Crítica | Black Mirror, 4ª temporada: ArkAngel
Crítica | Black Mirror, 4ª temporada: ArkAngel

Crítica | Black Mirror, 4ª temporada: ArkAngel

O sonho de todo pai e mãe: uma tecnologia que permite diagnosticar em tempo real todos os aspectos da vida de seu filho. Essa é a promessa da empresa Arkangel, que lançou um implante infantil que propicia esta “segurança” aos pais de primeira ou segunda viagem – e também a premissa de Arkangel, episódio dirigido por Jodie Foster para a 4ª e incrível temporada de Black Mirror.

Assim como os demais capítulos deste ano (críticas de todos em breve), a série colocou mulheres protagonizando todas as histórias, bem como utilizou (em 4 de 6) a tecnologia de implantes mentais como tema principal condutor das narrativas de uma forma ou de outra.

Aqui, Arkangel brinca logo de cara com as maravilhas do trial grátis da tecnologia abraçada pela mãe interpretada por Rosemary DeWitt (Mad Men): acessando o modo “ocular”, ela pode ver onde o que a filha está vendo e brinca de esconder; com o modo “seguro”, ela bloqueia imagens violentas e assustadoras, como o cachorro do vizinho latindo e assim por diante.

Mas nem tudo são flores, especialmente quando a garota começa a crescer. Além de discutir o óbvio problema relacionado à privacidade, o roteirista e criador Charlie Brooker também questiona o que esses “filtros” e “proteções” contra o mundo real podem afetar a vida de uma criança, o que é retratado muito bem por Foster que utiliza a câmera subjetiva para nos colocar atrás dos olhos da criança.

Abraçando logo de cara o lado mais sombrio de Black MirrorArkangel transforma aos poucos uma maravilha moderna num verdadeiro pesadelo, já que a mãe – que quase perdera a filha quando criança – jamais cessa por completo a utilização do aparelho (mesmo tendo a opção de fazê-lo) e a menina cresce “marcada” pela sociedade como uma “chipada”, já que o governo não permitiu a produção em larga escala do dispositivo.

Apesar de ser um dos episódios mais curtos da série com apenas 50 minutos, Arkangel é extremamente eficiente ao retratar a temática central da série e mostrar como certas tecnologias podem ter um impacto aterrorizante em nossas vidas (o que acontece ao final do episódio é, ao mesmo tempo, chocante e possível), e um alerta claro da diretora Jodie Foster (que escolheu este roteiro) acerca dos perigos de sufocar uma criança com excesso de proteção e “cuidado”.

A 4ª temporada de Black Mirror estreia sexta, 29/12 às 06h00, na Netflix. Leia as críticas dos demais episódios: ArkAngel, USS Callister, Crocodile, Hang the DJ, Metalhead e Black Museum.

Um comentário

  1. Carol

    O tema é requentado, mas poderia ter sido melhor desenvolvido e ficou focado só nas neuras da mãe e no comportamento rebelde forçadinho da filha. O único mérito mesmo é ter sido bem dirigido pela talentosa Jodie, porque o roteiro preguiçoso e óbvio rendeu uma história beeeeem fraca…

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