FOTO: REPRODUçãO

Por: Davi Garcia

Crítica: The Dark Knight Rises

[com leves spoilers] Apoiado pela recepção positiva de sua visão para uma das criações mais icônicas do mundo dos quadrinhos, Christopher Nolan fez o que parecia improvável para um filme do gênero: subverteu a fórmula e criou, a partir de Batman Begins, algo que transcendeu a simples definição filme de super-herói, ampliando o universo do homem morcego transformado, em The Dark Knight, num complexo e brilhante estudo que expunha de forma crua e surpreendente a natureza moral que define o conceito de bem e mal por vezes confundido atrás das máscaras de mocinhos e vilões. Sendo assim, ainda que empalideça em alguns momentos (principalmente quando comparado com seu antecessor), Batman: The Dark Knight Rises estabelece uma rima temática perfeita com seus predecessores encerrando a trilogia com impacto e relevância.

Não, The Dark Knight Rises não é um filme perfeito. Tem problemas – sobretudo de ritmo nos dois primeiros atos por conta do excessso de personagens/subtramas e pela exposição excessiva no último -, mas quando acerta e ele acerta muito, diga-se, revela uma produção tecnicamente impecável (nos efeitos, na fotografia e na sempre imponente trilha de Hans Zimmer) que expande ainda mais as ideias do segundo filme, reforçando a tensão que se agiganta na sombra do caos e da anarquia que ganha forma na ficção, mas que no contexto atual poderia muito bem eclodir no mundo real dominado por líderanças e instituições cada vez mais fracas e homens cada vez mais manipuláveis por discursos populistas. Uma noção, aliás, que ganha força a partir do curioso vilão Bane, um terrorista tão sociopata e inteligente quanto o Coringa, mas que diferente deste, surge como um oponente muito mais físico do que psicológico para um Batman inicialmente mais fragilizado pelas marcas e escolhas às quais se submeteu.

Interpretado de forma marcante por Tom Hardy numa composição difícil de um personagem que exige um constante espírito ameaçador que se reflete nos olhares e principalmente pela sua voz (um motivo a mais para que não se assista o filme em sua versão dublada!), Bane é a força motriz da trama que sacode Gothan City e coloca tipos tão diferentes como a bela e eficiente Mulher Gato de Anne Hataway; a misteriosa Miranda de Marion Cotillard ou o jovem e idealista policial Blake de Joseph Gordon-Levitt na periferia e posteriormente no centro das ações. Oito anos depois dos eventos mostrados em The Dark Knight, é o vilão que dá início, a partir de um elaborado plano, ao fim dos tempos de paz sustentados pela mentira por trás do mito de Harvey Dent. A mesma mentira que consumiu o comissário Gordon afastando-o de sua família e provocou, para desgosto do zeloso Alfred (em atuação primorosa de Michael Caine ), a reclusão de Bruce Wayne que aqui ressurge amargurado pela dúvida e pelo conflito de não conseguir dissociar-se da máscara e da identidade que assumira como protetor da cidade e dos valores que ele abraçara.

Fazendo eco à trama de Begins em seu ato final, o grandioso desfecho imaginado por Nolan revisita a ideologia da Liga das Sombras liderada por Ra’s al Ghul construindo uma crítica que questiona com eloquência o poder e os perigos de revoluções radicais. Além disso, quando o filme termina é fácil se render à reflexão que ele fomenta em torno da ideia de que são as ações motivadas pelo bem maior e os sacrifícios oriundos que formam os verdadeiros heróis e os mitos. E como se isso fosse pouco, a sequência final deixa, de forma elegante amparada pelo aspecto emocional, uma última grande questão: será mesmo que a lenda chegou ao fim?

12 respostas para “Crítica: The Dark Knight Rises”

  1. Renato disse:

    Esse é um site de série ou de cinema? Se quiser ler alguma crítica eu vou no cinema em cena!

  2. André disse:

    Então vai!!

  3. Diego Reigoto disse:

    Não deve estar no pacote que você paga o direito de ler críticas de cinema, mas é sempre bom lembrar que no canto do seu navegador há um X (para fechar a aba/janela e bem fácil de usar) que é mais rápido do que deixar um comentário idiota desses.

    A crítica é excelente, ótimo texto e muito bem vinda! Parabéns, Davi!

  4. Thais disse:

    Foi ótimo o filme, uma das melhores pré-estréias que fui.

  5. Daniel Ferreira disse:

    O filme é excelente. A dublagem do Bane está uma vergonha.

  6. Marcelo disse:

    Putz, vi o filme ontem, realmente fraco. Primeiro de tudo excesso de personagens fez com q o filme ficasse lento demais, demorado e chato. Ao meu ver não precisava da mulher gato e nem do Comissário Foley na trama, totalmente dispensáveis.A ação do filme ficou por conta da trilha sonora, nota 10. Pontos positivos para Joseph Gordon-Levitt trabalho sólido!! Tom Hardy muito bem também mas acho q uma voz mais grave deixaria o Bane mais amedrontador. Acho que Marion Cotillard foi mal utilizada no filme justamente por causa da Hathaway que tem um papel mais em destaque no filme, achei errado. Resumindo, Batman The Dark Knight Rises é como um gol de canela, feio mas é um gol…

  7. Rodolfo Costa disse:

    Assisti hoje e gostei muito. É o meu favorito da trilogia.

  8. Achei bem superior aos dois primeiros, que fiz questão de assistir alguns dias antes. Na minha opinião, Batman Begins possui muito mais “tramas desnecessárias” do que este.

  9. Achilles Lubiana disse:

    Tecnicamente o filme é perfeito, mas isso era mais do que esperado, quase obrigatório em se tratando de uma super produção do genero… O grande problema do filme é se sabotar no final. Bane domina grande parte do filme, sendo o contraponto perfeito ao coringa do filme anterior, ambos se prestando perfeitamente a proposta de discutir a interdependência entre bem e o mal, so que enquanto um é a histrionice da loucura o outro e a força sem expressão (reparem que Bane naum tem expressão facial alguma durante quase todo a projeção, enquanto o coringa de Ledger é aquele espetáculo de uma face cheias de caras e caretas que gritam na tela), uma antítese mas que se presta a mesma função, o caos… mas todo esse jogo brilhante de diferente mais igual é jogado no lixo com aquele final acucarado de “ele fez tudo isso por que me ama”… bane assim como seu oposto coringa naum precisava de um motivo, naum precisava de um love story, e com aquela lagrima tosca que corre no seu rosto, toda sua força e relevância se esvai, tanto que seu subsequente desfecho soa quase ridículo e desimportante diante de seu brilho nos momentos anteriores da pelicula, ou alguém aqui lembra de como ele chegou ao fim… ah ta com um tiro da coadjuvante de luxo, nada mais digno, afinal, depois de ser equivocadamente esvaziado numa cena patetica é o que ele se torna… um mero coadjuvante,,,

  10. charles disse:

    concordo o filme é MUITO fraco… sai do cinema com sentimento que fui enrolado!

    Acho que a trilha sonora foi razoavel. E acho que o fato de muita gente falar que a trilha é boa é por que é a unica coisa boa que foi feita direito nesse filme.

  11. charles disse:

    ah esqueci de falar do trailer….
    A trilha é a 2a coisa boa desse filme a primeira é o trailer…
    Até hoje depois de ver o filme se ver o trailer eu me arrepio…
    pena nao puder dizer o mesmo do filme!

  12. Sujiru Kissuma disse:

    Os três filmes se completam, não dá pra compará-los.

Deixe uma resposta

ss