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Por: Davi Garcia

Breaking Bad: Buried

Episódio dá a dica: jamais aceite um oferta de Saul Goodman para viajar a Belize 

Breaking Bad 510[com spoilers do ep. 5×10] Segundo as leis da física, nada escapa de um buraco negro. Ao aproximar-se dele, não há mais escapatória: as coisas se deformam e são sugadas numa viagem sem volta rumo à escuridão. A analogia pode ser pobre, mas fala razoavelmente bem da jornada de mudança de Walter White em Breaking Bad e, por tabela, das pessoas que estavam mais próximas a ele durante sua transformação, visto que de um jeito ou de outro, todas elas acabaram atraídas, envolvidas e igualmente deformadas pela escuridão de Heisenberg e daquilo que ele construiu (financeiramente) e destruiu em termos emocionais e psicológicos.

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E se falo isso, é porque não dá para ignorar como a verdade sobre o marido alterou drasticamente a moral de Skyler com o passar da história. Afinal, de esposa dedicada consumida pela ojeriza inicial que depois se transforma em medo profundo antes de finalmente virar sedução pelo desejo de defender o espólio de Walt (ela chega inclusive a refutar a ideia dele de se entregar), é um tanto quanto impressionante vê-la agindo como uma consigliere fria e calculista capaz de abdicar da busca por emoções triviais (já que sequer lembra da última vez em que foi feliz, conforme destaca) e agora da relação familiar com a Marie e Hank com quem dividiu duas excelentes cenas carregadas de angustiantes silêncios, tensão e significados.

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E se a encruzilhada de Hank não permite que ele leve a público sua descoberta logo de cara – algo que fica evidente pelo fato dele reconhecer que ao fazer isso estará também automaticamente condenando sua carreira -, não deixa de ser tentador imaginar como se dará o desenvolvimento do duelo introduzido no final do episódio anterior (e que a diretora Michelle MacLaren fez questão de emoldurar no início deste compondo planos que traziam Hank e Walt prestes a sacarem suas armas como se estivessem num western de John Ford). Qual dois dois dará o primeiro disparo? Será que Hank, temendo ser visto como cúmplice, iniciará uma caçada formal ao cunhado usando o quase catatônico Jesse como arma? E Walt agora acuado e notadamente enfraquecido pelo câncer, mas confiante de que protegeu o dinheiro (escondendo-o no mesmo lugar onde tudo começou) e conta com o apoio de Skyler, daria algum passo rumo a um sacrifício maior que possibilitasse uma rota de fuga impossível?

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Seja lá como for, prever qualquer coisa a essa altura é um exercício prazeroso por um lado, porém levemente inócuo por outro, já que por mais que saibamos que algo muito errado acabará acontecendo na trama até culminar naquele flashforward, ainda não temos elementos suficientes o bastante para montar o derradeiro quadro final da história. Independente disso, é razoável pensar que a subtrama envolvendo Lydia (a mulher que lucra com a sujeira dos outros, mas é incapaz de olhar para ela) e sua necessidade de reorganizar a linha de produção estabelecida em Albuquerque deve eventualmente adquirir um peso importante dentro dos rumos da história. E se Walt, tal qual um Michael Corleone, de repente for puxado de volta aos negócios em função de uma ameaça de ação mais violenta dos tchecos contra sua família (incluindo aí o próprio Hank, cuja curiosa sugestão de queima de arquivo feita por Saul ele imediatamente descartou)?

5star

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