FOTO: REPRODUçãO

Por: Davi Garcia

Fringe: One Night in October

Por Davi Garcia

O que define quem somos? O ambiente que nos cerca, as escolhas que fazemos ou as pessoas com quem nos relacionamos? Essas questões são o cerne de “One Night in October”, o excelente 2º episódio do quarto ano de Fringe que, de forma muito inteligente, usou o caso da semana como um espelho para o grande arco desse início de temporada. Concentrado na investigação que colocou um psicólogo forense do lado de cá em contato com seu doppelganger serial killer do lado de lá, o episódio não só expôs as diferenças de personalidade agora ainda mais acentuadas entre as duas Olivias, como também evidenciou um pouco mais as alterações na linha temporal provocadas pelo sumiço de Peter. Fica implícito, por exemplo, que Henry (o filho que BOlivia teve com Peter) não existe nesse contexto e claro que o Broyles de lá não está morto. Assim, se por um lado esses eventos parecem indicar que estamos vendo dois novos universos que não aqueles que encerraram a 3ª temporada, por outro temos Peter se manifestando com um pedido de socorro a Walter como se estivesse preso numa espécie de limbo entre as duas dimensões, ideia que inclusive fica explícita através do glyph code (abaixo) mostrado durante o episódio.

Ao dar destaque ao conceito do incidente que muda tudo na vida de uma pessoa, “One Night in October” construiu, através dos olhos do professor John (John Pyper-Ferguson em bela participação especial, diga-se) e o contato que este tem com sua cópia, a reflexão sobre o que nos molda a partir do convívio e da troca que estabelecemos com outras pessoas e do impacto que isso tem sobre as escolhas que fazemos a partir dali. Nesse panorama, o desfecho do caso e do episódio reforça a mensagem – de uma maneira um pouco expositiva demais, é verdade – de que Peter deixou uma marca indelével nas vidas de Olivia e Walter ainda que ambos não racionalizem a falta daquele que, para eles, teoricamente nunca existiu.

Dando uma ideia de como a temporada evoluirá num nível pessoal em função da ponte que se estabelece entre os dois universos e a eventual interação dos doppelgangers (como o Lee de cá reagirá ao encontrar com o de lá?), “One Night in October” revela não apenas caminhos bem curiosos sob a perspectiva emocional de cada um dos personagens principais (as Olivias, a partir do soberbo trabalho de Anna Torv, tendo que lidar com as diferenças e com tudo o que as torna iguais, por exemplo), como também reforça o conceito de que o 4º ano de Fringe com suas muitas perguntas, promete ser uma montanha russa constante cheia de boas possibilidades e de muitas surpresas. Alguém duvida?

11 respostas para “Fringe: One Night in October”

  1. Ainda sobre o legado que as pessoas deixam na gente, nessa “nova” história, a Olivia matou o pai dela, não atirou e nunca mais foi visto, deixando aquele lance dos cartões. Lembro que Peter e ela se conheceram em Jacksonville, então… esse pode ter sido mais um efeito sobre eles. Corrijam-me se estiver errado.

  2. Achei um baita episódio, principalmente por servir de analogia para entender que Peter mesmo “apagado”, permanece na lembrança na alma de Walter,mas eu pensei que o Lee over there não aparecesse, pois no primeiro episódio ao encontrar com o Lee over here, Bolivia não esboçou nenhuma reação, logo ela, tão extrovertida. Achei um pequeno erro dos roteiristas.

  3. Bruno Carvalho disse:

    Como bem apontado pelo Davi, esta temporada será sobre escolhas.

    O estabelecimento da “ponte” entre os dois universos com a trégua das Fringe Divisions está sendo muito bem explorada.

    Esta ideia de mostrar como a vida da versão paralela de determinado indivíduo é alterada de acordo com o fenótipo foi fenomenal. Espero que a série continue explorando estas novas possibilidades que surgem a cada temporada.

    Fringe está incrível como nunca.

  4. Davi Garcia disse:

    A BOlivia reage sim quando vê o Lee do lado de cá. Reveja o finalzinho da premiere e notará que ao se encontrar com Olivia ela dá um sorriso ao ver que esta estava acompanhada do Lee ;)

  5. Carol Graziano disse:

    Alguns reclamaram que esse episódio foi um filler, mas olha, se todo filler de série fosse assim, a palavra filler não teria a conotação negativa que se atribui a ela. Foi um senhor episódio! O paralelo da mitologia com o caso da semana foi fantástico, e foi se revelando aos poucos. Gostei muito da interação entre os dois lados, as “novas escolhas” que foram feitas pelo pessoal do lado de cá sem o Peter, enfim… Acho que está tudo muito interessante. Ponto positivo para a série, que continua mantendo a qualidade!

  6. a foto do sofá é alusiva ao logotipo da Maxwell

  7. Ana disse:

    Verdade Matheus, notei isso também. Com certeza, o encontro com o Peter em Jacksonville, evitou que ela matasse o seu padrasto. É incrivel como os roteiristas estão conseguindo explorar essa falta do Peter e as consequencias de sua ausência.

  8. Zé das Couves disse:

    Excelente episódio! No início (nos “previously on Fringe”), o Walter fala dos infinitos universos. Acho que está claro que esses universos aí do episódio são só dois em uma infinidade deles (Peter está em um terceiro tentando se comunicar). E não me surpreenderia se o NOSSO fosse um quarto ainda por vir.

  9. Adolfo Brás disse:

    Infinitos universos, como citou nosso caro colega Zé das Couves… A questão é justamente essa… A inexistência de Peter nos sugere terem se criado dois universos paralelos em relação aqueles que acompanhamos ao longo das três primeiras temporadas de Fringe, e esses dois novos se ligam um ao outro… Mas, algumas questões ainda me faço, e a principal delas é justamente tentar entender que motivos levaram à comunicação entre os universos paralelos, dado que Peter não existiu, e o fator preponderante até o final da terceira temporada para a comunicação entre os dois universos estava justamente ligado a Peter…

    Um outro detalhe interessante é que, se Peter jamais existiu, como a máquina entrou então em funcionamento, dado que ela era, até a terceira temporada, intimamente ligada a Peter Bishop…?

  10. Lussianno disse:

    Excelente a trama desse episódio(lembrar de dexter é bem óbvio aqui né rs). As atuações da Anna não me surpreendem mais desde o Marionette. Já o convidado Pyper-Ferguson foi demais. Personagem exalando empatia. E Walter é hour-concours né. Eu revi há pouco a primeira temporada e é impressionante vc notar as reações dele pra uma história que a gente ainda não conhecia, mas que já estava lá em suas feições. A sequência em que ele escuta Mozart é comovente, assim como é desesperadora a cena final. Por todas as nuances, atuações, enredo, esse ep. entra pra minha lista de top’s. “Um homem deve acalmar sua alma”. Fantástico!

  11. Márcio Leite disse:

    Para quem assiste Fringe desde o começo, mesmo quando um ou outro episódio fica um pouco abaixo (muito mais pela nossa expectativa), todos eles são de uma coerência e amarração de fatos que nunca vi antes.

    Esse episódio demonstra o espírito de toda a série: não é apenas o episódio em si, mas a marca que ele deixa em nossas mentes para conectar um fato ao outro.

    É por isso que eu adoro essa série.

Deixe uma resposta

ss