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Por: Bruno Carvalho

Crítica | Black Mirror, 4ª temporada: ArkAngel

O sonho de todo pai e mãe: uma tecnologia que permite diagnosticar em tempo real todos os aspectos da vida de seu filho. Essa é a promessa da empresa Arkangel, que lançou um implante infantil que propicia esta “segurança” aos pais de primeira ou segunda viagem – e também a premissa de Arkangel, episódio dirigido por Jodie Foster para a 4ª e incrível temporada de Black Mirror.

Assim como os demais capítulos deste ano (críticas de todos em breve), a série colocou mulheres protagonizando todas as histórias, bem como utilizou (em 4 de 6) a tecnologia de implantes mentais como tema principal condutor das narrativas de uma forma ou de outra.

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Aqui, Arkangel brinca logo de cara com as maravilhas do trial grátis da tecnologia abraçada pela mãe interpretada por Rosemary DeWitt (Mad Men): acessando o modo “ocular”, ela pode ver onde o que a filha está vendo e brinca de esconder; com o modo “seguro”, ela bloqueia imagens violentas e assustadoras, como o cachorro do vizinho latindo e assim por diante.

Mas nem tudo são flores, especialmente quando a garota começa a crescer. Além de discutir o óbvio problema relacionado à privacidade, o roteirista e criador Charlie Brooker também questiona o que esses “filtros” e “proteções” contra o mundo real podem afetar a vida de uma criança, o que é retratado muito bem por Foster que utiliza a câmera subjetiva para nos colocar atrás dos olhos da criança.

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Abraçando logo de cara o lado mais sombrio de Black MirrorArkangel transforma aos poucos uma maravilha moderna num verdadeiro pesadelo, já que a mãe – que quase perdera a filha quando criança – jamais cessa por completo a utilização do aparelho (mesmo tendo a opção de fazê-lo) e a menina cresce “marcada” pela sociedade como uma “chipada”, já que o governo não permitiu a produção em larga escala do dispositivo.

Apesar de ser um dos episódios mais curtos da série com apenas 50 minutos, Arkangel é extremamente eficiente ao retratar a temática central da série e mostrar como certas tecnologias podem ter um impacto aterrorizante em nossas vidas (o que acontece ao final do episódio é, ao mesmo tempo, chocante e possível), e um alerta claro da diretora Jodie Foster (que escolheu este roteiro) acerca dos perigos de sufocar uma criança com excesso de proteção e “cuidado”.

A 4ª temporada de Black Mirror estreia sexta, 29/12 às 06h00, na Netflix. Leia as críticas dos demais episódios: ArkAngel, USS Callister, Crocodile, Hang the DJ, Metalhead e Black Museum.

Uma resposta para “Crítica | Black Mirror, 4ª temporada: ArkAngel”

  1. Carol disse:

    O tema é requentado, mas poderia ter sido melhor desenvolvido e ficou focado só nas neuras da mãe e no comportamento rebelde forçadinho da filha. O único mérito mesmo é ter sido bem dirigido pela talentosa Jodie, porque o roteiro preguiçoso e óbvio rendeu uma história beeeeem fraca…

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