FOTO: UNIVERSAL PICTURES

Por: Bruno Carvalho

Crítica | Jurassic World: Reino Ameaçado resgata com maestria a tensão do original

Jurassic Park, lançado em 1993 e dirigido por Steven Spielberg, é até hoje um marco do cinema mundial e segue insuperável por suas quatro sequências lançadas – do fraco O Mundo Perdido até o mais recente exemplar que estreou esta semana oficialmente no Brasil – O Reino Ameaçado. Dirigido pelo competente J.A. Bayona (Penny Dreadful), o longa chega para trazer frescor e uma nova perspectiva à longeva franquia da Universal Pictures.

Na trama, os dinossauros da Ilha Nublar estão em perigo pela iminente erupção do vulcão, algo que desperta um debate internacional sobre os direitos da espécie novamente ameaçada: como clones artificiais de um empreendimento comercial que (novamente) deu errado, deveriam os perigosos seres receber ajuda governamental? É nesse controverso jogo de interesses envolvendo até mesmo o Dr. Ian Malcom (Jeff Goldblum, numa rápida participação) que o magnata Benjamin Lockwood (James Cromwell, Six Feet Under) decide financiar uma expedição para ele mesmo salvar os animais com a ajuda de Claire Dearing (Bryce Dallas Howard, de Arrested Development) e Owen Grady (Chris Pratt, de Parks and Recreation e todos os blockbusters atuais não estrelados por The Rock).

Apesar de simplória, a trama se torna eficiente quando percebemos que os interesses de Lockwood não são tão louváveis assim, o que coloca o casal de protagonistas numa luta contra o tempo para impedir que os seres recriados na era moderna sejam vítimas de interesses corporativos bem mais escusos.

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Bayona cria em O Reino Ameaçado um exemplar que não apenas homenageia os principais momentos da franquia, mas que confere um olhar mais apurado, estético e intimista do que seus predecessores, incluindo Jurassic World de Colin Trevorrow. Repleto de sequências grandiosas, a começar pela fuga protagonizada por humanos e dinossauros da ilha ameaçada pela lava do vulcão, o longa engata logo antes de seu segundo ato num ritmo frenético e alucinante domado pelo perigo e a tensão.

Apesar de repleto de diálogos pouco inspirados, o elenco se destaca: se por um lado Chris Pratt continua com uma invejável presença de tela e talento cômico (aqui muito mais explorado que no anterior), Bryce Dallas Howard tem a chance de crescer devido à evolução das convicções de sua personagem e James Cromwell vive um antagonista com motivações justas. A melhor surpresa, contudo, é Daniella Pineda, que vive uma especialista em dinossauros que nunca havia visto uma das espécies de perto, funcionando como os olhos do público testemunhando as maravilhas criadas pela tecnologia de Hammond (referenciado no longa em diversos momentos).

Mas o melhor deste Jurassic World: Reino Ameaçado reside em seu terceiro ato, que leva a franquia a um local nunca antes visitado – uma mansão isolada numa nova ilha – e lá dá ao filme contornos de puro terror e tensão, abandonados nos filmes anteriores em prol da aventura. Dotado de um design de produção singular com destaques para uma fotografia mais escura e sombras, o longa emula em grande parte daquela terrível sequência dos velociraptors na cozinha do parque original e a perseguição do T-Rex na chuva, mas agora ampliado em magnitude e escala.

Assim, beneficiado por estar praticamente no gênero “terror”, Jurassic World: Reino Ameaçado traz fôlego para a série de filmes numa era onde os avanços tecnológicos e recriações perfeitas de dinossauros não são o maior atrativo, como eram em 1993. O filme é enérgico, contagiante e tecnicamente impecável, fazendo com que este seja o segundo melhor exemplar da franquia desde a sua origem nas mãos do mestre do cinema Steven Spielberg.


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