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Por: Bruno Carvalho

A Decadente Trajetória de Weeds

Weeds estreou em 2005 no canal Showtime americano com um humor subversivo, crítico e inteligente, contando a história de Nancy Botwin, uma mãe de família que encontrou no cultivo e tráfico de maconha o único e desesperado meio de manter e sustentar o nível de vida sua prole após a súbita morte do marido. Na primeira temporada fomos introduzidos a este curioso universo que tinha como pano de fundo o condomínio Agrestic, lugar que representava a hipocrisia da sociedade moderna e era lar de figuras igualmente problemáticas como Celia, Dean e Isabelle Hodes e o malandro Doug Wilson. Na segunda temporada, vimos que os “negócios” de Nancy prosperaram, mas acabaram trazendo diversos problemas para sua família, o que culminou na destruição do condomínio ao final da terceira temporada – o ápice da série. De lá pra cá a dramédia abandonou seu berço (além da ótima abertura) e desceu a ladeira. Assim como a família de Nancy, o roteiro não mais conseguiu se encontrar, constantemente mudando de cenário, passando por Ren Mar, Tijuana, Seattle, Aspen, Michigan, Dinamarca e, finalmente, Nova York.

A nova temporada começou ontem nos EUA como uma paródia mal feita da boa comédia que se iniciou sete anos antes. A criadora Jenji Kohan, demonstrando não ter o menor carinho com sua protagonista, fez Nancy Botwin virar uma quase irreconhecível caricatura de si mesmo. Depois de ter assumido a autoria do homicídio de Pilar cometido por seu filho Shane, Nancy aparece num presídio em Nova York (o que juridicamente não faz o menor sentido) mantendo um romance lésbico com uma colega de cela e a série retoma a narrativa no dia de sua audiência condicional. Com Estebán convenientemente morto graças ao roteiro preguiçoso, os indulgentes Botwin (e Doug) estão prontos para iniciar mais um ano de incoerentes “aventuras”, desta vez envolvendo até mesmo uma mala cheia de granadas (por que eu nao me surpreendo?). Weeds perdeu sua identidade há 4 anos, nunca conseguiu se reerguer e desde então segue numa sobrevida inegavelmente sustentada na beleza e no carisma de Mary Louise-Parker. Jenji Kohan provou que sabe criar histórias, mas não sabe como contá-las e muito menos a hora que deve parar.

17 respostas para “A Decadente Trajetória de Weeds”

  1. Pedro Araujo disse:

    Weeds tava na minha fila de séries atrasadas pra assistir. Mas depois dessa, to achando que vou elimina-la.

    A vontade que eu tinha de assistir era justamente pela premissa e pelos diversos elogios que a série recebeu, mas essa vontade também já vinha se desfazendo com as várias críticas que vinha recebendo ultimamente.

    Acho que esse foi o aviso final.

  2. Monica disse:

    De maneira alguma Weeds perdeu sua identidade. Muito pelo contrário, ela foi melhorando cada vez mais.

    Uma série nesse estilo se fosse ficar durante sete temporadas na mesma cidade, no mesmo estilo, com o mesmo roteiro, seria um saco. Graças a Deus a cidade foi queimada na 3ª temporada, pois para mim foi a pior temporada. A grande inovação que foi a 4ª e a incrível 6ª temporada faz de Weeds a grande série que é.
    Claro que Celia e alguns personagens antigos fazem muita falta, mas acredito que a série não poderia estar melhor. Discordo completamente de seu comentário sobre trajetória decadente e sim digo que é ascendente.
    Claro que não digo isso como uma verdade universal, mas apenas como o outro lado da moeda, já que muitos (e posso dizer que a grande maioria) dos fãs da série acharam a 6ª temporada a melhor.

  3. Igor disse:

    Que tal escrever sobre a também decadente trajetória de Californication?

  4. Bruno Carvalho disse:

    É uma boa sugestão. Contudo, Californication pelo menos mantém-se fiel a sua premissa, mesmo com queda na qualidade. A temporada passada encerrou-se de forma satisfatória, ao contrário dos 3 últimos season finales de Weeds.

  5. Lucas disse:

    Gostei da premiere assim como gostei muito da 6ª temporada. Pra mim houve uma queda de qualidade na quarta temporada, a quinta foi horrível e na sexta deu uma recuperada.

  6. Gregório disse:

    Sei lá, acho que, pelo menos, a série tentou dar uma ousada, avançar sua história… Coisa que não é muito comum nas séries americanas. Algumas coisas ficaram ruins mesmo. Mas não acho que seja essa tragédia toda que tu diz, Bruno.

  7. Rodolfo disse:

    Decadente? Não mesmo.

    A 5ª temporada foi morna. De resto, todas foram ótimas. A 2ª temporada então, nem se fala. A melhor de todas.

    Curto muito Weeds, amo Mary-Louise Parker e considero a série uma das melhores em exibição. Curto esse tipo de drama misturado com humor sútil. Weeds é uma das melhores nesse segmento.

    O 6º ano foi muuuuuuuuuuuuito bom e espero que a 7ª temporada mantenha o nível.

    Já assisti ao 7×01 e tô confiante em um bom ano.

  8. Eduardo Muniz disse:

    Weeds é mto melhor do que mta série que ta no ar atualmente.

    Gostei da 1ª temporada, adorei a 2ª e amei a 3ª. Ao chegar no fim da 3ª temporada, não tem quem ñ se declare fã da série. Independente de local onde os personagens estejam, ele são os personagens pelos quais me apaixonei no decorrer de 3 temporadas.

    Nenhum deslize que a série cometeu na 4ª e 5ª temporada me deixaram insatisfeito. Não foi nada insuportável que me desse vontade de parar de ver. Como o Rodolfo já citou, a 6ª temporada foi muuuuuuito boa.

    Ainda não assisti o 7×1, mas to com bastante expectativa.

  9. Lolo disse:

    Concordo plenamente. A série começou sensacional, se manteve ótima por alguns anos, mas especialmente a última temporada foi bem fraca, e o início desta deixa indícios que não vai ser tão legal assim. Depois desta a série acaba né?

  10. Lucas Freire disse:

    Na verdade, produção decidiu reformular a série a partir da 4ª temporada para não ficar na mesma história que com o tempo ia enjoar os fãs da série e acabar perdendo toda a graça. Concordo que depois da mudança a história foi inferior ao que a série mostrava antes, mas ainda sim deu pra desenvolver uma ótima trama que desencadeou uma série de problemas e confusões podemos acompanhar na espetacular 6ª temporada. Já a 7ª estreou mostrando que também será uma temporada totalmente diferente do que a série já mostrou, e isso é o que faz de Weeds uma série ousada que prefere explorar novos rumos do que continuar batendo na mesma tecla como a maioria das séries que estamos costumados a ver. Não é a toa que a série é a comédia de maior audiência da Showtimne. Além disso Sex and the City, Gilmore Girls, Will & Grace e Weeds provam que Jenji Kohan sabe sim escrever roteiros de qualidade criando excelentes histórias e personagens inigualáveis.

  11. Arthur Manenti disse:

    Concordo totalmente. A série só melhorou! A sexta foi muita boa e o premiere da sétima foi MUITO bom.

  12. Francisco de Oliveira disse:

    A opinião do pessoal que continua gostando de Weeds aqui, no geral, corresponde à minha. Discordo dessa ideia de decadência. Claro que Weeds teve alguns baixos, mas ainda é uma série de qualidade. E ainda tem o mérito de ousar se reinventar, saindo de Agrestic; conseguiram perceber que a antiga abertura não faria o menor sentido pós-Agrestic e já sinalizavam isso no fim da terceira temporada, quando a abertura foi “incendiada”. Sensacional. As novas aberturas são simples, porém são boas sacadas, utilizando elementos que estão presentes no episódio. Sensacional.
    Weeds não se limitou a um cenário, a uma fórmula, a uma situação. Geralmente, quando os personagens de uma série vão embora, é series finale. Weeds caminhou com os personagens.
    Neste episódio, a morte de Estebán foi mesmo meio decepcionante. Mas, o romance lésbico pra mim foi algo até natural. Foram anos na cadeia. E isso me remeteu de imediato ao excelente filme Leonera. Assistam. ;D
    Agora, o presídio era em Nova York mesmo?

  13. Mauro César disse:

    Então, se a série fica sempre nos mesmos temas e no mesmo cenario é acusada de ser repetitiva, mas se tenta se renovar todos dizem que perde sua essência e tal. Eu não sou muito fã da 4º temporada de weeds(apesar de achar uma boa temporada) mas a mudança não foi o motivo de eu não ter gostado, e sim por que alguns plots foram desinteressantes e a série perdeu um pouco do seu humor negro. A 5º temporada foi a pior de todas, com certeza. Já a 6º foi excelente. Tivemos um aprofundamento dos principais personagens, sem falar que teve uma vibe de road movie bem legal. A série conseguiu se reerguer depois da 6º e a seson premiere da 7º foi excelente.
    Sobre a Nancy ser/virar lesbica não acho que seja tão implausível assim. O melhor adjetivo dessa personagem tão fantastica é que ela é imprevisivel. Queimar a casa, matar, vender drogas, etc. E mesmo sendo imprevisivel ela continua sendo a Nancy, uma personagem com um puta carisma. E não acho que o envolvimento dela com a mulher do presidio tenha sido por amor.
    E sobre as saidas faceis do roteiro. Eu adoro isso no seriado. Desde a morte do U-turn na terceira temporada (que foi do nada). Puts, se prolongassem ainda mais essa historia do Estaban ia ficar chato de mais.
    Enfim, acho weeds uma das melhores séries atuais, com os melhores roteiros. E ainda tem a Mary-Louise Parker

  14. Ugo Portela disse:

    De vez em quando eu vejo que os reviews de diversos blogs atacam o seriado quando os autores ‘deixam de ser fiéis à premissa”. Como você espera que se mantenha a mesma premissa sem desgastar? Como um seriado vai entreter as pessoas se ele vai ser sempre o mais do mesmo? Há seriados que conseguem fazer isso, mas são poucos e eles se baseiam em assuntos totalmente genéricos (vide Friends), em que a piada é sobre quase sempre a mesma coisa.
    Não dava para Weeds durar 7 anos em Agrestic, além do mais a série seguiu sempre uma linha de raciocínio e uma história razoavelmente coerente (meio difícil ter algo muito coerente nessa história, ela é quase surreal). De vez em quando acontece algum corte brusco em roteiro ou elenco, mas faz parte do mundo dos seriados, nada aqui é uma história perfeita. E por fim a gente viu o crescimento dos personagens, coisa que me dá uma grande vontade de rever o seriado desde o começo e ver o que era Shane 7 anos atrás e como ele está hoje, além de Silas e do resto dos personagens.
    De vez em quando esse espírito ‘crítico’ dos editores de blogs de seriados acaba cegando a beleza que reside na simplicidade das coisas e do fluxo natural delas.
    Take it easy, brother.

  15. alfeu disse:

    Eu parei na 5ª temporada.
    Eu gostava mais da parte drama da série.O fato deles contestarem a sociedade burguesa americana a todo momento nas primeiras temporadas me atraia.
    Depois, acho que a série assumiu um lado extremamente cômico e esqueceu o drama dos personagens.
    Ai eu fui assistir Breaking Bad e não me arrependo..hehehe

  16. Ana Alves disse:

    Aconselho assistir. A série é ótima, muito bem escrita, uma das melhores que já assisti! Não deixe de levar por essa crítica negativa! Assista sim, tire você mesmo sua conclusão!!!!

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