parece que eles resolveram fazer menos episódios para gastar mais dinheiro em cada um. Se tivéssemos os 10 episódios como em toda temporada, esses saltos ridículos de gente saindo de um lugar e chegando em outro via teletransporte poderiam ser melhor trabalhados…

  10. Allison Noronha disse:

    Quanta forçação pra mimimisar.

  11. klaus disse:

    que diabo aqueles corvos comeram pra voarem tão rápido?

  12. MonaLisa Nascimento Almeida disse:

    E onde arrumaram aquelas correntes??? E como colocaram no dragão para puxá-lo???

  13. klaus disse:

    vou colar aqui a resposta do seriemaníacos: “A leste das terras além da Muralha está o Mar Tremente, onde muitos navios colidem com a costa. Aparentemente, eles usaram as âncoras dos navios para retirar Viserion do lago congelado.”

  14. Anderson Lima disse:

    Série que de tudo o que tinha para reclamar você está reclamando disso?

  15. MonaLisa Nascimento Almeida disse:

    Anderson, além de tudo que já foi comentado, claro.
    Klaus, esta resposta do mar Tremente, mas os WW não entram na água, quem colocou as correntes.
    Apesar de quê, discutir isto já é bobagem, depois que li o roteiro da 8ª temporada, fiquei tão decepcionada que não vou mais assistir a série. Pior que ainda acho que o livro vai ter um final tão ruim quanto, só que por caminhos diferentes.

  16. Lincoln Mugarte disse:

    Apesar de no geral o episódio ter sido legal em termos visuais, concordo com todas as críticas de lapsos de tempo, intrigas que desafiam a nossa inteligência, etc…mas a maior pisada na bola neste episódio para mim foi: como que vc chega em um cenário de batalha com 3 máquinas de matar como os dragões, vindo do ar aonde eles tem toda a superioridade e visão, os chefes do exército inimigo estão ali, a vista de todos, vc manda fogo em todo mundo MENOS NOS CHEFES dos Walkers ? E aí “espera” serem atacados ? Sem sentido total para mim…

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