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Por: Bruno Carvalho

Breaking Bad: Gliding Over All, por Bruno Carvalho

[contém spoilers do episódio 5×08] Abrindo com a mosca que remete ao teatral episódio “Fly” e que resgata a patente obsessão de Walter White, Gliding Over All colocou a série no momento mais antecipado desde a sua estreia. Antes, é claro, Vince Gilligan construiu um capítulo minimamente pensado em cada plano, corte e nas maravilhosas elipses – em especial aquela que sobrevoa a cidade de Albuquerque – numa perfeita simbiose entre técnica cinematográfica e roteiro.

Este Mid Season Finale chocou, a princípio, com uma de suas sequências mais frias e violentas no múltiplo homicídio encomendado por Walter contra os capangas de Mike. Contrastado com os momentos em que o vemos quieto e olhando para uma janela, fica claro que a transformação deste no vilão Heisenberg já está mais do que concluída. Note, também, a inabalabilidade de Walter quando seu cunhado, veterano na polícia, chega em casa aterrorizado com os crimes que tomaram conta dos noticiários locais. Ainda é possível registrar em seu semblante um certo orgulho quando ele termina de tomar aquele copo de whisky.

Além disso, com dois saltos temporais (até então inéditos na série desta forma), o episódio foi corajoso ao acelerar estas partes justamente para que testemunhássemos a rápida ascensão internacional do império do químico com a ajuda de Lydia (que ele iria “apagar”, diga-se). Mais tarde, podemos ver ainda um breve momento de “calmaria que antecede a tempestade” quando seu negócio já estava aparentemente consolidado e concluso. Aliás, mestres em utilizar os elementos narrativos de pista e recompensa, os roteiristas sugeriram ao longo de toda esta primeira parte da temporada que o fim de Walter estaria próximo, seja através das aparições do livro presenteado por Gale ou do tique do relógio que sempre dominava os momentos de silêncio. Walter é inteligente, sim, mas ele sempre teve um impulso autodestrutivo que o perseguiu e o sabotou ao longo das temporadas. E agora que ele se comporta como acima do bem e do mal e se enaltece como o “rei do crime” (“say my name”), não só era possível, como óbvio que em algum momento ele iria cometer um deslize – ainda mais um por vaidade.

Breaking Bad sai de cena este ano mantendo-se como uma das melhores séries em exibição, constantemente capaz de surpreender, mantendo-se invariavelmente fiel e coerente com sua premissa mesmo após 5 intensas temporadas.

2 respostas para “Breaking Bad: Gliding Over All, por Bruno Carvalho”

  1. Bruno Camu disse:

    Polêmico.. Pablo detestou… rs
    Eu achei legal, e sim, um pouco brusca a mudança de Walter… mas, vamos ver o que a proxima temporada nos reserva

  2. Robsonejs disse:

    Grato pela excelente análise! Essa questão dos deslizes por pura vaidade, me fez lembrar do jantar em que hank fala que Gale era o haiserberg e sua genialidade ao mostra caderno de anotações e isso mexeu muito com o orgulho do Walter a ponto de fazer o cunhado voltar a investigação do caso que para ele já estava concluído.

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