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Por: André Costa

Homeland: Game On

Novo episódio é marcado por reviravolta sem sentido

[com spoilers do episódio 3×04] Homeland é uma série que sempre teve um pano de fundo político muito forte e fico pensando se isso não levou a produção a contratar como roteiristas os redatores de discursos para políticos: tal atitude explicaria a descontrolada encheção de linguiça que se abateu nesta fraca terceira temporada. Afinal, temos aqui Carrie novamente internada por maluquice, Dana novamente brigando com a mãe (e novamente se envolvendo com alguém que usou influência política para escapar de um crime)… não seria mais fácil reprisar as temporadas anteriores? Game On é um episódio que estabelece os principais arcos narrativos da sequência: Carrie e Saul brincando de espionagem com os iranianos, Dana e Leo sozinhos para criar em problemas e Jessica e Mike correndo atrás deles. Apesar disso, a monotonia que assola os arrastados 50 minutos é desconcertante. Não há nenhuma cena mais elaborada ou pensada, as soluções são as mais fáceis possíveis (por exemplo, em um momento a CIA tem poder para controlar um juiz; logo depois, está fraca e a um passo da extinção) e o romancinho adolescente é dos mais açucarados e bobos da TV.

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Aqui também é onde Homeland inaugura o que vamos chamar de “anti-desenvolvimento de personagens”, já que, ao invés de evoluir, elas voltam de forma modorrenta às historinhas pregressas (o que é até compreensível, visto que a atual temporada parece chafurdar na lama do fracasso). Na falta de algo novo, os roteiristas batem insistentemente na mesma tecla: “a Carrie é bipolar vamos fazer ela surtar e botar a Dana fazendo alguma burrice adolescente“. É cansativo, é chato e dá vontade de torcer por um novo atentado em algum lugar, só para ver algo acontecendo. Entretanto, nada disso supera o encontro no final entre Carrie e Saul: não apenas é desprovido de qualquer pista anterior que indicasse tal acontecimento (o que, vá lá, até daria pra deixar passar) como tira completamente o sentido de algumas cenas (as que Carrie sofre sozinha pelas atitudes de Saul, por exemplo). É um artifício forçado, enganador, desonesto por parte dos realizadores. A empatia do espectador com as personagens e a confiança dele na narrativa é o que uma série tem de melhor, e Homeland jogou tudo pelos ares apenas por uma reviravolta novelesca nível Revenge. Apesar do elenco bem afiado (com exceção de Morgan Saylor, que acha que morder o lábio é atuar), Game On é um episódio que tenta falar sobre inteligência quando a própria falta na série.

1star

Homeland é exibida no canal Showtime norte-americano e no Brasil estreia somente em janeiro pelo FX.

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