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Por: Bruno Carvalho

Crítica | Black Mirror, 4ª temporada: Crocodile

Em CrocodileBlack Mirror faz uma pequena pausa em retratar absurdos tecnológicos e foca naquilo que também faz muito bem: os absurdos do ser humano. Andrea Riseborough (Bloodline) protagoniza um thriller que tem duas linhas narrativas em rota de colisão.

De um lado Mia, uma mulher que no passado fez algo terrível com o seu ex-namorado e hoje luta para seguir em frente com sua nova família. De outro, uma analista de sinistros de seguradora que apenas está querendo fazer seu trabalho, investigando um pequeno acidente envolvendo um veículo autônomo (veja só). No meio, a inevitabilidade das memórias que vêm à tona.

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Lindamente fotografado por John Hillcoat (Quarry) e utilizando a tecnologia apenas de forma marginal e pontual, Crocodile trava um intenso e cuidadoso jogo de “gato e rato”, levemente aumentando a tensão à medida em que os caminhos entre essas duas mulheres vão se estreitando e o espectador percebe o que inevitavelmente vai ocorrer (e ocorre).

Sem dar spoilers, este é um dos capítulos mais mórbidos da temporada, com direito a uma reviravolta de dar um nó no estômago em seus instantes finais e que evoca o sinismo e o brilhantismo de Black Mirror na análise do ser humano e do que ele é capaz, seja para o bem e para o mal.

Talvez extremo demais em algumas de suas decisões para este capítulo (em especial às atitudes de Mia, que em alguns momentos soam desproporcionais pelo contexto), Charlie Brooker revela sua faceta mais pessimista aqui, mesmo encerrando com certo “alívio” e uma bela dose de sarcasmo.

A 4ª temporada de Black Mirror estreia sexta, 29/12 às 06h00, na Netflix. Leia as críticas dos demais episódios: ArkAngel, USS Callister, Crocodile, Hang the DJ, Metalhead e Black Museum.

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