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Por: Davi Garcia

A promissora estreia do thriller policial The Bridge

Nova série do FX é ótima pedida para quem gosta de tramas investigativas

The Bridge FXQuem me acompanha no twitter, deve lembrar que dia desses falei sobre Bron/Broen, ótima série escandinava que foi exibida na TV a cabo brasileira pelo canal +Globosat e que serviu de inspiração para The Bridge, versão americana que acaba de estrear no FX de lá. Para os que ainda não viram a original (que é altamente recomendável), a trama retrata uma investigação que toma forma a partir do momento em que um corpo é encontrado no exato ponto de uma ponte (daí o título da série) que marca a fronteira entre dois países. Enquanto na série original, Suécia e Dinamarca davam a ambientação da história, nessa transposição, EUA e México, através das cidades de El Paso no Texas e Juárez no estado de Chihuahua, se tornam cenários para o desenvolvimento de um thriller que une os detetives Sonya Cross (Diane Kruger do filme Tróia) e Marco Ruiz (Demián Bichir de Weeds) na investigação e posterior caça ao assassino.

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E se é justo dizer que essa sinopse base não indica (pelo menos num primeiro momento) nada de novo dentro do vasto universo de histórias criminais, também é verdade que à medida em que evolui, a trama acaba pouco a pouco revelando não apenas peças e aspectos interessantes que expandem o mistério central (quem é o assassino e qual é seu verdadeiro objetivo?), bem como camadas novas (como debate sobre imigração, exclusão social, corrupção policial etc) que acabam dando à  narrativa da série, um peso muito maior do que uma primeira impressão poderia apontar. E nesse contexto, a relação inicialmente conflituosa entre Sonya e Marco (que surge com potencial para ser mais uma grande dupla do mundo das séries) exerce papel fundamental ao longo da trama por servir como catalisadora para reflexão não apenas de culturas diferentes bem como de personalidades diametralmente opostas, uma vez que ela se revela como alguém extremamente racional e obcecada pelo trabalho metódico ainda que se mostre alheia às sutilezas do convívio social (algo que fica evidente na cena em que ela questiona o marido da vítima) enquanto ele surge sempre como alguém acostumado tanto à necessidade de se adaptar quanto a de ser capaz de escapar das convenções que limitem uma operação fora dos padrões.

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Salvo uma mudança menor ou outra, o roteiro do primeiro episódio de The Bridge é bastante fiel ao daquele de Bron/Broen, tendo inclusive algumas sequências (como a da abertura da história na ponte e o desfecho com a entrada do repórter Daniel Frye na trama) sendo feitas de maneira rigorosamente igual à original. Assim, a grande diferença em relação à série original que fica notória no episódio de estreia dessa versão, reside na atmosfera proporcionada pela geografia de El Paso e Juárez que, obviamente bem mais quentes que Copenhagen na Dinamarca ou Malmö na Suécia, dão um tom de urgência e desorientação maior à investigação que também acaba ganhando contornos no mínimo curiosos em função da sensação de abandono, isolamento e perigo proporcionado pelos vastos desertos que circundam a região e os crimes que por ali são cometidos.

Existem muitas coisas interessantes à nossa frente e isso foi apenas o começo”, promete o assassino da história em tom de convite no final do episódio que se não chega a ser perfeito, dá um belo cartão de visitas para quem, assim como eu, adora mergulhar em quebra-cabeças investigativos conduzidos por figuras tão complexas quanto os eventos que tentam desvendar.

4star

The Bridge estreou na TV americana no dia 10 de julho, terá 13 episódios em sua primeira temporada e ainda não tem previsão de chegada ao Brasil. Bron/Broen, a original, tem 10 episódios e está disponível na íntegra no Now da NET.

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