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Por: Bruno Carvalho

Crítica: Mulher-Maravilha 1984 exalta a superação em um filme grandioso e otimista

Foi preciso que a DC abandonasse a paleta dessaturada e cansativa de Zack Snyder (Liga da Justiça) para que seu universo cinematográfico pudesse finalmente prosperar, algo que começou com Aquaman (de James Wan) e seguiu com Shazam (de David Samberg). Mas é com Patty Jenkins retornando no comando desta sequência que o selo ganha o seu melhor exemplar até hoje: Mulher-Maravilha 1984.

Cerca de 70 anos após os eventos do primeiro longa, reencontramos Diana Prince (Gal Gadot) trabalhando no Smithsonian em Washington D.C. e vivendo uma vida solitária, saudosista e fora dos holofotes, algo que certamente aprendeu nessas longas décadas, realizando pequenos e discretos atos de heroísmo ao seu redor.

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Isso tudo muda, claro, depois que ela conhece a colega Barbara Minerva (Kristen Wiig) no trabalho e estabelece uma relação de amizade que inevitavelmente será abalada quando um inadvertido magnata da TV Maxwell Lord (Pedro Pascal, The Mandalorian) começa a demonstrar um interesse demasiado em um dos achados do museu.

Há, contudo, um enorme spoiler que relaciona as interações entre os três e que evitarei tratar aqui de forma direta, já que trata-se de um acontecimento extraordinário que pauta o restante da narrativa e que até mesmo explica como e em que capacidade Steve Trevor (Chris Pine) retorna após sua morte.

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O que posso dizer é que, ao contrário da maioria dos últimos títulos de herois (tanto na TV, quanto nos cinemas e em ambos os selos), Mulher-Maravilha 1984 traz os dois vilões que são muito bem delineados e que acabam se complementando, não apenas com relação às suas motivações, como também na construção de suas narrativas.

Isso resulta em um filme que é 100% coerente, surpreendente e divertido do início ao fim, contando com excelentes cenas de ação (incluindo a primeira e belíssima em Themiscyra), ao mesmo tempo em que consegue tocar em assuntos pertinentes (o assédio sexual e moral que mulheres sofrem o tempo todo é um tema recorrente) e acaba passando uma mensagem de otimismo e superação, que coincidentemente surge em um ano em que tanto precisamos disso.

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Maior em escala de produção e em ambição de seu coeso roteiro, MM84 também faz jus à história da heroína, criada justamente para trazer uma nova perspectiva num universo outrora dominado por herois masculinos e violentos. É no empoderamento feminino, claro, que a parceria Gadot-Jenkins chega em seu ápice até agora, colocando o foco na garra e resiliência desta mulher.

Há apenas um elemento do filme que não gostei: o embate visto no terceiro ato entre Diana e seus algozes, – agora a já transformada Mulher-Leopardo e um Max Lord completamente insano, exagerado e tomado pela consequência de seus atos – numa sequência rápida e escura demais, que praticamente apaga os méritos técnicos do longa.

Felizmente, contudo, este é o único ponto a ser ressalvado, pois em todo o restante do filme temos ótimas sequências que saltam do humor ao drama emocional, indicando que este é e deve ser o caminho que a DC deve seguir, – não usando uma paleta de cores e otimismo – mas com ousadia em criar uma história que se destaca por sua identidade e que se sustenta num texto coeso, com ótimos personagens e excelentes interpretações.

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