FOTO: REPRODUçãO

Por: Davi Garcia

Sessão de Terapia é um dos grandes acertos do ano na TV brasileira

Versão nacional de In Treatment acerta no tom e faz série intimista com adaptação fiel

É verdade que a ideia não é inédita, mas quem se importa se o resultado é uma produção nacional voltada para a tv feita com tanto esmero e qualidade como é o caso de Sessão de Terapia? Versão brasileira da israelense Be Tipul (que nos EUA, via HBO, gerou In Treatment), a série que estreou no último dia 1º de outubro pelo GNT sob a direção de Selton Mello, segue à risca o formato original (cada episódio um paciente) e ainda que se apoie nas mesmas histórias, tem conseguido contextualizar os conflitos de cada um dos pacientes numa linguagem que reflete a nossa realidade de um jeito bem instigante. Além disso, ao apostar no tom intimista que o conceito da série exige, Sessão de Terapia cria uma atmosfera rica (amparada pelo design de produção e pela fotografia) que é absolutamente envolvente e facilita nossa identificação, em menor ou maior grau, com os dramas de cada um dos pacientes e a maneira com que abraçam suas contradições e convicções de maneiras distintas.

Nesse contexto, enquanto Julia (a paciente de segunda feita por Maria Fernanda Cândido) surge como a médica imatura que cria uma dependência emocional com o terapeuta Theo (Zécarlos Machado); Breno (Sergio Guizé), o policial de terça, é impulsivo e desafia o psicólogo a todo instante na tentativa de negar certos sentimentos. Por oposição, Nina (a novata e surpreendente Bianca Muller), paciente adolescente das quartas, apoia-se numa postura extremamente defensiva às abordagens do terapeuta e demonstra uma certa maturidade que falta ao casal Ana e João (pacientes das quintas feitos por Mariana Lima e Andre Frateschi) que, distantes pela falta de diálogo, frustram-se na busca da solução de seus problemas conjugais através de uma resposta objetiva (faça isso ou faça aquilo) que não existe nas sessões.

Assim, pressionado pela forma com que responde e reage aos problemas de seus pacientes (às vezes até de forma pouco racional) e aos seus próprios, os episódios de sexta-feira de Sessão de Terapia trazem Theo tentando confrontar seus dilemas através das conversas que retoma com Dora (Selma Egrei), sua antiga orientadora e colega com quem acaba dividindo alguns dos diálogos mais carregados da série, um quadro que também ocorria com frequência na versão americana estrelada com maestria por Gabriel Byrne.

Aliás, como é meio inevitável fazer comparações, é justo dizer que Zécarlos Machado faz um trabalho tão bom quanto o do colega irlandês, visto que o terapeuta que ele constrói consegue ser tão incisivo em suas colocações/análises na frente de seus pacientes, quanto inseguro quando troca de lugar, uma característica que considero fundamental para que compremos a importância que o personagem carrega. Da mesma maneira, no que tange aos pacientes, Breno e Nina foram os que mais chamaram minha atenção após 10 episódios exibidos (de um total de 45), por serem aqueles que revelam maior complexidade na troca e nos confrontos que estabelecem com Theo.

Surgindo como o grande acerto da tv brasileira no ano, Sessão de Terapia é exibida de segunda a sexta às 22:30 pelo GNT e em reprises de mini maratonas com os 5 epidódios da semana em sequência todos os sábados e domingos a partir das 22h e 18:50 respectivamente.

3 respostas para “Sessão de Terapia é um dos grandes acertos do ano na TV brasileira”

  1. Carol Prospero disse:

    Nem sempre o texto da série me parece estar sendo interpretado de maneira natural pelos atores, mas, no geral, tenho gostado bastante do resultado. O formato é interessante e a relação com um terapeuta é algo bastante presente na sociedade em que vivemos. Os conflitos também são densos o suficiente para que vejamos os pacientes com interesse. O GNT fez um bom investimento, espero que tenham o retorno necessário para continuar produzindo coisas bacanas assim com “material” nacional.

  2. Diogo disse:

    Só pode ser piada! A série tem textos mal adaptados e mal construidos, atores que parecem que estão lendo um texto e um terapeuta que nâo consegue criar empatia alguma. Sou terapeuta e adoro a versâo americana (a original nâo conheço) mas essa versão brasileira é uma vergonha· Agora acho estranho que o ligado em serie que as vezes é cri cri em excesso com muitas sEries americanas venha se juntar a maré de elogios na mídia de uma série tão mediocre·

  3. Fabi disse:

    Estou gostando muito da serie. Claro q compara-la com a versao americana faz com que se perceba alguns defeitinhos mas na minha opiniao nao prejudica. Eu nao acompanhei todos os episodios da versao americana e talvez por isso tenha mais facilidade de aceitar a versao nacional. Acho o trabalho do Selton muito bom e os atores estao bem no papel. O Breno foi ompersonagem q mais me surpreendeu ate agora. Estou curtindo acompanhar a serie

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