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Por: Bruno Carvalho

O fenomenal retorno de The Good Wife

thegoodwife501a[Com spoilers do episódio 5×01] Impulsionada por uma constante e crescente trilha incidental com violinos, a trama da quinta temporada teve início do ponto em que parou no quarto ano e meticulosamente posicionada. Sem saber, o escritório Lockhart/Gardner iminentemente prepara-se para derivar o Agos & Florrick (ou, melhor, Florrick & Agos). Quem é um bom observador como David Lee já viu que as peças estão se movimentando. Telefones monitorados, conversas a portas fechadas e clientes silenciosamente disputados são os indícios que uma grande mudança está por vir. Como advogado que já vivenciou uma cisão de porte similar do lado de cá da tela, posso atestar que o clima de tensão e ansiedade retratado é dali pra pior.

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E se isso já fosse material suficiente para qualquer série dramática atual, para The Good Wife é só uma das ramificações de sua narrativa consistentemente intrincada. Pra que facilitar? Na receita de Everything is Ending, o capítulo de estreia, encontramos Alicia e Diane no fim de um complicadíssimo caso de pena de morte, iniciando também o sempre belo desfile de argumentações e estratégias do processo judicial perante o primeiro nome da lista extensa de convidados especiais, Jeffrey Tambor (Arrested Development) como o juiz George Kluger. Preciso até no momento em que insere (atrasado) os créditos de abertura na tela, o drama ainda encontra tempo (e espaço) para as costumeiras articulações políticas do governador eleito Peter Florrick para encontrar o seu chefe de gabinete e é claro que tinha que ser Eli. A temporada retornou com a parte técnica mais refinada, introduzindo uma montagem ainda mais eficiente, cheia de raccords e com um uso de câmera subjetiva sutil e inteligentíssimo.

Se existe uma série hoje capaz de substituir o vazio deixado por Breaking Bad, é The Good Wife (e não rechace essa afirmação sem conhecer a série). Sua articulação política é mais intrigante que a de Game of Thrones; suas conspirações são mais profundas que as de Homeland; seus personagens cativantes (da protagonista aos coadjuvantes) e seu texto são inigualáveis na TV aberta (e, arrisco a dizer, na TV paga) atual  norte-americana. Se você assiste a The Good Wife sabe exatamente do que eu estou falando. Se não assiste, corra atrás e me agradeça aqui depois. O quinto ano começou pra valer para os sócios ou associados desta magnífica produção.

5star

Especial pra jaumcb, Aline, Botts, Jadyna Pires e todos que pediram a volta de críticas de The Good Wife! É uma pena, apenas, que o Universal Channel esteja um ano atrasado com a exibição da série no Brasil.

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