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Por: Bruno Carvalho

What They Died For

(LOST “6×16: What They Died For”) Desde seu primeiro episódio LOST é e sempre foi uma série carregada de filosofia, simbolismos e metáforas. Por isso, foi com muita naturalidade que encarei os eventos que começaram a tomar forma a partir do final da 5ª temporada com a exposição crescente da história dos homens por trás da cortina – Jacob e seu irmão Homem de Preto – até culminar no controverso (porém fenomenal) Across the Sea. E se naquele dia comentei que não veríamos mais a série com os mesmos olhos, tal fato realmente aconteceu neste What They Died For, o penúltimo capítulo que chegou repleto de grandes e inesperados acontecimentos. Um dos principais ocorreu logo no início, depois que Ben passou pelo túmulo de sua filha Alex e nós voltamos a enxergar o sujeito dúbio e passional que sempre foi. Afinal, ainda que ele esteja ao lado do “monstro”, é possível que tudo não passou de mais uma articulação para ele ter a oportunidade de matar Widmore e obter informações privilegiadas da entidade. Como vimos em Dr. Linus, Ben é essencialmente bom, mas constantemente testado e corrompido pelo mundo à sua volta. Além disso, é difícil aceitar que ele entregaria os pontos tão facilmente depois de seu notório crescimento.

Na outra realidade, a narrativa seguiu no tom de preencher algumas lacunas (com Jack, Ben e Locke) e também deu continuidade à missão de Desmond em reunir os candidatos fora da ilha. Contudo, confesso que nesta altura a série poderia muito bem ter avançado mais o passo, pois nós inevitavelmente já entendemos qual é a ideia. Ainda assim, foi agradável rever Ana Lucia e Danielle Russeau. Mas eis que em seu ato final o episódio adotou o ritmo imediatista que deverá tomar conta do Series Finale, com uma conversa bem franca do agora visível Jacob com seus candidatos restantes. E mesmo trazendo poucos fatos novos depois do estrondoso capítulo anterior, importantes peças foram lançadas sobre os motivos que ensejaram a “retirada” forçada daquelas pessoas de suas vazias e errôneas realidades, ampliando o conceito de que “a ilha precisa de vocês e vice-versa”. Vimos aqui também momentos que muitos certamente considerarão satisfatórios, como o aceite definitivo de Jack no encargo de substituir o Homem de Branco, a razão por qual Kate teve seu nome cortado e, é claro, a importância de Desmond nisso tudo. Eu particularmente queria ver mais dos belos arquétipos que a série passou a desenvolver (e capazes de gerar reflexões mais profundas), mas era inevitável que este capítulo necessitava empalidecer perante o evento do próximo domingo, pois acabamos de testemunhar o verdadeiro início do fim.

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