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Por: Davi Garcia

Breaking Bad: Granite State

O silêncio nervoso que precede o grande esporro

Breaking Bad 515[com spoilers do ep. 5×15]E quando eu pensei que já estava fora, eles me puxaram de volta.” Dita pelo Michael Corleone de Al Pacino na terceira parte de O Poderoso Chefão, essa já icônica frase do Cinema ressoaria bem como um resumo do sentimento que corrói e consome Walter White ao final desse “Granite State”. Escrito e dirigido por Peter Gould, o penúltimo episódio de Breaking Bad introduz o cenário do grande conflito que fechará a história (incluindo aí a dolorosa jornada de Jesse que, como se já não tivesse sofrido o bastante, ainda teve que ver Andrea sendo morta pelo frio Todd) e investe naquela que provavelmente foi a tentativa derradeira (intencional ou não) da série de provocar nossa identificação com seu contraditório (para dizer o mínimo), mas não menos fascinante protagonista.

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Sim, Walter White é um monstro e o pouco de humanidade que lhe restava se foi quando, pensando em se preservar, abandonou sua família para fugir na expectativa de ter dado à Skyler o subterfúgio perfeito que a livraria de toda e qualquer acusação. Um plano que seria eficiente é verdade, mas que logo se prova falho quando descobrimos que os White perderam até mesmo o patrimônio que lhes era legal (vide a casa que acaba tomada pelo banco) no andamento do processo. Com esse panorama, o capítulo nos mostra o personagem de Brian Cranston massacrado pelos efeitos do câncer que o enfraquece e também pelo peso que a solidão (aliviada apenas pelas visitas pagas do personagem de Robert Foster) lhe impõe numa casa perdida no meio do gelo e do nada.

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De mãos atadas, Walter até tenta dar uma de Heisenberg no começo do episódio quando pressiona Saul (agora também um foragido em busca de um recomeço) a ajudá-lo num plano de vingança contra os trafinazis. Contudo, não demora e logo o vemos sucumbindo à dura realidade de sua situação e à necessidade de ter que ficar escondido sem muitas alternativas. Nesse contexto, chega a ser curioso perceber como o personagem ainda se agarra à mentira que insiste em contar pra si mesmo e para nós, claro (“Fiz tudo pela minha família”) e como nutre a esperança de reestabelecer os laços perdidos com os seus (algo que fica claro quando ele se recusa em esquecer da aliança que em dado momento de fragilidade chega a lhe escapar do dedo).

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E é justamente aí que ocorre a grande virada do episódio. Recluso, acuado e temendo até pela possibilidade de morrer sem nem sequer poder entregar o dinheiro que tinha para sua família, Walter, em mais uma cena inspirada de Brian Cranston, liga para o filho fazendo um mea culpa que ele sequer consegue terminar (por vergonha ou simples incapacidade) antes de ser condenado pela raiva e pelo desprezo de Flynn que renega o pai e deseja sua morte.

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A conversa poderia então representar o fim da linha para Walter àquela altura rendido à certeza de que perdera tudo e que já era hora de se entregar. No entanto, ao descobrir, através de uma entrevista dada pelo casal Schwartz (seus outrora sócios da juventude) que o império e a fama que construíra com a metanfetamina estava sendo explorado por outros, Walter é mais uma vez tomado por seu ego e desperta para aquela que promete ser a última grande e sem qualquer dúvida dolorosa jogada de Heisenberg.

5star

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