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Por: Davi Garcia

The Walking Dead: Judge, Jury, Executioner

Por Davi Garcia

[com spoilers do episódio 2×11] Ele não era meu favorito em The Walking Dead, mas as circustâncias que envolveram a partida inesperada e violenta de Dale, o personagem que, conforme bem definiu Robert Kirkman nessa entrevista, representava o compasso moral da história e estabelecia uma voz de razão em meio ao caos, foi um choque absoluto. Primeiro em função de todos os seus esforços neste episódio (tentar defender a vida de um cara que, de fato, ainda não havia feito nenhum mal ao grupo) e segundo por tudo o que a morte dele pode representar para os demais sobreviventes daquele apocalipse. “Judge, Jury, Executioner” foi mais um belo capítulo dessa 2ª temporada de The Walking Dead que reforça a disposição da série em tomar caminhos diferentes da HQ e evidencia, mais uma vez, a noção de que ninguém está a salvo numa história que segue surpreendente.

Marcando o primeiro trabalho efetivo de Greg Nicotero (o mago por trás dos excelentes efeitos de maquiagem dos zumbis da série) como diretor em um episódio regular de The Walking Dead (ele já dirigira os websódios focados na história da zumbi da bicicleta), “Judge, Jury, Executioner”  abriu fazendo eco à 2ª temporada de LOST – quando Sayid tortura Ben Linus na escotilha -, ao mostrar Daryl massacrando o captivo Randall no intuito de confirmar que o grupo ao qual ele pertencia poderia representar um grande risco à segurança de todos na fazenda. Uma sequência aliás, que faz reflexo direto para duas frases marcantes do episódio: a primeira dita por Andrea (“Quem disse que ainda somos civilizados?”) e a segunda pelo próprio Dale que, em conversa com a loira, questiona a ação pregando que o mundo como eles conheciam podia ter acabado, mas que manter o senso de humanidade ainda era uma escolha.

Uma escolha, aliás, que Dale jamais deixou de abraçar (lembram quando ele confrontou Shane no ep. 2×07 dizendo que o mundo podia ter ido para a merda, mas que ele não iria se deixar afundar nela?) e que, de certa forma, ganhou contornos ainda mais importantes e fortes a partir do momento em que todas as sequências que o mostravam tentando demover seus companheiros da ideia do assassinato frio de um desconhecido, deixavam a clara noção de que, naquela situação, a maioria preferia ‘lavar as mãos’ ou simplesmente se eximir da responsabilidade de tomar partido. Um cenário que serviu não só para dar vazão ao talento de Jeffrey DeMunn (que se despediu da série com atuação inspirada, diga-se), mas sobretudo para mostrar a deterioração moral e de limites que cada um daqueles personagens encarava e também para capturar o espectador para dentro da história questionando: o que você faria numa situação aguda como aquela?

As regras podem ser outras, a praticidade de uma decisão urgente pode, em tese, se resumir no efeito coletivo que ela representa, mas o mundo de The Walking Dead, como este episódio evidencia, provoca mudanças comportamentais profundas naqueles personagens. Nisso, destaque para três momentos que evidenciam a total ruptura da inocência do garoto Carl e a crescente raiva que parece consumí-lo pouco a pouco naquele mundo: primeiro quando ele diz para Carol que ela era uma idiota por buscar conforto (pela morte de Sophia) numa ideia que, para ele, era irracional; depois quando ele surge admirado com a chance de poder torturar um zumbi com pedradas e, por último, quando Rick (e o espectador por tabela) se choca ao ver o menino empolgado com a chance de testemunhar o assassinato de Randall.

Que futuro The Walking Dead reserva para o filho de Rick e os demais personagens eu não sei, mas dada a tendência da série (e de seu material de origem) em explorar o lado mais sombrio de cada um deles nas mais diversas situações, a perspectiva de que ainda teremos outros momentos tão agustiantes quanto o do final deste episódio parece irreversível. Para o bem e para o mal.

30 respostas para “The Walking Dead: Judge, Jury, Executioner”

  1. @tconz disse:

    Eles poderiam muito bem ter mantido o plano original de abandonar o Randall longe da fazenda, né? Não engoli o Rick ter levado ele de volta pra “pensar durante a noite”.

  2. @tconz disse:

    @tconz :
    Eles poderiam muito bem ter mantido o plano original de abandonar o Randall longe da fazenda, né? Não engoli o Rick ter levado ele de volta pra “pensar durante a noite”.

    Ah, agora que me dei conta de que ele sabe onde é a fazenda por conhecer a Maggie…

  3. Renata Riveri disse:

    Exatamente isso, rsrs. O que não ficou “bem feito” foi não interrogarem ele antes dessa tentativa frustada de abandoná-lo num lugar qualquer.

  4. Julio disse:

    Também achei bonita a cena em que Hershel falou de Josephine e deu o relógio de família para Glenn.

  5. Renata Riveri disse:

    Agora, sobre o episódio:

    A história apresentada pelo episódio eu achei bem interessante. Enxergo dois “arcos” principais: Dale e Carl. O primeiro acho que foi bem trabalhado do início ao fim, já o segundo, não sei, às vezes tenho a sensação de que estão forçando a barra.

    Posso estar sendo influenciada pela HQ (que leio), mas, acho que a mudança do Carl não está bem desenvolvida na série. Em muitos episódios, as cenas envolvendo ele meio que “aparecem” na tela, sem maior destaque. A única exceção que me recordo foi após a morte da Sophia, quando ele conta à mãe que também teria matado-a, e posteriormente Lori fala com Rick que o filho está ficando “frio”. E somente neste episódio isto é retomado, mas me deu a sensação de que ocorreu um salto de evolução com o garoto.

    Ok, posso estar sendo muito dura com o roteiro, talvez o que esteja prejudicando seja a atuação um tanto sem graça do pequeno Chandler Riggs. Ele mantêm a mesma expressão facial em quase todos os momentos, isso realmente não ajuda.

    Outro ponto: sei que estamos falando de uma criança, mas, achei contraditório no final ele abraçar sua mãe e chorar. Acho que a reação mais esperada, seguindo a ideia do roteiro, seria ódio e revolta (aquilo aconteceu por um erro dele), e não tristeza e “colo” da mãe.

  6. Li Magalhães disse:

    Bem mais maduro e consistente que a primeira fase desta temporada, o conjunto de episódios pós hiatus fazem, enfim, jus ao nível de qualidade que esperávamos para a série – ainda que, é claro, TWD tem potencial para se tornar épica, mas deixa essa munição escapar com derrapadas tolas e ainda frequentes.

    De qualquer maneira, Judge, Jury, Executioner é o melhor episódio desta reta final de temporada e conseguiu fazê-lo com o que realmente deveria ser o mérito da série: bons diálogos, reflexões, evolução dos personagens e, vejam só, sem um batalhão de zumbis no melhor estilo A noite dos mortos vivos.

    Clap, clap, clap, palmas para o Greg e que venha o próximo episódio!

  7. Richard disse:

    Acho que se fosse para executar o Randall sim, eles poderiam ter feito isto no ultimo episodio. Mas abandona-lo era estupidez, ja que ele sabia que a fazenda era do Hershell. No meio do episodio, achei que ele era apenas para forçar uma indicação para o Jeffrey DeMunn a algum dos premios de ator coadjuvante, mas tenho que confessar que fiquei surpreso com a corajosa escolha dos roteiristas com o personagem… a partir de agora, definitivamente, só espero o melhor de Walking Dead

  8. Felipe Cunha disse:

    Achei um saco esse episódio.

    Questão principal do episódio é decidir matar ou não o garoto, Rick quer matar, Dale pede para fazer uma discussão, decidem matar o garoto, Rick não consegue matar (volta a estaca zero), Dale morre. dá nojo do roteiro de TWD fica dando voltas e voltas e nada acontece.

  9. Rafael Resende disse:

    Eu gostei muito desse episódio. Na verdade vou dizer que foi meu favorito dessa temporada. Denso e tenso na medida certa. Pena que algumas pessoas intelectualmente preguiçosas não tenham a menor noção de desenvolvimento de personagem e critiquem o roteiro sem qualquer fundamento. Fazer o que, né? Que virem comida de zumbi ;)

  10. Eryck disse:

    Verdade. Tem que ter paciência para continuar assistindo TWD. Ainda que todos os episódios acabem tendo seus momentos marcantes. Neste episódio, considero a cena da reunião, quando a maior parte do grupo se abstém de opinar sobre a execução do garoto, e a morte do Dale, claro.

  11. Ismael disse:

    Eu achei bom o episódio.

    Cada vez mais o Shane, apesar de louco, tem razão, o Rick vai fazer eles serem mortos. É meio o Jack de Lost, o babacão mala.

    O Shane é um Sawyer mais maluco.

    Tudo isso só está acontecendo porque o Rick não fez o certo no início: dar um tiro de misericórdia no guri quando ele estava nos ferros. Isso impediria ele de virar comida de zumbi e seria o mais honrado de fazer com alguém gravemente machucado, mas que era um inimigo.

  12. Ismael disse:

    Esqueci de falar do Dale.

    Os argumentos dele não eram tão bons assim. Até mesmo eram fracos.

    Ok, ele só falava o que NÃO fazer. Os roteiristas facilitaram o destaque dele, pois ninguém argumentava contra.

    Por exemplo, quando ele usou o fato da Andréa ter sido advogada de direitos humanos. Era fácil para ela rebater dizendo que ela tinha todo o sistema legal que ajudava a manter a ordem, mas que tirando isso(a polícia e o judiciário) a situação é diferente, e ela está certa em se adaptar.

  13. Wilian disse:

    Tive a mesma perpectiva sobre o episódio que você Davi. Dale não era meu preferido,mas foi inesperada e dolorosa essa morte dele.
    Sei que essa história do Carl pode ficar bem interessante mas provavelmente ele não deve durar muito na série.O ator daqui a pouco cresce e,se não houver uma passagem de tempo significativa,vão ter que descartá-lo.

  14. Pedro Freitas disse:

    Discordo totalmente. Sou defensor árduo dos direitos humanos e fiquei chocado ao ver apenas o Dale levantar estes pontos em meio à situação, enquanto todos os outros se negavam à discussão.

    Situação diferente, certa em se adaptar? Se ela era mesmo advogada de direitos humanos, se acreditava ralmente nestes valores, não poderia se abster após uma argumentação tão lúcida. Não importa em que estado de exceção se esteja, é essencial que estes valores sejam inseridos na discussão. No fim ela teve que concordar com ele.

    The Walking Dead perdeu seu único personagem que ainda tentava pensar de acordo com o mundo em que vivemos hoje. É uma perda significativa, visto que agora não há nenhuma voz contrária ao pensamento de guerra constante contra todos. De fato, é o fim da defesa da humanidade dos personagens.

  15. Davi Garcia disse:

    Não vejo como um ponto negativo o fato dessa transformação do Carl ocorrer de forma gradativa, porque esse arco todo da atual temporada se passa em poucos meses e são os eventos ocorridos nesse período que começam a mudá-lo. Se isso acontecesse repentinamente aí sim seria estranho, acho.

    Também não gosto muito do ator mirim que o interpreta (justamente pela inexpressividade que você destacou), mas acho que a reação do Carl no final do episódio (ao abraçar a mãe) foi mais pra pontuar o fato de que embora ele esteja mudando e desenvolvendo até uma certa sociopatia, ainda guarda traços isolados de uma criança que se choca com um acontecimento trágico indiretamente provocado por ele. Ou seja, é o retrato daquele típico sujeito que dá uma de machão e diz ter estômago para tudo, mas que quando faz uma besteira procura o colo da mãe para se esconder.

  16. Davi Garcia disse:

    É verdade Wilian, o fato do ator crescer mais rápido que seu personagem pode ser uma questão que atrapalhe, mas como a série não segue fielmente o material de origem isso não deve ser um grande problema, até porque me parece certo que eles estão desenvolvendo um arco bem maior pro personagem nessa história.

  17. Davi Garcia disse:

    Concordo demais com você, Pedro. Aliás, tal qual o Dale, fico meio chocado de ver a reação contrária de algumas pessoas pros argumentos que o personagem levantou no episódio. Parece que o nosso mundo real não está, no fim das contas, tão distante daquele da ficção.

  18. Anderson Lima disse:

    Episódio excellente com um final chocante… Cada episódio me deixa mais empolgado para o fim da 2ª temporada que se aproxima…

  19. Ismael disse:

    Pedro

    “Se ela era mesmo advogada de direitos humanos, se acreditava ralmente nestes valores, não poderia se abster após uma argumentação tão lúcida.”

    Nesse ponto eu concordo. Por maior que tenha sido o trauma pelo qual ela passou, eu acho inconsistente essa virada dela. De advogada de direitos humanos para esse pragmatismo cruel.

    Quanto aos argumentos do Dale e comportamento do Rick, continuo achando extremamente ingênuos e romantizados.

    Davi

    “fico meio chocado de ver a reação contrária de algumas pessoas pros argumentos que o personagem levantou no episódio.”

    Os argumentos são perfeitos para a realidade onde a sociedade está estabelecida e garantindo a segurança do cidadão. Não para aquele mundo.

    “Parece que o nosso mundo real não está, no fim das contas, tão distante daquele da ficção.”

    Essa é a grande diferença. Infelizmente se pode fazer uma trágica e óbvia analogia ente Zumbis e Foras da lei com os viciados em Drogas e bandidos em geral que andam por aí.

    Uma qualidade de TWD é permitir esse debate. Aquele mundo co-existe em paralelo com o nosso mundo dito normal na sociedade.

  20. Rafael disse:

    Acho que TWD vem melhorando bastante, mas tem coisas nos roteiros que me incomodam bastante. TODOS eles, com exceção do Dale e da Andrea concordam em executar o Randall e de repente o Rick tem uma epifania e decide que não haverá nenhuma execução. Repetindo: (praticamente) TODOS tinham concordado e NINGUÉM fala nada.

    Outra coisa: da onde surgiu o zumbi que matou o Dale? Ele estava num descampado e não estava muito escuro. como ele não viu um zumbi que chegou do lado dele sorrateiramente sem ser visto. Achei muito tosco.

    Além disso o Carl entrando em TODOS os lugares que quis (galpão com Randall que estava vigiado, reunião de julgamento e local da execução) é dose. Ninguém vigia nada? E de que adianta vigiar se uma criança passa de barbada?

    E por aí vai… Cada episódio tem pelo menos 2 ou 3 momentos em que tu tem de relevar a falta de lógica.

  21. Robson disse:

    Uma coisa mesmo é unânime…a série vem crescendo de uma forma que nem eu esperava…Na verdade desde o episódio do shane que a série tem melhorado…gosto de episódios que nos convidem a um debate como tem ocorrido, ai tudo fica interessante…

  22. Lincoln Aramiko disse:

    Essa questão da moral… humanidade, etc… Me lembra muito uma passagem de Ensaio sobre a Cegueira, quando um grupo de mulheres se `entregam` pra serem violentada por um grupo de homens pra proteger o grupo delas, enquanto seus maridos, amigos, etc se eximem da responsabilidade pra salvar a própria pele. Quando vi, no filme e no livro, fiquei indignado… De forma alguma me vejo compactuando com algo desse tipo… ou com o caso do Randall… Mas eu tenho plena certeza de que existem pessoas que fariam isso, apoiar ou lavar as máos.

    Me lembrei tbm do filme A PRAIA, quando eles abandonam o cara doente pra morrer sozinho no mato, pq ele gemia demais de dor e era um problema pra comunidade.. Então lavaram as mãos.

    Acho que isso não é fruto só da ficção não.

  23. luc disse:

    melhor episódio da série…
    fiquei puto no final….isso é bom sinal, fez me lembrar de alguns bons momentos de lost, de facto a humanidade foi embora com dale embora ache que ele até queria q alguem o matasse…virar zumbi , é ruim hein…

  24. Raquel disse:

    Fiquei chocada com o final.
    O episódio todo foi pesado, toda quela discussão sobre deixar o cara viver ou mata-lo, sendo que só 1 no grupo todo defendia a vida de alguém que não fez mal algum a eles propositalmente.
    Ao menos acho que o discurso dele atingiu o Rick, quando viu seu filho torcendo pro oposto que o Dalel estava pregando. ele percebeu que Dale estava certo e a única forma de ensinar civilidade ao filho é pelo exemplo.

    No mais, o garoto que faz o Carl está atuando bem melhor, parece que está evoluindo com a série.

  25. Diogo Pacheco disse:

    Não achei o episódio bom não, até tinha um bom conflito mas eu edeio td mundo nesta série e não me importo com nada proposto pelo roteiro. O Dale era mto chato, véio pedante. Não via a hora que ele morresse.

  26. Teles disse:

    Felipe Cunha :
    Achei um saco esse episódio.
    Questão principal do episódio é decidir matar ou não o garoto, Rick quer matar, Dale pede para fazer uma discussão, decidem matar o garoto, Rick não consegue matar (volta a estaca zero), Dale morre. dá nojo do roteiro de TWD fica dando voltas e voltas e nada acontece.

    Concordo. A primeira temporada deu a impressão de ser uma série que evoluiria com o tempo, mas o que vem acontecendo até agora é justamente o contrário.
    Estou assistindo a segunda temporada por inércia. A terceira não devo acompanhar.

  27. Gustavo disse:

    Para mim o melhor episódio dessa temporada depois do 2×08. Com a vantagem de ter sido mais surpreendente do que o do celeiro, nem passou na minha cabeça que o Dale iria morrer. Mas foi bom pois ele tava chatão nos últimos episódios. Agora só falta aquela inútil da Carol ter o msm destino…

  28. Rodolfo disse:

    3 episódios bons de The Walking Dead em sequência. Pra série é um verdadeiro recorde. Que continue assim.

  29. Rodnei oliveira de araujo disse:

    O kra ficava viajando o acampamento em cima do trailer, foi em campo aberto pra ver oq estava acontecendo e naum viu o zumbi, tipo fantasma do Supernatural olha para um lado e buummm ele aparece do outro sem fazer barulho. Achei muito forçado o zumbi rasgar a barriga do Dale.

    Mas o resto do episodio foi muito bom…

  30. André disse:

    Esses zumbis estão bem silenciosos quando querem né? Estão rápidos, silenciosos, espertos (nos primeiros episódios até se abaixam pra passar na porta da garagem), daqui uns dias revelam que era uma pegadinha e que estão todos vivos e são os ex-prisioneiros de Alcatraz que sumiram e estão um pouco acabadinhos agora! ahhahaha

    Apelam um pouco, mas o episódio foi bom.

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