Crítica | Westworld 2×04: O Enigma da Esfinge

O episódio do domingo passado de Westworld (desculpem a demora com a crítica) foi um dos melhores de toda a série até agora, não apenas por trazer explicações bem-vindas sobre parte dos interesses da Delos, mas também por ser estruturado de forma brilhante pela diretora Lisa Joy.

Iniciando-se em um quarto redondo e com uma vitrola tocando discos, o capítulo nos mostrou James Delos preso neste lugar numa espécie de loop mental, aparentemente por não estar apto a resumir suas funções na companhia. Enquanto isso, no parque tomado pelo caos, descobrimos que Elsie está viva e presa em uma caverna para ser encontrada por um confuso Bernard, o mesmo anfitrião que a agrediu e capturou a mando de Ford.

Essas duas narrativas entraram em rota de colisão quando descobrimos que, na verdade, aquele não era mais o Sr. Delos, mas sim um experimento em andamento (e aparentemente secreto) de William para incubar a mente humana em anfitriões. Essa espécie de “clonagem”, se bem-sucedida, poderia fazer com que as ramificações da série se tornassem infinitamente mais complexas do que já são (e pessoalmente preferiria que não seguisse por esse caminho).

Como um jogador deste complexo enigma, o antigo “Homem de Preto” parece estar perdendo para o Dr. Ford, pois ele claramente queria expor tudo isso e de vilão que virou mocinho, William pode muito bem virar o grande vilão desta história (e com isso acredito cada vez mais que Ford voltará de alguma forma).

Grande parte da beleza deste Enigma da Esfinge se deu graças a Bernard, cuja enfraquecida e afetada mente robótica nos leva a um caminho de descoberta progressiva tal qual ele, o que acaba se formando um recurso narrativo inteligente, certamente bem mais que a utilização de diálogos expositivos ou meros flashbacks inorgânicos, como uma produção menos sofisticada certamente utilizaria.

A sequência que encerra o capítulo foi digna de um final de temporada, pois além de trazer grandes revelações (incluindo uma sobre pais e filhos, tema recorrente em LOST, série que claramente inspirou e muito este episódio), Westworld indica que pretende não enrolar tanto o espectador. O Enigma da Esfinge foi grandioso, reverencial e ciente daquilo que acabara de fazer.

Que a série siga nesse ritmo!

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