FOTO: REPRODUçãO

Por: Davi Garcia

Palestra: Jack Bender, Diretor de LOST, no Brasil

Por Patrícia Azeredo, especial para o Ligado em Série

O título de sua palestra no Rio Content Market (congresso sobre produção de conteúdo) era “Séries de Longa Duração”. E Jack Bender já trabalhou em várias: Alias, The Sopranos e até em Beverly Hills 90120 (a Barrados no Baile original dos anos 90), mas o papo acabou sendo mesmo sobre LOST, da qual foi produtor e principal diretor durante seis anos.

A apresentação já começou com um belo vídeo resumindo os três primeiros (e excelentes) anos da série. O diretor até falou da infância na Califórnia dos anos 60, onde andava de bicicleta para todo lado. Legítimo filho da geração paz e amor, Bender tem uma visão romântica do trabalho artístico e acredita na intuição acima de tudo, mesmo deixando claro que se cerca de bons técnicos e confia na equipe e nos atores para garantir um belo resultado.

Para ele, “os dispositivos mudam, mas as histórias não,” o importante é “achar a verdade” da história a ser contada. Citando Ícaro, personagem da mitologia grega que fez asas de cera e acabou morrendo porque elas derreteram ao voar muito perto do sol, Bender alega que a lição a ser aprendida não é que Ícaro não deveria ter voado e sim construído asas melhores.

Ainda no estilo paz e amor, o diretor, que também é pintor e dava sua a palestra enquanto desenhava numa grande tela em branco diante da plateia, lembrou a importância das falhas: “Não se preocupe com a perfeição.” Afinal, a vida não é perfeita e não tem todas as respostas.

Por falar em respostas, Bender perguntou à plateia quem não havia gostado do final de LOST. Um terço da sala levantou a mão (inclusive esta que vos escreve). Sem qualquer sinal de contrariedade ou arrogância, ele obviamente discordou, dizendo-se orgulhoso do seu trabalho e citando o argumento já conhecido dos fãs que a série é sobre pessoas. No caso, personagens que lutavam para serem pessoas melhores. “Nós acompanhamos esta luta e vimos estas pessoas morrerem.” Mas como manter o foco nos personagens diante do paradisíaco Havaí? Bender alternava as imagens do cenário com closes nos atores.

A série marcou a vida do produtor, deixando Bender mais compreensivo e aberto a novas ideias. Impossível não ser assim diante de tantas variáveis envolvidas na produção de um episódio.

Esta foi a senha para algumas histórias sobre a ilha mais famosa do mundo das séries. Você sabia, por exemplo, que os famosos números malditos do Hurley nasceram do mais puro desespero? Após ter um roteiro recusado pela emissora, alguém veio com a ideia: “E se o Hurley ganhasse na loteria?” Daí para Bender decidir pintar os números na parede da escotilha foi um pulo (sim, o desenho é obra dele). E o resto é história.

As temidas “observações da emissora” renderam um caso divertido: uma cena de “The Constant,” primeiro episódio em que Desmond viaja no tempo, mostrava um rato andando num labirinto. O diretor cismou de dar um close no roedor para mostrar que ele também viajava no tempo e ficava tão desorientado quanto o brotha. Um executivo teve o bom senso de perguntar: “Mas como é que o espectador vai saber o que o rato está pensando?” Bender riu: “Ele literalmente queria saber qual era a motivação do rato!” Diante de tal argumento, só restou descartar a estranha analogia.

O produtor também lembrou que Sun e Hurley foram criados apenas porque a equipe adorou o teste de Yunjin Kim e o trabalho de Jorge Garcia em Curb Your Enthusiasm, além de elogiar o talento de Evangeline Lilly que fizera apenas pontas em séries antes de interpretar a Kate.

Bender ressaltou que o piloto de LOSTainda é o mais caro já feito e definiu a relação entre roteiristas e diretores com a seguinte metáfora: “Eles (escritores) criam a receita, nós somos os chefs e a executamos.”

Enquanto fazia traços fortes retratando um garoto, uma montanha e um Cristo Redentor estilizado com um céu azul de fundo, Bender desenhou um sol e lembrou as especulações geradas pela sua obra na famosa escotilha onde Desmond apertava o botão a cada 108 minutos. “As pessoas acharam que as cores representavam os poderes de cura da ilha e os círculos concêntricos simbolizavam a civilização perdida de Atlantis.” E faz questão de desfazer o mito: “A verdade é que eram as únicas tintas que eu tinha à mão e desenhei os círculos porque deu vontade.”

Longe de criticar a imaginação ativa dos fãs, para ele isto só prova que uma vez feita uma obra de arte, ela é do mundo, “como uma mensagem posta numa garrafa e jogada ao mar.” Demonstrando humildade, Bender também admitiu não ficar satisfeito com alguns episódios e mencionou que algumas cenas do monstro de fumaça não seriam do seu agrado, lembrando que televisão se faz rapidamente (um roteiro é filmado em cerca de duas semanas), sendo portanto sujeita a erros. Para ele, aliás, filmar é gerenciar crises, “resolver o que sai errado.”

Bender também falou um pouco de Alcatraz, resumindo o plot da série e perguntando se alguém da plateia havia visto seu novo trabalho, ficando satisfeito com a quantidade de mãos levantadas. A impressão que fica da palestra é das melhores: um cara gente boa e inegavelmente talentoso que aparenta ter se divertido muito trabalhando numa série capaz de render discussões e polêmicas até hoje.

26 respostas para “Palestra: Jack Bender, Diretor de LOST, no Brasil”

  1. OzzyCrazy disse:

    Esse cara é foda!

  2. Ismael disse:

    Pena que os tais “observadores” da emissora não vetaram a sempre fácil fuga para magia que aconteceu em lost.

    Se tivesse ido pelo caminho de desvendar o mistério da iniciativa Dharma ao invés de bobagens como dizer que “É assim porque a Ilha quer”, teríamos algo realmente espetacular do início ao fim.

    E não somente até a segunda temporada, que foi quando começou a degringolar para explicações mágicas.

  3. Davi Garcia disse:

    Fuga para magia? Quando que isso aconteceu, Ismael? O sobrenatural sempre esteve presente na série desde o início ainda que em menor escala. Então era tudo bem pro monstro de fumaça que aparecia desde a 1a temporada e pau na fonte de luz da última? E outra, eu nunca vou entender os que criticam a falta de respostas para alguns mistérios e ao mesmo tempo reclamam com a resolução da história focada nos personagens. Não foi o interesse de milhões de pessoa na história daquelas pessoas (e na forma como ela era contada) que fomentou o sucesso da série em primeiro lugar? Enfim… Já disse isso antes e repito: LOST não foi uma série perfeita (nenhuma jamais será), mas depois que ela acabou virou lugar comum as pessoas criticarem a série pelos motivos errados e de forma contraditória.

  4. Ismael disse:

    Davi

    “Fuga para magia? Quando que isso aconteceu”

    Não lembro o ponto exato, mas até já pensei em conferir e escrever um post a respeito, para meu blog que nunca crio.

    Mas abaixo vou descrevendo.

    “O sobrenatural sempre esteve presente na série desde o início ainda que em menor escala.”

    Não, tínhamos mistério. Nunca foi confirmado o sobrenatural, a não ser quando degringolou de vez, com a ilha “querendo” e “ordenando” coisas.

    Exemplo, o pai do Jack aparecendo. Grande chance de sobrenatural, mas se tinha muita teoria sobre algum delírio ou algo parecido.

    “Então era tudo bem pro monstro de fumaça que aparecia desde a 1a temporada”

    Ah, tá bom, vai me dizer que desconfiou do monstro como sobrenatural desde o início. Ele virou algo mágico quando resolveu virar o grilo do pinóquio, servindo de consciencia para as pessoas. Começou com aquele africano, esqueci o nome, Mr Eco ?

    E o som de correntes que ele tinha, barulho de algo movido a vapor… ?!

    Tudo isso pendia muito mais para uma explicação de algo mecânico e fisicamente possível, embora implausível.

    “pau na fonte de luz da última”

    Paulada sem perdão naquilo sim e na fuga para magia desde o meio, não só no final não.

    “E outra, eu nunca vou entender os que criticam a falta de respostas para alguns mistérios e ao mesmo tempo reclamam com a resolução da história focada nos personagens.”

    Nem sei do que fala aí.

    “Não foi o interesse de milhões de pessoa na história daquelas pessoas (e na forma como ela era contada) que fomentou o sucesso da série em primeiro lugar?”

    Sim, mas isso ignora que no meio ela praticou um estelionato no meio do caminho. Vendeu uma coisa e depois fugiu para outra.

    Talvez o ponto mais surpreendente da série seja a revelação do conteúdo da escotilha, seguido do primeiro vídeo da Dharma. Infelizmente isso tudo foi jogado no lixo.

    “depois que ela acabou virou lugar comum as pessoas criticarem a série pelos motivos errados e de forma contraditória.”

    Isso é longe de ser verdade. As reclamações começaram no meio do caminho, justamente quando começaram as pataquadas como ilha querer, ilha pular para lá e para cá.

    E só reclamo justamente porque adorava a série e me senti, junto com muita gente, logrado por uma aparente preguiça criativa. Resolveram fugir para o caminho mais fácil.

  5. Zé Picelli disse:

    Ele parece ser muito gente boa mesmo. Como eu gostaria de ter ido esse ano. Primeiro Alison Mack, depois ele.
    Ótimo texto, Paty!

  6. Wellington disse:

    Ismael.

    1 – O Sobrenatural não é o caminho mais fácil, inclusive a explicação sobre o monstro foi deverás complexa (tanto que muita gente não a entendeu).

    2 – A Partir do Momento que mostrou que o Monstro era uma Fumaça Negra, qualquer coisa que não o sobrenatural seria ridícula para explica-lo. Dizer que ele foi um experimento Dharma sim, seria a saída fácil.

    3 – Todos os Grupos tinham mitologias ricas e estavam errados sobre a maior parte dos acontecimento, e nenhum grupo ou personagem tinha a verdade completa sobre a Ilha. Havia apenas aspectos da verdade que os grupos interpretavam (algo semelhante ao mundo real nesse caso).

    4 – A Fonte de Luz não era Mágica, aquilo era magnetismo provocado pela presença de Monopolo (procure um livro de física).

  7. Wellington disse:

    A Ilha saltar também era algo cientifico.

    _________________________________________

    As falhas que acredito que série teve foram:

    – O episódio das tatuagens.
    – Algumas mortes foram antes da hora, como o caso da Libby.
    – O finalzinho, ter partido para uma dimensão espiritual ao invés de completar o último aspecto do ciclo temporal, algo que estava presente na série desde o inicio, e que fazia sentido tanto com o fim da quinta temporada, quanto com a viagem do Desmond. Nesse ponto creio que os produtores voltaram atrás da ideia original (que acabaria numa justaposição literária, tão usada pela série – alias deve-se elogia que Lost tenha sido o único seriado a usar a Linguagem Literária, a não uma história literária, para se desenvolver – devido a não ter como terminar a realidade alternativa sem utilizar para esse ponto da história o artificio usado nos Sopranos, que poderia diluir o impacto do final na realidade principal, apesar disso eu gostaria que a realidade especular termina-se apenas com a descoberta da outra realidade e depois simplesmente parassem de contar a história, com um Não-Final Kafkaniano).

  8. Wellington disse:

    O que havia de canônico nos jogos, como o video da Dharma e a busca do Oceanic, poderiam ter virado conteúdo de DVD também.

  9. Ismael disse:

    “1 – O Sobrenatural não é o caminho mais fácil”

    Lógico que é, o próprio termo já diz isso. É fora das leis da natureza, ou seja, eu posso dizer qualquer coisa. A complexidade que se referiu então pode servir de enrolation.

    “A Partir do Momento que mostrou que o Monstro era uma Fumaça Negra, qualquer coisa que não o sobrenatural seria ridícula para explica-lo”

    Sim, piorou muito, mas foi depois da primeira aparição que ainda surgiram os sons de correntes e e mecanismos a vapor.

    “A Fonte de Luz não era Mágica, aquilo era magnetismo provocado pela presença de Monopolo (procure um livro de física).”

    A série da segunda temporada pra frente foi toda de magia. Eu critico é o fato de terem desperdiçado o excelente começo da iniciativa Dharma e ciência.

    Uma coisa é ir assistir um filme da série Harry Potter com suas magias. Outra é quando vira muleta para resolver as idéias “excessivamente criativas” do cidadão.

  10. Ismael disse:

    “A Ilha saltar também era algo cientifico.”

    Verdade, nesse ponto até se pode dar um desconto, seria uma coisa meio Fringe: Extremamente exagerada, mas ainda teoriacamente possível.

    Mas “ilha querer”, “ilha funcionar como colete a prova de balas para o Michael” entre outras, isso não.

    “As falhas que acredito que série teve foram:”

    Fora o caminho fácil da magia, temos ainda a estrutura de enrolação que criou ou popularizou:

    Do total de 42 minutos de um episódio eram divididos em História: 5 minutos, FlashBacks inúteis: 37 minutos.

    Nesse ponto, a série até melhorou depois da segunda temporada. Diminuíram os flashbacks sem utilidade nenhuma e passaram a realmente colocar alguma peça na história.

    Mas por vezes enrolavam assim até o final. Que utilidade tem ver o cotidiano de vida de casada da Kate?

  11. Wellington disse:

    Lógico que é, o próprio termo já diz isso. É fora das leis da natureza, ou seja, eu posso dizer qualquer coisa. A complexidade que se referiu então pode servir de enrolation.

    É evidente que não. Trabalhar o Sobrenatural de forma séria (o que é raro) é dificílimo e trabalhoso.

    1 – Porque ele não pode ser usado como desculpa para qualquer coisa, assim como a ciência este também deve obedecer leis fixas. Logo o Criador deve estabelecer toda uma metafisica coerente, com leis ocultistas fixas, embasadas no trabalho sério realizado anteriormente sobre o tema e ainda forja-la para que seja convincente, plausível dentro do contexto e do universo e co-exista com as leis naturais, o que pode ser melhor expresso como Transnatural e além do mais não pode ser banalizado, em um universo onde a população não acredita nela.

    2 – Porque é necessário criar toda uma Mitologia para cada interpretação paradigmática desta, é isso é importante porque evita o caminho fácil de uma “chave mestra”, que representa qualquer elemento ou conceito que responda tudo, o que foi muito inteligente não existir em Lost, e ainda dá a devida importância para cada interpretação, porque mesmo que a resposta correta venha a se dada posteriormente, a crença com suas falhas dá a motivação dos grupos e personagens e como sendo convincente e trabalhado como verdade, expressa melhor a construção da interpretação do personagem e nova capacidade de enxerga-la.

    Sim, piorou muito, mas foi depois da primeira aparição que ainda surgiram os sons de correntes e e mecanismos a vapor.

    Aqui fica o tipo de coisa do fã que insiste em algo que não faz sentido até o final e quando este chega reclama. Não tinha desde a apresentação da série como aquilo ser cientifico ser ficar extremamente forçado.

    A série da segunda temporada pra frente foi toda de magia. Eu critico é o fato de terem desperdiçado o excelente começo da iniciativa Dharma e ciência.

    Isso não é verdade.

    1 – Porque a série não abandonou a ciência e as explicações cientificas em momento nenhum, ela sempre co-existiu com o misticismo.
    2 – Que não dar a solução da Dharma como resposta da série é justamente evitar o caminho fácil e ainda não tira toda a importância inclusive da Equação de Vallenzetti porque isso motivou o grupo.
    3 – Porque não existe explicação cientifica possível, para “números amaldiçoados”, “paraplégicos voltaram a andar depois de um acidente” e mesmo existirem sobreviventes devido as condições daquela queda de avião.

  12. Wellington disse:

    “Fora o caminho fácil da magia,”

    O Misticismo da forma como foi trabalhado não é um caminho fácil.

    “temos ainda a estrutura de enrolação que criou ou popularizou”

    Isso podia não ser comum em seriados, mas os desenvolvimento lento de mistérios já existia na literatura.

    “Do total de 42 minutos de um episódio eram divididos em História: 5 minutos, FlashBacks inúteis: 37 minutos. Nesse ponto, a série até melhorou depois da segunda temporada. Diminuíram os flashbacks sem utilidade nenhuma e passaram a realmente colocar alguma peça na história”

    Aqui você critica o Tema da Série, se você não gostou disso, você realmente nunca gostou de Lost, pois a temática principal da série era justamente a repetição de comportamento num ciclo neurótico dentro de novos contextos e como isso prejudicava irremediavelmente a vida dos personagens e a luta deles para romper com isso.

    Inclusive é um tema rico, trabalhado pelo ponto de vista da psicologia de forma absolutamente correta, além de servir a história pois nos orientava a melhor compreensão de quem eram aquelas pessoas, algo essencial para uma série que sempre utilizava “inversão de perspectiva” e “ponto de vista interno”, novamente recursos de narrativa literária.

    Aliais um ponto que a série foi quase irretocável e revolucionária foi sua estrutura, que mudava sem perder a coerência de formato. Só a quebrando no último episódio e observe que minha critica ao último episódio se vale exatamente da queba de formato, já que tematicamente ele foi perfeito, poque realmente concluiu o ciclo psicológico no qual estavam presos.

    E no mais os Flashbacks nunca foram tão bem usados como em Lost.

    Ai fica a ideia de que a serie sacrificou sua mitologia para isso, o que não é verdade pois ela sempre a detalhou em minúcias ou a explicação desta, que foi dada, ainda que de forma não didática e por isso muita gente ainda reclama que Lost não explicou quase nada.

  13. Ismael disse:

    “1 – Porque ele não pode ser usado como desculpa para qualquer coisa, assim como a ciência este também deve obedecer leis fixas. Logo o Criador deve estabelecer toda uma metafisica coerente, com leis ocultistas fixas”

    Perfeito para detalhar mais o ponto da minha crítica. A série permanece com mistérios sem mágica por mais de uma temporada.

    Então o que aconteceu foi exatamente quebrar as regras. Acharam mais fácil fugir para explicações mágicas.

    “Não tinha desde a apresentação da série como aquilo ser cientifico ser ficar extremamente forçado.”

    Na primeira vez que o monstro se faz notar é com rugidos e balançar de árvores bem altas.

    Você está dizendo que ‘Não tinha como” sem argumento algum.

  14. Ismael disse:

    “O Misticismo da forma como foi trabalhado não é um caminho fácil.”

    Eu não tiro o mérito do fator de criatividade e até diversão.

    E sim critico a consistência. E por mais elaborada que a explicação mágica tenha sido, ainda foi uma fuga.

    “A ilha quer”, “A ilha protegeu Michael”, por favor.

    “mas os desenvolvimento lento de mistérios já existia na literatura.”

    Isso é enfeitar a verdade. Uma coisa é andar lentamente, outra é descaradamente jogar flashbacks que não tem nada a ver.

    “Aqui você critica o Tema da Série, se você não gostou disso, você realmente nunca gostou de Lost”

    Eu critico com o que me importa, se achasse irrelevante como as 30 séries médicas, não criticaria.

    Meu gosto não é decidido por você ficar magoado de alguém criticar algo que você julga perfeito e imaculado.

    “E no mais os Flashbacks nunca foram tão bem usados como em Lost.”

    Sim, como tudo que faz sucesso, foi inclusive copiado por outras séries por um bom tempo. Agora essa onda de enrolar parece estar passando, felizmente. Ou fracassando, como Alcatraz.

    “Ai fica a ideia de que a serie sacrificou sua mitologia para isso, o que não é verdade pois ela sempre a detalhou em minúcias ou a explicação desta”

    Com esse comentário acima e os demais, você cai no erro comum de que a série foi minuciosamente planejada do início ao fim.

    Os roteiristas não tinham idéia do que haveria dentro da escotilha, e isso estamos falando do início da série. Então toda magia que veio depois é mais improvisada ainda.

    Sem problemas, a maioria das séries são feitas assim. Mas algumas funcionam, outras não.

    A série mágica que se tornou Lost era boa. O problema é que ela tem um início não mágico. Talvez daqui a alguns anos possam fazer um “Lost Revisited”, estilo Batman Begins, pegar uma boa idéia, tirar as bobagens e ter algo melhor.

    Um dos maiores exemplos, a fumaça negra no fim da primeira temporada. Toda uma tenção sobre o que seria, explicações das mais bizarras surgindo pela internet.

    Quando descobrimos que era simplesmente uma fogueira para distrair. Perfeito, o misticismo e explicações mirabolantes da audiência foram criadas a partir do desconhecido. Como acontece mesmo, o medo e o desconhecido fomentam explicações mágicas.

  15. Wellington disse:

    “Perfeito para detalhar mais o ponto da minha crítica. A série permanece com mistérios sem mágica por mais de uma temporada.”

    Números Amaldiçoados é um mistério com “mágica” Assim como o Milagre do Locke volta a andar. Nunca houve ciência ou pseudo-ciência nisso.

    “Na primeira vez que o monstro se faz notar é com rugidos e balançar de árvores bem altas.

    Você está dizendo que ‘Não tinha como” sem argumento algum.”

    Me refiro a apresentação completa do conceito do Monstro, que foi feita na primeira temporada, incluindo o conceito da A Doença (que depois foi trabalhado como a loucura, como algo semelhante a que qualquer Great One Lovecraftiano produz) dito pela Rousseau e não se esqueça que a Coluna de Fumaça apareceu ainda na primeira temporada.
    A teoria alternativa de que aquilo era nanotecnologia era extremamente forçada e se fosse aplicada seria ridícula (até porque não existe base nem ficcional para aquilo e tal desenvolvimento não seria improvável e sim impossível, e ainda teríamos que considerar a desvantagem da utilização de uma tecnologia da década de 70 ou mais antiga).

    O Único argumento que era usado é porque o barulho que o bicho fazia parecia mecânico.

    No mais o Monstro invisível é uma referencia ao Senhor das Moscas, livro bastante realista, mas que também tinha uma criatura mistica como ele.

  16. Wellington disse:

    ““Aqui você critica o Tema da Série, se você não gostou disso, você realmente nunca gostou de Lost”

    Eu critico com o que me importa, se achasse irrelevante como as 30 séries médicas, não criticaria.

    Meu gosto não é decidido por você ficar magoado de alguém criticar algo que você julga perfeito e imaculado.”

    Você mudou o foco e não respondeu o que disse. Basicamente eu disse que àquela critica sua é sem fundamento porque basicamente considerou filler o Tema Central da Série. Isso não tem nada haver com meus sentimentos (ou de achar perfeito, poque eu também critico a série e também não gostei do último capitulo, na parte da realidade paralela).

    “Com esse comentário acima e os demais, você cai no erro comum de que a série foi minuciosamente planejada do início ao fim.”

    Minuciosamente não, mas se acompanhar o processo verá que alguma coisa estava planejada sim e a inserção do Tempo e Misticismo em doses cada vez mais altas era parte delas. Os Números estão no episódio 10.
    “Adão e Eva” realmente já estavam planejados. Assim como a separação de Outros para Dharma e desde a segunda temporada podemos perceber que os Outros estão se preparando para uma Guera contra uma Força de fora da Ilha. Mas muita coisa foi sendo feita com o desenvolvimento da série mesmo (como a incoerência de algumas mortes em momentos errados indicam, ou mesmo o desaparecimento do Walt depois da primeira temporada).

  17. Ismael disse:

    Esse vídeo da época do final de lost, é divertido e mostra o MONTE de mistérios não respondidos e coisas sem pé nem cabeça, mesmo com a magia ajudando.

    Além de ser divertido:

    http://www.collegehumor.com/video/6099973/unanswered-lost-questions

  18. Ismael disse:

    “A teoria alternativa de que aquilo era nanotecnologia era extremamente forçada e se fosse aplicada seria ridícula”

    Ah sim, nanotecnologia é improvável e ridículo… Fica parecendo que o jeito que os produtores escolherem e jogarem no ar é o perfeito, todo o mais deve ser rechaçado.

  19. Ismael disse:

    “Basicamente eu disse que àquela critica sua é sem fundamento porque basicamente considerou filler o Tema Central da Série.”

    Eu considerei ? Você está avançando na negação. Foi até bom trazer o termo “filler”, me fez lembrar que várias e várias criticas usavam esse termo exatamente para descrever os episódios. Não fica restrito a minha opinião.

    “Minuciosamente não, mas se acompanhar o processo verá que alguma coisa estava planejada sim”

    Você ignorou o que falei, os produtores falavam que não sabiam o que viria. Se eles foram criativos na magia que colocaram para tentar encaixar algo no final, parabéns.

    “Os Números estão no episódio 10.”

    Os números demoraram muito para ter qualquer conotação de mágicos. As Coincidências acontecem apesar de absurdas e ainda ficam no terreno do apenas divertido para algo ficcional.

    Além de que “ver os números em todo lugar” é comum quando se presta atenção a algo que temos superstição, por exemplo.

    Mas daí a começar a virar magia, é um longo caminho.

    “Assim como a separação de Outros para Dharma e desde a segunda temporada podemos perceber que os Outros estão se preparando para uma Guera contra uma Força de fora da Ilha.”

    E ??? Eu adorava os outros e Dharma. Justamente por não ter nada de explicação mágica.

  20. Patrícia Azeredo disse:

    Não falei que a série rende discussões e polêmicas até hoje? :)

    E brigadão pelo elogio, Zé!

  21. Guilherme Martins disse:

    Amigos debatedores,

    Lost não foi apenas uma série dramática que soube desenvolver perfeitamente seus vários e carismáticos personagens através da eficiente narrativa de flashbacks e flashfowards, muito menos era uma trama recheada de mistérios de variadas, possíveis e até improváveis soluções. Lost promoveu e atingiu como nenhuma outra série o DEBATE. Debate sobre determinadas questões que sempre moveram o nosso mundo, independente de tempo e lugar. Por mais que se queira enaltecer ou diminuir toda a história, buscando erros ou falhas na trama, vivida nos mais de 100 episódios de Lost, uma coisa é definitiva: Quem assistiu a todas as temporadas, acreditando ou não em tudo que nos era apresentado pelos roteiristas, e chegou ao episódio The End pode ter ou não gostado do final da história, mas se envolveu com a parte mais importante: a jornada.

    Pouco importa se os sobreviventes do Voo 815 eram os mais importantes da história, ou se a história da Dharma ou dos Outros era mais relevante que a misteriosa mitologia da Ilha. O filho de Claire não era nem mais nem menos importante que a origem da estátua de 4 dedos; a história de Jack, com seus conflitos pessoais e familiares não era mais importante que o porquê do não envelhecimento de Richard Alpert.

    Lost é acima de tudo uma forma de questionar possibilidades, sejam elas possíveis ou não, prováveis ou não:
    fé x ciência; razão x emoção; destino x livre arbítrio, etc.

    Ao fim, deixo-lhes a pergunta que deu início a toda esta maravilhosa viagem:
    O avião da Oceanic caiu na Ilha por qual motivo?
    Foi trazido por Jacob ou foi pelo eletromagnestimo provocado pelo não apertar dos botões da Escotilha Cisne por Desmond?

    A resposta desta pergunta é o exato caminho pelo qual queremos seguir em nossas vidas.

  22. Rui disse:

    Bom saber as series q ele fez para nao assitir … nao adianta perdi 6 anos em lost lixo lixo lixo …

  23. Victor disse:

    Não é verdade que a única pista de que o Monstro seria algo mecânico ou físico foram os barulhos que ele produzia.

    No episódio 4×09, quando ele ataca a Dharmaville, se você passar lentamente a cena em que ele agarra e puxa pelo pé um dos soldados do Keamy verá que, por um breve instante, uma luz pisca na “cabeça” daquele braço do Smoky. Essa luz, inclusive, parecia ter o formato de um octógono, remetendo quem percebia à Dharma. E há também os “flashes” de quando ele “escaneia” Eko, que logicamente deveriam vir de dentro.

    Eu acreditava na teoria que a fumaça apenas escondia a verdadeira aparência do Monstro, podendo ser um tipo de criatura ou uma máquina. Aliás, como citaram Lovecraft, teria sido muito mais empolgante se tivessem revelado Smoky como uma entidade gigante semelhante aos monstros criados por ele.

    Na 5ª temporada mostram-no passando por pequenos buracos (no Templo), mas mesmo isso não derrubava a teoria que mencionei, e explico o por quê: no início da cena em que Kate e Juliet “barram” o Monstro na cerca sônica é possível ver ele chegando em diversas partes menores separadas, que presumivelmente formariam juntas um monstro maior. Um Smokyzinho menor também é visto no episódio 3×05, passando rapidamente pela floresta (e, se não me engano, algo assim também aconteceu na 2ª temporada) pouco antes de Eko ser atacado e morto.

    Ou seja, isso indicava que o Monstro original podia se particionar em monstros menores, sendo estes últimos aqueles que não teriam nada escondido dentro da fumaça.

  24. MARCOS FREITAS disse:

    Ainda verei LOST por inteiro para poder tirar minhas proprias conclusões sem interferência externa !

  25. Caetano Barsoteli disse:

    O real problema levantado por você se resume simplesmente a uma preferência pessoal que coloca as explicações “científicas” na frente do “sobrenatural”, como se o primeiro fosse mesmo fundamentalmente mais satisfatório do que o segundo.

    A primeira temporada foi, sim, a MAIS “sobrenatural” da série depois da sexta. Lost trabalhou com teses e antíteses, e antes que digam que a síntese foi completamente “mágica” e “sobrenatural”, é melhor repassarem por alguns segredos e mistérios e observar que suas ligaduras são tão pseudo-científicas (JAMAIS científicas, é claro) do que arbitrariamente mágicas. A própria “luz mágica”, por exemplo, foi tão rechaçada pelos espectadores que esta se tornou símbolo do “desvairamento” dos roteiristas na reta final da série. Ora, foram afetados pela luz de tal modo que desconsideraram absolutamente a percepção obsoleta da mãe de Jacob e do Homem de Preto sobre o tal elemento (que chamaram de “mágico”), enquanto não passava de uma manifestação (altamente concentrada) de todo o eletromagnetismo encontrado na ilha e que, pseudo-cientificamente, sempre explicou a maior parte de elementos misteriosos da série, desde a queda do avião, passando pelos problemas das grávidas na ilha, até as curas milagrosas de Locke e Rose e, claro, todas as viagens no tempo – físicas e mentais – que aconteceram na série.

    Clamar por uma explicação “científica”, no final de tudo, não deixa de ser análogo a clamar por explicações “sobrenaturais”. Afinal, ambas são inverossímeis realisticamente, embora Lost tenha feito a mistura de forma consistente dentro de seu universo fictício, tanto é que os elementos sobrenaturais sempre foram a tese primária da série, desde a primeira temporada, e os anos subsequentes apenas trabalharam com as antíteses. E se não bastasse, até onde sabemos, o tal “purgatório” pode ser muito bem a realidade alternativa “cientificamente” criada pela explosão da bomba Jughead em 1977. Lembre-se das palavras do fantasma de Christian Shephard: “Vocês criaram este lugar”. A diferença é que foi deixado para o espectador, como Jack Bender bem disse, a “garrafa com a mensagem”. E nossa interpretação é fundamental para encontrar o tão quisto sentido que todos procuram na série, e infelizmente isso não agrada a todos.

  26. Ariovanda disse:

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