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Por: Davi Garcia

The Walking Dead: 30 Days Without an Accident

Série retorna com a missão de mostrar que ainda pode ser mais do que um hit popular

The Walking Dead 401[com spoilers do ep. 4×01] Minha relação com The Walking Dead anda meio abalada. Adorei o arco inicial da temporada passada, tive algumas restrições com a segunda metade e detestei aquele final. Sendo assim, empolgação com retorno da série era algo que eu simplesmente não tinha, mas aí assisti esse 30 Days Without an Accident e… Não é que os caras fizeram um bom episódio? Não foi ótimo, não teve nenhuma sequência absurdamente marcante (sim, a chuva de zumbis foi “divertida”, relativamente tensa, mas só isso), porém trouxe cenários e ideias com potencial para provar que a série ainda pode ser muito mais do que um “simples” sucesso de audiência.

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Dirigido por Greg Nicotero (produtor e responsável pela maquiagem dos walkers) a partir do roteiro do novo showrunner, Scott M. Gimple, 30 Days Without an Accident retoma a história de Rick, Daryl e cia alguns meses depois do ataque perpetrado pelo agora desaparecido Governador à prisão e mostra o lugar estabelecido como um porto seguro (com direito até a horta e criação de animais) para vários dos ex-moradores de Woodbury. Nesse contexto, Rick ressurge recuperado do trauma que quase o fez perder a sanidade, porém afastado das posições de liderança e aparentemente disposto a recuperar a humanidade que já julgava perdida. Assim, seu encontro com Clara, a moça isolada na floresta, acabou representando para ele um vislumbre do que ele poderia ter se transformado: alguém totalmente desconectado da realidade e tomado pelo caos daquele mundo.

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Contudo, muito mais do que as mudanças de Rick; a revelação de que a prisão é comandada por um conselho e que Michonne (que agora até sorri, vejam só) segue obcecada em localizar o Governador, esse retorno de The Walking Dead nos deu também uma boa noção de como a sombra do apocalipse zumbi e seus perigos alteraram radicalmente a maneira com que os mais jovens enxergam o mundo e as relações que alimentam com outros sobreviventes. Glen, por exemplo, ao contrário de Maggie, não vê qualquer motivação em trazer uma criança para aquela vida ao passo em que Beth sequer consegue lamentar a morte de um namoradinho, visto que as perdas passam a ganhar um aspecto quase banal. Já Carl, que chega a ser tratado como um jovem senhor em dado momento, passa a simbolizar de forma mais forte a quebra da inocência de um garoto que ganhou uma maturidade muito maior do que sua idade poderia sugerir.

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Nesse mesmo panorama, aliás, o fato de Carol aparecer intercalando sessões de leituras com lições de como os pequenos deviam manejar facas e afins, também não deixa de ser um triste, ainda que compreensível retrato, de um mundo em que os paradigmas foram radicalmente alterados exigindo que as crianças tenham que crescer antes da hora. Mas que outras ameaças surgirão nessa trama? Sim, a misteriosa doença que vitima o jovem Patrick no final do episódio e o transforma em zumbi é uma delas, porém isso tem que ser apenas a ponta de um novo e, espero eu, mais perigoso iceberg que provoque novos choques e surpresas fazendo com que a série volte a apresentar temas relevantes e a merecer nossa atenção mais uma vez.

Seria pedir demais?

3star

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