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Por: Davi Garcia

Breaking Bad: Rabid Dog

Cuidado! Cão raivoso. Sacrifício pode ser inevitável

Breaking Bad 512[com spoilers do ep. 5×12] Acabou o amor. Não o meu por Breaking Bad, claro, mas aquele que sustentava a tênue e frágil linha que ainda sustentava qualquer resquício da relação pai/filho entre Walter White e Jesse Pinkman. É verdade que comparado aos três capítulos que o antecederam, “Rabid Dog”, episódio escrito e dirigido por Sam Catlin (que antes já havia roteirizado episódios como o ótimo “Crawl Space” da quarta temporada e que assume o comando das câmeras pela primeira vez agora), não foi tão tenso e intenso. Aliás, mesmo que possamos enxergá-lo (de forma justa, vale dizer) como um desses que servem como preparação para os eventos que veremos a seguir, ainda devemos reconhecer nele a capacidade de valorizar a mise en scène que culminaria – com o apoio do humor negro pontual e característico da série – na ruptura total da parceira e irreversível que uniu um outrora pacato professor de química e seu pupilo.

Breaking Bad 512 (1)

Não há, como chegou a pensar Walt em dado momento do início desse episódio quando descobre sua casa ensopada pela gasolina lançada por Jesse, alvejante ou mentira elaborada e eficaz o bastante que possa iludir sua família (e principalmente Skyler) e limpar a sujeira acumulada por tanto tempo na casa tomada pela escuridão dos adultos que a habitam. Nesse contexto, Jesse (em mais uma atuação espetacular de Aaron Paul), outrora o “cão” de estimação que Walt considerava da família, agora é, tal qual já indicava o título do episódio, aquele animal tomado pela raiva e que troca a disposição de cair no jogo de seu ex-parceiro para abraçar (ainda que com ressalvas) o de Hank que por sua vez não mostra qualquer conflito moral em usar Pinkman como o sacrifício aceitável que lhe dê a chance de pegar o cunhado.

Breaking Bad 512 (2)

E se mencionei o humor negro na abertura desse texto, é impossível ignorar como ele acabou desempenhando um papel fundamental na sequência que colocou Jesse prestes a encarar Walt (e por consequência dar quase tudo que Hank precisava naquele momento) antes de desistir de fazê-lo por achar que estava sendo enganado mais uma vez pelo ex-parceiro e prestes a ser morto por um capanga de Walt que simplesmente não existia. Aliás, também não deixa de ser curioso notar como o “mal entendido” acabou fazendo com que Walt repensasse sua posição de eliminar o cão raivoso como já fora sugerido por Saul e, de forma mais surpreendente eu diria, Skyler (“Já fizemos tanta coisa (ruim) por nós. Que diferença faz mais uma?”, questiona ela na cena do hotel) e pedisse a ajuda de Todd como a cena final nos revelou.

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Então é esse o quadro que temos: Hank quer virar a mesa contra o cunhado usando Jesse que por sua vez conhece as artimanhas de Walt que sem muitas alternativas recorre ao imprevisível Todd, cujo auxílio (movido também pela possibilidade de faturar mais com o negócio da droga), creio eu, será a responsável direta por desencadear os eventos que farão vítimas nem tão inocentes pelo caminho e nos levarão àquele flashforward já tão aguardado.

3star

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