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Por: Davi Garcia

Game of Thrones: The Rains of Castamere

Seguindo a tradição, penúltimo episódio da temporada traz evento chocante

GoT 309[com spoilers do ep. 3×09] George R.R. Martin, criador da história que originou Game of Thrones, pode ser um grande autor, mas é, antes de qualquer outra coisa, um sádico. E se essa noção se manifestava de maneira crescente aqui e ali durante determinados momentos destes vinte e nove episódios da série, foi neste “The Rains of Castamere” que ela ficou escancarada de vez de forma explícita. Não que o roteiro do episódio escrito pelos produtores David Benioff e D.B. Weiss tenha sido impecável em todos os aspectos (já que considerando o que realmente importou no capítulo, a subtrama da Daenerys em Yunkai, por exemplo, acabou não sendo tão relevante dessa vez), mas que ele foi muito “feliz” e eficiente na tarefa de desenvolver e construir um evento final surpreendente (pelo menos para quem, assim como eu, ainda não leu o livro) e de natureza sombria, extremamente violenta e principalmente traumática, não resta dúvida.

Aliás, por falar em trauma, se algum fã mais empolgado da série ainda pensava em um dia fazer uma festa de casamento temático (tem louco para tudo, né?) de Game of Thrones, a certeza de que a ideia merecia ser descartada prontamente deve ter ficado evidente ao fim do episódio marcado por créditos que se abdicaram de qualquer som, provavelmente foram acompanhados pelos mais diversos murmúrios de lamentação e choque emitidos por quem testemunhou o desfecho do agora famoso casamento vermelho, a cerimônia que começara como um pedido de desculpas formal de Robb Stark para os Frey; evoluíra para uma celebração de união através do matrimônio de Edmure Tully com a bela filha (ou neta, sei lá) do velho Walder só para se transformar, pouco tempo depois, num grande banho de sangue (patrocinado por Tywin Lannister, claro) que culminaria no massacre da então grávida Talisa, do rei do norte e sua mãe, Catelyn.

Nesse panorama, se os Stark chegam ao final dessa terceira temporada praticamente dizimados e excluídos do centro da disputa pelo trono de ferro (ou será que ainda dá para apostar no agora novamente caçado Jon Snow; na arredia Arya ou até no próprio Bran que teve seu dom sobrenatural revelado de vez?) é porque Robb, tal qual seu pai, Ned, era um homem muito preso a um código moral e de honra que seus adversários simplesmente ignoram no jogo político e militar de uma história que condena os que não se submetem às suas regras particulares (disposição pela mentira, manipulação, traições etc) ao fracasso progressivo e não poupa nem muito menos perdoa nada nem ninguém (personagem ou espectador) seja qual for a circunstância. Sendo assim, a melhor receita para não sofrer com a série daqui pra frente é uma só: odiar todo e qualquer personagem para não experimentar a surpresa de torcer pelos “mocinhos” e ter a decepção de vê-los caindo pelo caminho das formas mais horrendas possíveis.

4star

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