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Por: Davi Garcia

Game of Thrones: What Is Dead May Never Die

[com spoilers do episódio 2×03] Sob o risco de fazer uma leitura mais precipitada, é difícil avaliar a eficácia e o peso real que um episódio mais lento como esse “What Is Dead May Never Die” (frase que faz referência ao lema do deus adorado pelos Greyjoy e os homens de ferro, como bem apontou o leitor Fred Bruno) terá no decorrer da trama e dos muitos desenvolvimentos que ainda virão. Assim, ainda que eu não possa dizer que este tenha sido um dos capítulos mais empolgantes de Game of Thrones para mim (uma sequência de ação a mais, por exemplo, além daquela que encerra o episódio talvez não fizesse mal), seria injusto não reconhecer alguns bons méritos no roteiro escrito por Bryan Cogman, que  soube dosar, com relativo equilíbrio, a complicada missão de seguir mostrando e capturarando as singulares atmosferas que envolvem a complexa disputa pelo poder nos mais variados cantos de Westeros.

Contando com uma abertura que coloca em choque o código moral ‘ingênuo’ de Jon Snow com a verdade dura e crua dita pelo comandante (“[Apesar do que ele faz] precisamos de homens como Craster”), o episódio faz logo em seguida uma boa e rápida transição para Winterfell onde Bran volta a falar de seus curiosos sonhos e a ouvir palavras de Luwin que refutam a existência e a importância da magia naquele mundo. Um mundo ‘novo’ que não só nos apresenta uma mulher guerreira (Brienne) que serve ao rei Renly Baratheon, bem como deixa clara a noção de que o pensamento aparentemente liberal de Margaery Tyrell para com o marido homossexual, esconde intenções muito mais escusas do que uma primeira impressão possa dar. Nesse contexto, ao passo em que Catelyn Stark encontra dificuldades e resistências para confirmar a aliança e o apoio de Renly nos esforços de guerra de Robb, Theon Greyjoy decide tomar partido abrançando suas origens e ignorando os laços que o uniam aos Starks.

Contudo, como já acontecera nos dois episódios anteriores, quem mais uma vez roubou a cena foi Tyrion Lannister que com uma inteligente jogada (envolvendo uma suposta história de aliança com rebelados a partir do casamento da filha de Cersei), conseguiu não só manipular os membros mais proeminentes do conselho do rei e identificar aquele que poderia lhe representar uma ameaça mais significativa (o velho Pycelle), bem como proteger seu ponto fraco e ainda protagonizar, ao lado do sempre suspeito Varys, um bom diálogo envolvendo a discussão sobre o fato do ‘poder estar onde o homem acredita que ele esteja’, um tema que será recorrente na temporada. Que a sequência deste segundo ano de Game of Thrones, portanto, justifique a preparação de terreno feita por este apenas bom terceiro episódio.

10 respostas para “Game of Thrones: What Is Dead May Never Die”

  1. Fred Bruno disse:

    Só um detalhe, o lema dos Greyjoy é “nós não semeamos”, citado por Balon Greyjoy ao seu filho durante o episódio, referência ao fato deles serem piratas conquistadores (praticamente Vikings). Já a frase “o que está morto não pode morrer” faz parte da oração para o Deus Afogado, deus dos Homens de Ferro, o povo que vive em Pyke, de onde vem os Greyjoy. Por fim, não espere muita ação em especial dessa temporada, o livro de onde ela foi espirada é um claro livro do meio, muita intriga política mas que só serve para armar os acontecimentos que virão.

  2. @helder1965 disse:

    Concordo quando dizem que o livro 2 não seja tão emocionante em termos de ação, mas todas as intrigas e peças estão se movimentando agora para o banho de sangue e ação que requer a atmosfera do livro 3. Quem leu, viu! Quem viver, verá! :-)

  3. Aline disse:

    Como o Fred Bruno disse. Além de eventuais batalhas por ganho de território, não há muita ação no livro 2. É um livro de introdução de vários novos locais e personagens e acho que os roteiristas podem vir a se perder por ai. To vendo cometários de muita gente que ainda não leu os livros dizendo que não está conseguindo acompanhar tantas histórias paralelas com novos personagens sendo introduzidos a cada episódio. Mas uma coisa é certa, essa é a temporada de Tyrion Lannister, na minha humilde opinião o melhor personagem de toda a trama.

  4. Davi Garcia disse:

    Perfeito, Fred. Corrigi a informação no post ;)

  5. Glícia disse:

    Esse episódio foi bem lento mesmo (embora tenha acabado tão rápido). Não sei se pra todo mundo que leu o livro é assim, mas eu sempre espero uma adaptação um pouco mais fiel à obra, e na maioria das vezes eu acabo sem entender qual foi a intenção dos roteiristas em alterar determinadas passagens. Só tenho medo de que eles percam o foco e a direção da história e isso cause alguns problemas lá na frente.
    Concordo que Tyrion tenha roubado a cena. É um personagem incrivelmente astuto e carismático.

  6. Cakki disse:

    Eu adorei o episódio, na minha opinião o melhor da temporada até aqui.

    Tyrion sensacional! Ele é disparado o cara mais ligado nas maquinações de Porto Real, e joga o Jogo dos Tronos como ninguém! As jogadas desta semana (Pycelle) e da semana passada (Janos) deixaram a Cersei capenga, sem contar a ameaça de tirar a filha de perto dela (trazendo de volta toda a raiva dela de ter sido entregue a Robert como um prêmio).

    Outra parte muito boa do episódio foi a (última) conversa entre a Arya e o Yoren – caindo como uma luva sobre as vinganças que correm os Sete Reinos. E a perspectiva de Harrenhal nos próximos episódios!

    Adorei a cena do sonho do Bran e a conversa dela com o Meister Luwin. Gosto muito do personagem do Bran nos livros, mas sei que a história dele é bastante lenta e talvez não agrade a quem assista só o seriado (apesar de a transposição para a tv estar excelente).

    Que cena aquela de Renly Baratheon e irmãos Tyrell!! Adorei!!! Ri muitooo!! A Margaery mais prática impossível! No livro fica tudo muito implícito (até porque não há capítulos com o ponto de vista desses personagens), mas pra bom entendedor….

    E, o ponto alto do episódio, Theon! Situação complicadíssima que ele estava: trair a família ou trair o “irmão” Robb. Tive muita pena dele qdo li o llivro, e as cenas retrataram muito bem a situação toda. Que diálogo o dele com o pai – ressentimento de sobra de ambos os lados. E a cena dele queimando a carta pro Robb, com aquela iluminação baixa foi fantástica. Mas, claro, como boa fã da família Stark, minha pena por ele é proporcional ao meio ódio pela escolha dele em trair o Robb..

    No aguardo pela semana que vem!!

  7. Swen disse:

    Sem dúvidas nenhuma pessoal, melhor episódio até agora, destaques p/casal Renly/Tyrell, cena final da Arya com o guarda matando o rapaz com a espada no seu pescoço, deu nojo dele! e depois um golpe de mestre de Arya mentindo pros guardas e pra fechar o show de Tyrion colocando ordens no palácio e descobrindo quem é fiel para ele ou não, concluido temos uma briga de cinco reais e vamos ver o que vai dar nisso.
    Um rei louco em King’s Landing
    Um rei do norte marchando com seu exército Um rei que tem problemas conjugais para resolver
    Um rei das Ilhas de Ferro preparando ataque
    Um rei disposto a tudo para assumir legitimamente o Trono de Ferro

  8. Aline disse:

    Eu sempre assisto adaptações de livros com um pé atrás porque sei que jamais serão 100% fiéis a obra literária. Sei que alguns acontecimentos dos livros não podem ser traduzidos para a telona pelo tempo que os roteiristas têm para cada episódio (mais ou menos 50 minutos) ou por outros motivos diversos. Mas mesmo assim, sempre que vejo alguma mudança com relação ao livro, eu torço o nariz. Com Game of Thrones, o que compensa é o fato dos roteiristas usarem muitas frases diretamente vinda dos livros, sem mudar uma vírgula. Adoro a sensação de quando vejo uma cena e lembro de quando estava lendo a mesma passagem com as mesmas frases.

  9. Samuel Vaz disse:

    Discordo da necessidade de mais cenas de ação nos episódios de GOT. Considero os diálogos, os estratagemas políticos, a introdução de novos personagens e o aprofundamento dos já existentes bases extremamente necessárias e sólidas para tornar a execução da ação, que virá, muito mais interessante… 3 de 5 estrelas é muito pouco!

  10. Oliver disse:

    Sempre venho buscar as resenhas sobre GOT e outras séries que eu gosto por gostar muito das mesmas e por apreciar o bom trabalho do site. Queria apenas deixar a crítica que considero construtiva pois já vi o mesmo acontecer em outras vezes em relação à essa série (GOT) quanto às resenhas, onde você(s) destacam a falta de ação em algum episódio. Ao meu ver, pelo menos, a série nunca se mostrou uma série de ação, ao menos não mais do que uma série política tomando forma em uma idade onde a fantasia ainda era verossímil. A beleza da série está em justamente mostrar todos os questionamentos morais e estratégias políticas (de poder) que permanecem atuais e que muitas outras séries que se passam em nosso presente e buscam o mesmo objetivo falham em trazer com tão boa ilustração, por isso discordo do ponto de vista em que a “falta de ação” seja um ponto negativo.

    Gosto muito da série, e gosto muito do site. E respeito muito a opinião de vocês que entendem muito, e por isso parabenizo à todos! Deixo aqui apenas meu humilde comentário.

    Obrigado pelo ótimo trabalho que fazem por todos nós, que não vivemos sem nossas séries!

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