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Por: Bruno Carvalho

Girls e o cretino final da segunda temporada

Voz da geração ficou rouca

girlss2[com spoilers] Girls estreou em 2012 alçando a jovem e pouco experiente roteirista, diretora, atriz e produtora Lena Dunham ao cargo de “voz da geração”. Com a supervisão e o apadrinhamento de  Judd Apatow, ela criou uma série que trazia um olhar peculiar e singelo sobre a vida de quatro garotas no início da vida adulta e independente em Nova York. Com personagens bem delimitadas e linguagem jovem e articulada, Dunham encerrou a primeira temporada de forma bem sucedida, recebendo reconhecimento da crítica e prêmios. Mas foi aí que os problemas começaram: ela precisava escrever e entregar a segunda temporada em um curto prazo. Hum, onde será que já vimos isso?

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Ao contrário do que fez no ano de estreia, Dunham decidiu experimentar demais com sua criação, tornando-a sem identidade, volátil e muitas vezes sem coerência. O roteiro passou a atirar para todos os lados: sua personagem, Hannah, começou a apresentar sinais fortes e abruptos de TOC na reta final da temporada (algo que sequer havia sido abordado); Adam foi jogado para escanteio como um degenerado sexual, para então surgir como o galã salvador nos minutos finais; Charlie virou um desenvolvedor de aplicativos milionário da noite pro dia (com direito a empresa montada e vários funcionários na folha); e Jessa simplesmente foi abandonada. Tramas foram lançadas e deixadas sem conclusão ou indícios que serão retomadas no terceiro ano, como a carreira musical de Marnie (talento de Alisson Williams que poderia ter sido muito melhor explorado, mas aqui foi desperdiçado); a relação de Jessa com o pai; o e-book deal da protagonista e até mesmo o breve romance desta com o médico rico, que tomou um episódio inteiro (um décimo da temporada).

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Mas o grande demérito deste segundo ano foi a desconstrução de personagens feita pela roteirista, em especial a própria Hannah. De uma jovem problemática, mas com certo carisma, ela se tornou uma pessoa apenas medíocre, egoísta e repulsiva. Hannah perdeu os atrativos e se tornou antipática – característica que um protagonista, por mais controverso seja, jamais pode ter sem afetar a identificação com o público. Se Lena Dunham queria o público odiando sua personagem, ela conseguiu. A impressão que a segunda temporada de Girls deixou é a de que o acúmulo de funções da criadora fez com que a comédia perdesse o polimento e qualquer coisa acabou indo para o ar “do jeito que ela queria”. É uma pena, pois a série tem os seus méritos, personagens interessantes e uma boa produção. Tomara que retorne numa melhor forma em 2014.

Girls é exibida no Brasil pela HBO.

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