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Por: Carol Di César

Crítica | Valeria: uma apaixonante série espanhola da Netflix

Comecei a assistir à série Valeria, série espanhola disponível na Netflix, por indicação de uma amiga, que me disse: “A protagonista é escritora, assim como você!”. Ou seja, antes mesmo de começar, eu já tinha ali uma identificação com a história. Assistimos juntas ao primeiro episódio e confesso que a produção não me conquistou de imediato. O início é um tanto parado, mas resolvi dar uma segunda chance. A trama começa a ficar interessante a partir do terceiro episódio, quando a história de Valeria (Diana Gómez, La Casa de Papel), Lola (Silma López, El Último Fin de Semana), Carmen (Paula Malia, Gente que Vai e Volta) e Nerea (Teresa Riott), começa a fisgar o espectador sem volta. 

Apesar de óbvio que Valeria é a protagonista pelo título da atração, todas as quatro personagens são importantes e relevantes por possuírem particularidades diferentes umas das outras:

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Valeria, casada há 8 anos com Adrián (Ibrahim Al Shami) é a única personagem comprometida de um grupo composto por mais três solteiras. 

Lola, uma mulher totalmente desprendida de pudores e bastante sexual, transa com determinado homem casado, só pelo prazer da adrenalina. 

Carmen, a geek que é apaixonada por um colega de trabalho e faz de tudo para ficar com ele. O estilo de roupa dessa personagem destoa demais das outras, novamente trazendo uma diferença, significativa, entre as personagens.

Nerea, a mais séria e ponderada das quatro, que logo mais descobrimos ser lésbica. 

A fotografia, sempre com cores vibrantes, e a ótima trilha sonora, selou o combo que faz dessa uma excelente produção. Não só isso, como também a história, as situações que ocorrem em cada episódio, é tudo muito bem desenvolvido e vai ficando cada vez melhor, ao passo que Valeria, que é casada, se interessa por outro homem, uma situação comum que ganha destaque na série, evidenciando como a rotina pode drenar um relacionamento de anos. Acompanhamos, assim, todo o processo de perda de interesse de um parceiro no outro, até chegar num ponto em que a relação fica completamente insustentável.

O sexo, que vem ganhando espaço nas últimas séries lançadas pelos serviços de streaming (Elite, Normal People, Sex Education, Desejo Sombrio…) também tem foco aqui, fazendo com que Valeria se posicione para um público mais receptivo ao tema, quando é tratado de forma não-explorativa.

Uma das melhores cenas, e a que destaco aqui, é o momento em que fica claro, para nós espectadores, o fim do casamento de Valeria, representado de maneira poética com uma música de Billie Eilish de fundo.

Essa sequência que nos faz compreender algo que nos episódios anteriores ainda não estava muito claro: Valeria não tinha se interessado por outro homem por ser uma adúltera sem escrúpulos, afinal. O desfecho da primeira temporada – não darei spoilers – é também algo que como escritora me relacionei muito.

Valeria é baseada no livro: “En los sapatos de Valeria” de Elísabet Benavent, o que nos revela, já de antemão, que virão mais temporadas por aí. É uma série gostosa de acompanhar, com personagens fortes e independentes, aborda temas atuais, é jovem e adulta ao mesmo tempo.

Para aqueles que ficaram curiosos com a trilha sonora, deixo a playlist completa disponível no Spotify:

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