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Por: Davi Garcia

Breaking Bad: To’hajiilee

Se beber, não dirija, mas se o fizer… Better call Saul!

Breaking Bad 513[com spoilers do ep. 5×13] Perdoem-me pelo excesso de sinceridade e pelo espírito fanboy que me consome no momento em que escrevo essas poucas linhas tortas sobre o novo Breaking Bad, mas putaquepariuqueepisódiodocaralhofoiesse?! Não sei concordam comigo nessa, mas dado o alto nível de tensão, surpresa e choque apresentado pela sequência final desse excepcional “To’hajiilee”, fato é que ele poderia muito bem servir como desfecho para a série caso ainda não tivéssemos mais três episódios pela frente, algumas pontas soltas a serem amarradas nessa história bem como um certo flashforward à vista.

Breaking Bad 513 (1)

Escrito por George Mastras e dirigido pela sempre brilhante Michelle Maclaren (e sua aparente infinita capacidade de captar reações emocionais e compor planos belíssimos como o da imagem acima), o capítulo da semana ofereceu um saboroso banquete repleto de reviravoltas e mind games irresistíveis para uma história que mesmo perto de seu inevitável fim ainda mostra ter gás para introduzir uma miríade de possibilidades instigantes e empolgantes.

Breaking Bad 513 (2)

Nessa perspectiva, vimos um demônio fazendo pacto com o diabo (Walt ao aceitar a pedida do tio trafinazi de Todd para se livrar de seu “problema” e consequentemente arrumando outro ainda maior); um aprendiz que conseguiu enganar o mestre (da manipulação) e, finalmente, um inesperado embate no meio do deserto que, construído com requintes de maldade e crueldade extrema pela dupla Mastras/Maclaren, terminou antes do fim. Pelo menos até semana que vém.

Breaking Bad 513 (3)

Pois bem, mas enquanto esperamos pela inevitável revelação do desfecho daquela sequência (o telefonema de Hank para Marie – aliado ao reflexo dos figurinos recentes dos dois (ele de roxo/morte, ela de preto/luto) – certamente deve servir como indicativo de seu destino ali, certo?), vale destacar alguns pontos que considero relevantes e merecedores de uma reflexão maior dentro deste belíssimo episódio.

(1) Ainda me choca o fato de Walter Jr. permanecer totalmente alheio ao mundo sombrio que o cerca, algo que a indiretamente divertida cena em que ele interage com Saul no lava jato ajuda a reforçar. E nisso a pergunta: que papel o garoto ainda terá na trajetória decadente de seu pai?

(2) O que já não me surpreende a essa altura é a capacidade infinita de Walter em usar todo e qualquer instrumento para atingir seus objetivos. Nesse episódio especificamente, reaproximar-se de Andrea e do garoto Brock para tentar atrair Jesse.

(3) Excepcional a forma que Hank encontrou para enganar Walter e fazê-lo não apenas leva-lo à maior evidência de seus crimes (o dinheiro escondido no deserto, claro) bem como garantir a outras confissões desesperadas do cunhado motivadas pelo joguete desenhado por Jesse.

(4) Ao mesmo tempo em que impressiona a sorte que Walter tem e que faz com que as coisas sempre acabem virando a seu favor como o próprio Jesse já alertara ao Hank no episódio anterior, é curioso notar que depois de contemplar e até aceitar a derrota no deserto; encarar a “traição” e o desprezo de Jesse (que chega a cuspir em sua cara) e imaginar que tudo que fizera foi em vão, as coisas devem mudar radicalmente para ele visto que o preço a ser pago pelo resgate tende a ser caro demais para alguém que pretendia abraçar uma vida nova sustentada por mentiras e segredos sujos e sombrios demais para permanecerem intocáveis.

5star

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