Touch: 1+1=3

Por Davi Garcia

[com spoilers do episódio 1×02] No encerramento do texto em que elogiei o Piloto de Touch, eu disse que acompanharia a sequência da série para descobrir se ela era mais que uma promessa ou só outra boa ideia que seu criador estragaria. Pois bem, alguns dias se passaram, o 2º episódio veio e o que era dúvida já virou certeza: é mais fácil 1+1 dar 3 do que Tim Kring conseguir escapar da sina de pegar uma premissa curiosa e detoná-la num festival de equívocos como já fizera anteriormente com Heroes. A diferença de Touch para aquela série, é que na finada aventura de heróis e vilões improváveis, o barco só começou a afundar depois de 20 e tantos episódios, enquanto nessa nova iniciativa, o naufrágio iminente parece se revelar bem mais cedo por conta de uma uma narrativa frágil que expõe uma trama que tenta ser complexa, mas que no fim é só exagerada demais para ser levada minimamente a sério. Nesse contexto, diálogos ruins (“ele enxerga o universo e a dor(!) nos números” Oi?), performances rasteiras e personagens caricaturais (vide o Arthur Teller de Danny Glover que parece representar apenas a figura clichê daquele senhor sábio) tampouco ajudam a conferir alguma dimensão maior ao suposto dom do garoto Jake e os esforços de seu pai, feito por Sutherland, para entendê-lo. Some-se ainda o fato das histórias que se cruzam neste episódio apresentarem argumentos pouco interessantes como o da aeromoça aparentemente fútil que de repente resolve ajudar um desconhecido ou mesmo uma ‘reviravolta’ boba como aquela do mafioso que se sensibiliza de uma hora para outra e temos o resumo da ópera para Touch: uma série que força muito e consegue pouco. Dito isso, provavelmente verei mais um ou dois episódios da série, mas dada a decepção deixada por este episódio, a intenção de abandoná-la logo já é grande.

Outras observações:

– Em dado momento do episódio, a assistente social abre uma porta e vê uma luz forte. Para que serviu aquela cena, afinal?

– A reunião de Sutherland com Jude Ciccolella, seu ex-colega de 24, merecia cenas melhores que aquelas na loja e na ponte, não?

– Cá entre nós. Será que é muito caro arrumar um cachorro como aquele que já vém com GPS instalado? Sim, porque só isso explica o fato do animal ter saído do movimentado aeroporto JFK e passeado pelas ruas de Nova York como se estivesse no quintal de casa.

– Aliás, por falar em exageros,  que tal a menina russa de 10/12 anos que sabia exatamente quem era Tony Soprano? Precoce ela, não?