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Por: Redação Ligado em Série

A estreia de American Horror Story: Coven

Temporada chega com bons acertos e alguns tropeços

[com spoilers dos episódios 3×01 e 3×02] Indiscutivelmente uma das melhores coisas da última fall season com a temporada Asylum, American Horror Story retornou há duas semanas com o objetivo de manter o altíssimo nível a que chegou no ano anterior. Desta vez, voltando a apresentar uma história que se passa nos dias atuais, a série tem como foco central as bruxas (tema recentemente abordado em True Blood). No entanto, o que se viu neste começo de temporada foi uma história que, se não chega a ser de todo original, pelo menos consegue prender a atenção do espectador..

Após acidentalmente matar o seu namorado durante o sexo, a jovem Zoe Benson descobre, através de seus pais, que é uma bruxa. Logo, é enviada para uma espécie de colégio interno, que serve como preparatório para jovens como ela que ainda não sabem como lidar com o seu dom. Cada bruxa aqui tem uma “habilidade” diferente (como mover as coisas com a mente, ouvir pensamentos etc.), o que, a princípio, nos leva a crer que a história parece ter sido concebida através de um cruzamento entre Harry Potter e X-Men. Como “diretora” da escola, somos apresentados a Cordelia Foxx, filha de Fiona Goode, a Bruxa Suprema, ou seja, a mais poderosa dentre todas as bruxas existentes, que resolve voltar a ensinar na escola que sua filha dirige. Apresentando o maior clichê existente em qualquer história de bruxa que se preze, essa temporada nos traz Jessica Lange no papel da Suprema, que vive obcecada em encontrar algo que lhe dê a vida eterna, e com ela, a beleza infindável. Felizmente, a veterana atriz nos presenteia com mais uma de suas belíssimas atuações, o que nos faz esquecer como a situação em que ela se encontra nos parece um dejà-vu de outros filmes ou séries que assistimos.

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Mas é realmente a parte da narrativa que se passa no século XIX que prende mais a atenção, com Madame LaLaurie e sua pequena coleção de bizarrices que inclui escravos presos em gaiolas, cujos órgãos e sangue são utilizados como maquiagem. Para sua infelicidade, um dos seus prisioneiros é o marido de Marie Leveau, uma conhecida praticante de feitiçaria e vodu que engana LaLaurie, fazendo-a beber uma poção que a fará viver eternamente. Trancafiada num caixão e enterrada nos fundos de sua casa, ela só sai 180 anos depois quando Fiona a encontra.

Tendo como locação a cidade de New Orleans, cidade que é conhecida por ter abrigado um dos maiores números de supostas bruxas queimadas na fogueira pela Inquisição, a Coven mostra saber exatamente em que solo está pisando. Mesclando sua trama com conhecidos contos populares da região (como Marie Leveau, que realmente existiu, e cuja história é contada por Fiona numa tensa cena entre ambas), toda a arquitetura da cidade, que remete ao passado quando foi colonizada por franceses, faz com que a mesma acabe se tornando um personagem importante da história. Por outro lado, a direção de fotografia da série poderia se apropriar desse fator, investindo mais num clima noir e sombrio, mas inexplicavelmente emprega tons claros na série que simplesmente não condizem com o que está sendo mostrado (exceto nas cenas que envolvem Madame LaLaurie, em que, acertadamente, a série aposta numa fotografia escura); junto disso, a direção continua insistindo nos irritantes cortes secos a todo instante, e que acabam interferindo diretamente no envolvimento do espectador com o que está acontecendo na tela (como a cena em que Madison conversa com um rapaz na escadaria de uma casa).

Contando com boa parte do elenco que costuma estar em todas as temporadas, a série de Ryan Murphy e Brad Falchuck (Glee) ainda pode se dar ao luxo de contar com a sempre ótima Kathy Bates, além de Angela Bassett. Estas duas, aliás, protagonizam o arco mais interessante da temporada até agora; e é uma pena que não passemos mais tempo acompanhando Madame LaLaurie e Marie Leveau durante os episódios e sejamos obrigados a testemunhar Zoe e sua amiga montando seu Frankestein particular num necrotério em que não existe absolutamente nenhum vigia.

Falaremos mais de American Horror Story: Coven aqui no site. A série é exibida no Brasil pela Fox

3star

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