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Por: Redação Ligado em Série

American Horror Story: a temporada até aqui

Terceira temporada segue com muitos erros

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[Com spoilers até o episódio 3×07] Ainda que apresentasse alguns pontos fracos em seus primeiros episódios, esta terceira temporada de American Horror Story começou prendendo a atenção. No entanto, o que se viu nos episódios seguintes foi uma sucessão de tramas desinteressantes e erros crassos de construção de roteiro além de muitos furos.

Qualquer aluno que esteja começando a aprender a arte de roteirizar um filme, série ou peça teatral tem como uma das primeiras lições a chamada “pista x recompensa”. Ou seja, uma informação aleatória é introduzida em algum ponto da narrativa (geralmente no início) para ser explorada mais a fundo no decorrer da mesma; ao espectador é dada uma pista para que, futuramente, ele obtenha a recompensa, que seria essa pista funcionar como um catalisador de várias situações em que os personagens se verão envolvidos. Nunca se deve lançar uma pista para logo na cena seguinte ser dada a recompensa: frustra o espectador e dá a clara impressão de que a situação foi feita às pressas, em cima da hora.

Portanto, é inconcebível que sejamos apresentados ao poder que Marie Leveau tem de evocar zumbis para que, no mesmo episódio, ela use esse poder para cercar a mansão durante o Halloween. Do mesmo modo, conhecemos o Homem do Machado num momento e, logo em seguida, ele desempenha um papel fundamental na revelação dos crimes de Fiona perante Zoe. Tudo isso soa como se fossem soluções improvisadas, no mínimo mal feitas. A série costuma usar e abusar desse artifício, apelando para soluções que nitidamente não foram bem pensadas. Além disso, algumas dessas situações são rapidamente esquecidas pelo roteiro, como os zumbis da bruxa vodu: simplesmente não se tocou mais no assunto, e o que poderia render um plot com muitas possibilidades interessantes acabou por ser limado da série.

Mas esses não são os únicos problemas do roteiro, que peca pelo excesso de furos: quando o “exército zumbi” ataca a mansão das bruxas, eles dilaceram um adolescente fantasiado, fato que é convenientemente ignorado posteriormente, como se a situação tivesse sido criada apenas porque uma série de terror deve ter sangue; mas o que é inexplicável mesmo é como o Homem do Machado adquiriu um corpo humano novamente. Zoe o expulsou da mansão, e agora ele está livre, mas apenas como fantasma. E como assim, na noite seguinte a que ele sai, já aparece tocando saxofone num bar? Ok, ele matou um saxofonista, mas ninguém nunca tinha visto o saxofonista original?

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Além dessas crateras no roteiro, a série sofre com a enfadonha conversa entre Fiona e o Homem do Machado, que durou um episódio inteiro; e o grotesco Kyle, que até agora não apresentou função alguma na trama, a não ser grunhir e servir como animal de estimação de Zoe. E quando surge uma história que prende a atenção do espectador, como a visão que Cordelia teve dos crimes cometidos por Fiona, a montagem ineficaz do episódio quebra completamente o clima da cena, bem como um desnecessário traveling que culmina num close no rosto de Cordelia. Por outro lado, um dos personagens mais interessantes da série, Misty Day, é completamente subaproveitada pelo roteiro, aparecendo apenas ocasionalmente para ressuscitar alguém, o que nos leva a outro grande problema.

Numa série/filme de terror, ficamos temerosos pela vida dos personagens que correm perigo a qualquer instante, mas esse fator desapareceu por completo nessa temporada, visto que temos uma personagem que devolve a vida a qualquer um. Como ficar triste pela morte de um personagem, se já sabemos que ele vai ressuscitar mais tarde? A propósito, chegou a ser risível a cena em que Misty ressuscita Madison: ao ouvir o pedido de Zoe e constatar que a loira estava morta há muito tempo, Misty disse que nada poderia fazer, o que seria um ponto coerente na narrativa, já que seria evidenciado que seus poderes têm limites; mas então Zoe diz que ela precisava fazer isso, então Misty simplesmente… faz. Ou seja, sua relutância em trazê-la de volta foi baseada em quê? Não é surpresa que Madison e Kyle agora tenham um caso, já que ambos carecem de alguma importância na trama, ainda que essa importância se resuma a formar um triângulo amoroso com a provável Suprema.

Por gastar tempo com personagens descartáveis, a série acaba se esquecendo em alguns momentos muito mais interessantes, como Madame LaLaurie, que merecia ter sua história bem mais explorada, assim como Marie Leveau. A bem da verdade, as duas iniciaram uma interação a partir do fim do último episódio que promete boas cenas. Junto disso, a storyline envolvendo Cordelia e seu marido caçador de bruxas também prende a atenção. No entanto, tudo isso é pouco perto do que a série se dispunha a nos oferecer em seu início. Por enquanto, temos apenas a sensação de que o prato inicial foi muito mais saboroso do que o jantar, que está saindo particularmente indigesto.

2star

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